sábado, 31 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 31 de janeiro de 2015 -- broto rosa

broto rosa

Galhos secos...
Ecos dentro de mim
Silenciam meu desespero?
Perco sempre perco algo quando estou triste
Talvez a inocência da explosão
Verde

Preciso do broto da rosa que brota inocência e indica o caminho do sol

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 30 de janeiro de 2015 -- doloridos II

doloridos II

Vendo um quadro de Kandinsky...


Então somos isso
círculos coloridos?
sem cheiro sem nomes sem dor?
então somos engraçados mas sem valor?
então não podemos sonhar
com um sorriso dum primo
a mão da prima acariciando qual gata
minha imaginação?
então somos apenas cores temporárias
sem eco sem filhos sem nada
que possa continuar?
então somos uma soma que dá zero
um esforço sem nexo apenas uma intenção?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Kandinsky, poema: VER


Kandinsky, quadro. Poema: doloridos II, Marco Plácido

doloridos II

Então somos isso
círculos coloridos?
sem cheiro sem nomes sem dor?
então somos engraçados mas sem valor?
então não podemos sonhar
com um sorriso dum primo
a mão da prima acariciando qual gata
minha imaginação?
então somos apenas cores temporários
sem eco sem filhos sem nada
que possa continuar?
então somos uma soma que dá zero
um esforço sem nexo apenas uma intenção?

Kandinsky, quadro: Improvisação 4. Poema: guerra X imagem abstrata, Marco Plácido

guerra x imagem abstrata

A Kandinsky


O abstrato foi criado depois que perdemos nossa humanidade Guerreando pelo tempo de países que veem em homens dinheiro Daí ninguém queria ver fotos ou rostos perfeitos do que restou de uma granada jogada por desamor então Kandinsky entendeu que melhor do que cérebros perfeitamente explodidos numa tela seria algo que não identificamos e portanto sonhamos colorindo um pouco nossa perdida ilusão com um tanto de tinta inventada em perspectiva

Kandinsky, poema PRIMAVERA

Poema de Kandinsky
PRIMAVERA
1.
A oeste da lua nova.
Diante dos cornos da lua, uma estrela.
Uma casa negra, alta e estreita.
Três janelas iluminadas.
Três janelas.
2.
No amarelo brilhante há manchas azul-pálido.
Só os seus olhos viram as manchas azul-pálido.
Elas fizeram bem aos meus olhos.
Porque é que mais ninguém vê as
manchas azul-pálido no amarelo a brilhar?
3.
Enfia os dedos na água a ferver.
Ferve os dedos.
Deixa os teus dedos a cantar de dor
(Versão de Anabela Mendes)

365 dias com poesia, 29 de janeiro de 2015 -- Cegos V

Cegos V

Olhamos para frente para não tropeçar
Desejando o futuro que está invisível
Nas nossas costas
Mas
Engraçado
É o passado que nos guia, de frente
Só esse fato já desvirtua toda a certeza de vivermos

Mas parece que não percebemos por não querer perceber-nos...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 28 de janeiro de 2015 -- CADENTES

CADENTES

A tarde
Humilha o dia
Num reluzente pôr do sol
Que inspira a noite a inventar
Suicidas estrelas cadentes

Como vingança por fim tão belo

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 27 de janeiro de 2015 -- Vendas

Vendas

A Brigitte Bardot

Vendo seu corpo
Vendo meus olhos
Para não olhar o massacre do tempo
Ele nos empurra para baixo
Afasta sentimentos
Os ventos em nossos olhos juvenis são inobservados
Por isso envelhecemos magoados
Desconhecendo quem somos e

Quais sonhos queremos sonhar...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 26 de janeiro de 2015 -- Plantas

Plantas

Baseado num texto francês...

Super super maravilhosas plantas
Mas falsas num escritório bancário duma rua de Paris
O brilho do computador não dá vida àquelas plantas
Querida
Vamos embora da selva de pedra para a exótica e bucólica selva tropical
Cujo calor infernal imprime no chão olhos de paixão
Talvez

Nossa salvação seja nos entregarmos em gotas à felicidade irreal 

domingo, 25 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 25 de janeiro de 2015 -- SIMPLISMO

SIMPLISMO

...a vida é simples?

Então
Como adequar o ritmo da vida
ao meu?
arranjá-lo
ao seu?
Como contornar (meus) seus desejos?

Como alcançar (seus) meus desejos?

sábado, 24 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 24 de janeiro de 2015 -- deus

deus

Criatura divina
Que criamos para nos acalmar
Reze por mim pela minha família
Para que todos possamos ter coragem de
Depois de ver a verdadeira verdade

Suportar a vontade de sonhar

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 22 de janeiro de 2015 -- oceamo-me

Na areia da praia
Jogo bola
Faço castelos
Cavo em mim verdades
Doem doem estragam a imagem
Que tinha agora tenho uma resposta que dói que arranha
Só assim aceito-me só assim
Aceito-me oceano e te amo ansiando-te


oceamo-me

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 21 de janeiro de 2015 -- autômatos

autômatos

Acho engraçado quando me perguntam sobre a função da arte
De tão óbvio abrevio o instante da resposta desaforada e sorrio tentando ter calma:
A única função da arte é nos fazer não esquecer de quem somos ou fomos
É nos empurrar goela abaixo nossa condição de humanos

Que sofremos por esquecer tentando nos especializar em autômatos compradores de bugigangas!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 20 de janeiro de 2015 -- LENHA

LENHA

Tirante
As declarações de princípios
Dos inícios de alguns poemas
O resto
É rio que
corre solto
É pedaço de lenha na correnteza

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 19 de janeiro de 2015 -- (solidão)

De que me adianta
O céu
Azul
Sol
Solto
Abóbora

De que me adianta tanta pança
Sem graça
Sem vícios
Sem histórias

De que me adianta
A manhã
Quente
O leite
O pão...

De que me adianta
essa mão...


(solidão)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 18 de janeiro de 2015 -- Asul

Asul

conceitos prévios
sem estudo do caso
preconceitos
exatas palavras de incompreensão
um pássaro não voa para o norte?
um palhaço não pode xingar?
um político não pode ser sincero?

um poeta não pode ser asul?

365 dias com poesia, 17 de janeiro de 2015 -- O silêncio e o som

O silêncio e o som

(os músicos
anseiam
por adjetivos...
enquanto
espero a falta

de palavras...)

365 dias com poesia, 16 de janeiro de 2015 -- Verde amor

Verde amor

...os dois se olharam

pareciam nascidos um para o outro
nascidos no mesmo bairro
tinham brincado no mesmo jardim escorregaram na mesma gangorra e dormido na mesma sombra da árvore que já não mais existe
sorrisos parecidos e um olhar de querer aprender mas tristes até aquele encontro que mudaria suas nossas vidas
em pouco tempo viram que possuíam um plano de vida parecido e estavam sendo iludidos pelos seus respectivos pares que só pensavam em carros, fotos, viagens e resolveram sem alarde que ficariam juntos e dariam uma nova chance à vida criando vidas
seus nomes?

a zul e amarelo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 14 de janeiro de 2015 -- IRON MAN

IRON MAN

10 km de natação
20 km de bicicleta
42 km de corrida
homem de ferro
mas
com o coração aberto


(nossa verdadeira conquista não acontece quando parados pensamos em nossas feridas e as curamos com lambidas do excesso de vida?)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 13 de janeiro de 2015 -- Por que você não sorri para mim?

Por que você não sorri para mim?

Vendo um quadro que pintei...

Uma face ovo de páscoa
Escudo nos define
Por que não sorri?
Por que você não sorri para mim?
Por que não sorrimos juntos?
Por que queremos enxergar o mundo cinza

Quando poderíamos pintá-lo de azul e sorrirmos juntos a loucura da solidão colorida?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 12 de janeiro de 2015 -- piores do ano



piores do ano

dois terroristas altamente treinados
esquecem os documentos num carro...

um outro de alta periculosidade
liga para a TV para confirmar a identidade dos dois primeiros...

a polícia rapidamente mata os três além de quatro reféns
e acaba imediatamente com o caso...

Dilma combate a corrupção do petrolão...
Lula não sabia não...

sábado, 10 de janeiro de 2015

facebook de 10/01/2015 -- fantoche



fantoche


Parei de correr
Admito o tempo não me pertence
Não sou ventríloquo
Sou fantoche
Estou preso a ele
É dele a vontade de me fazer continuar
Admito
Por mim
Não quero parar
De continuar
A espalhar
Verdades espelhar mentiras
Aqui nesse retângulo virtual
Esbranquiçado
Vez por outra manchado de sangue
Cinza
Porque único possível...

Escrever é como a vida
Só escrevemos o que é possível ser escrito

365 dias com poesia, 10 de janeiro de 2015 -- salada de frutas



salada de frutas

Aos primos Nicolas e Thiago

A coisa mais bonita na vida é a saudade
Ela machuca mas tem gosto de chocolate
É salada de frutas de gosto perene
É como uma flor que já foi árvore

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 09 de janeiro de 2015 -- Pai filho espírito



Pai filho espírito

Todas as vidas são inventadas
Todos os dias
Invento uma palavra
Todo dia faço uma rima com seu nome
Soletro letra por letra
Pintando-o de prata
Todas as letras gostam das palavras
Não esqueço disso
E por isso
Todos os dias escrevo
Mesmo na areia da praia
Um poema tem seu lugar
Mesmo apagado é lambido
Mesmo apagado é querido
Mesmo que não tenha
Oficialmente existido
Foi gerado
E dele
Sou
Pai filho espírito

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 08 de janeiro de 2015 -- O SENTIMENTO



O SENTIMENTO

A Mário Quintana

o sentimento
é
a memória
da emoção
sentida no passado
que volta
de roldão
quando nos vemos
apertados
numa situação...

o sentimento é bambalalão...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 07 de janeiro de 2015 -- NEM TE CONTO



NEM TE CONTO

Homenagem ao Colégio Ágora, ex-Amanhecer

Nem te conto...
Minto?
Mito!
Sabe o que o saci me disse?
Crendice?
E a mula...
Loucura?
que nada
tudo na vida existe
basta que você acredite
E Deus?
E o amor?
E eu?
Eu
escrevo
canto
pinto
aprendi com meus filhos
ouvindo o amanhecer...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

365 dias com poesia, 06 de janeiro de 2015 -- Sonic Higways



Sonic Higways

A Dave Grohl

Ouço querendo chorar
O som da homenagem
Passadas sendo revisitadas
No presente de homens contentes
Em tocar nosso coração
Com a emoção de decibéis fartos
De rimas simples porém preciosas
Dave gritando ajude a nos colocar no nirvana
Cabeça boa e rouca sem farsas do circo “mainstream”
Continue nos jogando farpas com sua alma ingênua
Soluce soluções poderosas
Simples como todo bom roque em rou

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Melhores de 2014 -- gaivota azul



gaivota azul

Branca gaivota de voo sul
Siga voando azul
Planando santo mergulho de luz
Gaivota não se esqueça do sol das sombras da música
De suas asas é que me vem inspiração
Para uma canção de ninar
Uma canção de hámar

Melhores de 2014 -- anel de barbante



anel de barbante

Um assobio numa canção de amor
Apenas um assobio que seja
Um chocalho me enganando um som de bateria
Uma rima num compasso um amasso num: acorde!
O amor está passando está sendo cantado
Por uma banda de roque que já errou bastante
Ganha um anel de barbante quem me disser o nome desses caras armados até os dentes de lâminas de pedra rolando um som estridente quente rente aos meus ouvidos desacreditados querendo gritar: aumenta que isso é o que sou!

Ouvindo Patience com o Velvet Revolver

Melhores de 2014 -- arlequim



arlequim

Alecrim cheiro do
Arlequim
Quinto filho
Numa família de homens tristes
Pinta um sorriso na cara
Para esconder de todos a tosca risada
A farsa de seus pés pequenos em grandes sapatos
Palhaço
Que se perfuma de ilusão para sobreviver

Melhores de 2014 -- sorryndo



sorryndo

À memória de minhas avós Diva e Arlete

Aquelas flores
Daquele jardim
São olhos de infância que me acompanham
Ali apanhava flores e dava para minha vó dar para minha mãe que sorria quando as recebia e sorrindo vinha rindo para mim não há flores mais lindas do que aquelas que sorriam para mim

Melhores de 2014 -- velocidade



velocidade

A Ron Mueck

Suas esculturas realistas nos mostram
Como somos como seremos
Grandes ou pequenos
Dedos unhas pelos
Juntos ou sós
Olhos
Do pó ao pó
Voltaremos...

(E não percebemos sorrindo e tirando foto...
E não percebemos que aqueles seres evidenciam nossa inércia de estátuas assustadas com a velocidade da vida real...)

Melhores de 2014 -- acaso



acaso

Imagens são apenas uma parte daquilo que trago
O cigarro jogado ali no canto estraga o canto
Rasca minha voz de medo
Sem sossego sigo sério só filmando o tempo ouvindo o silêncio
E de tudo que fixo pinto
Tintas pincéis e atos
Todos errados
Escondidos na pretensão com ação sem direção
Ar pesado em fôlego rápido porque inseguro
Continuo no escuro aplicando tintas na tela na esperança branda ereta
De uma mancha me mostrar o caminho vou indo qual barco à deriva
Esperando tenso um vento chamado acaso

Melhores de 2014 -- porcelana



porcelana

A Moby

Humanos de porcelana?
Não pode não deve não cabe não sobrevive
Humanos de bronze
Pois ouro e prata estão caros?
Caríssimos o que tenho a dizer já está dito
E repito
Somos de carne de músculos puros
Sangue suor e lágrimas nos completam
Somos às vezes lisérgicos às vezes patéticos
Rimos sérios
Choramos com os dentes à mostra
Somos o todo e a sobra
Pois tudo nos é essencial
Temos um animal dentro de nós
Mas podemos escolher ser só amor
Mas podemos escolher ser só amor
Mas podemos escolher ser só amor

Melhores de 2014 -- conozco



conozco

Se sou eu mesmo o que devo fazer para continuar sendo?
Fingir que não sinto o que sinto?
(louca necessidade de escrever sobre como fingimos!)
Continuar sorrindo um sorriso falso de dentes brancos de anúncio de pasta de dente?
(quando queria esmurrar uma meia dúzia!)
Ir à praia sem pensar em nada apenas pelo forte desejo de recordar como fede a maresia?
(quando preciso mergulhar mais e mais n’água como um peixe livre na gelatina!)
No trabalho, me comportar como se minha presença fosse extremamente importante?
(quando sei que se eu morrer qualquer um terminará aquele processo dificílimo)!
Em casa, acostumar-me a resolver problemas todos sempre de todos sempre me privando do tempo em que penso na gente?
(quando o único problema que temos é nos acostumarmos com nós mesmos sendo nós mesmos, sempre, e sendo, estar sempre com todos nós, sempre!)

Melhores de 2014 -- Jam Session



Jam Session

Jam session de futuros fevereiros, janeiro
Febre que ferve em meu sangue vermelho, fevereiro
Mágoa marca de arara amassada, março
Abre te sésamo, abril
Mas não sou eu que terei que dar solução, maio
Juntos iremos voar num tapete de ilusão, junho
Juvenis juntas júlias mudas flores que brotam, julho
Um gosto de outono uma chuva em olhos miúdos, agosto
Sempre sorriso seu surpreende, setembro
Ou vou ou vem ou tudo estará triste, outubro
Novamente aqui estou a falar do amor, novembro
Dez nossas letras juntas formam uma família, dezembro

Melhores de 2014 -- cicatriz



cicatriz

 

poesia
seiva
cera
ameixa
raiz

cicatriz

Melhores de 2014 -- medalhas



medalhas

A Miles Davis

No sopro!
Miles determinava destinos
Distribuía desígnios
No sopro
Severa emoção em mãos trêmulas
Tênue explosão de satisfação
Sopro de sexo num vento
Orgasmo de cuspe fedendo verdades
Severas cruas escuras raridade
Gravada em discos
Símbolos medalhas de nossas falhas

Melhores de 2014 -- peça de bicicleta



peça de bicicleta

é gostosa e bonita
a coragem de não saber e ir andando pelas palavras
sem
se
dar conta das
orações
pegar algum pincel velho e misturar às tintas usadas alguma nova cor não porque seja nova apenas porque ainda não se misturara e por isso produz SUR
PRESA
pegar um pedaço de peça velha duma bicicleta e colar um nariz fazendo a criança crer na possibilidade ali inventada do nada
gostosa e bonita
coragem de não saber e por não saber
F
A
Z
E
R arte