sábado, 5 de dezembro de 2015

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: FONTES DE SODA

(16) FUENTES DE SODA (31)

 

Aprovecho la hora del amuerzo
Para hacer un examen de conciencia
?Cuántos brazos me quedan por abrir?
?Cuántos pétalos negros por cerrar?
!A lo mejor soy un sobrevivente!

El receptor de radio me recuerda
Mis deberes, las clases, los poemas
Con una voz que parece venir
Desde lo más profundo del sepulcro.

El corazón no sabe qué pensar.

Hago como que miro los espejos
Un cliente estornuda a su mujer
Otro enciende un cigarro
Otro lee Las últimas Notícias.

!Qué podemos hacer, árbol sin hojas
Fuera de dar la última mirada
En dirección del paraíso perdido!

Responde, sol oscuro
Ilumina un instante
Aunque después te apagues para siempre.

Versos de salón -- 1962.

 FONTES DE SODA

 

Aproveito a hora do almoço

Para fazer um exame de consciência:

Quantos braços restam abrir?

Quantas pétalas negras por fechar?

No mínimo sou um sobrevivente!

 

O aparelho de rádio me recorda

Meus deveres, as aulas, os poemas

Com uma voz que parece vir

Do mais profundo sepulcro.

 

O coração não sabe pensar.

 

Faço como olho os espelhos

Um cliente espirra em sua mulher

Outro acende um cigarro

Outro lê As Últimas Notícias.

 

O que podemos fazer, árvore sem folhas

Ao menos dar a última mirada

Em direção ao paraíso perdido!

 

Responda, sol obscuro

Ilumine um instante

Embora depois te apagues para sempre.

 

 

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