quinta-feira, 31 de julho de 2014

Fê, aos 26 anos



urso

Ouvindo I Remember Clifford e lembrando de Fê

Eu me lembro
Tu te lembras?
Ele se lembra?
Me lembra alguém
Forte cheiroso e cabeludo
Um urso do bem
Meio zen
Espiritual espirituoso
Delicado e carinhoso
Safado com olhos espertos para apelidos:
Taíca Rato Cabeça Espanta Neném Caubi Pé Chato...

Eu me lembro! tu te lembras? ele se lembra de nós?
Por onde andas, safadão?

Olhe ore sopre por nós amizade e bondade nesse mundo de solidão

365 dias com poesia, 31 de julho de 2014 -- ideal



ideal

Aos mortos de todas as guerras do mundo

Numa encruzilhada de temperamentos
Todos sendo difíceis integrantes do mundo real
Tosse bronquite irritações mil
Quem dormiu dormiu não dorme mais
Depois que viu como a vida funciona
Homens matando homens animais crianças
Todos dizendo lutar por um ideal

(Para preservarmos a nossa natureza deveríamos tomar conta primeiro dos nossos instintos estrangeiros!)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Quadro: gump -- 80 X 60 cm, tinta acrílica


365 dias com poesia, 30 de julho de 2014 -- claridade



claridade

vivemos com medo e do medo de vivermos abrimos mão de ser quem somos dos nossos sonhos para atacar a vida real nos defendemos rindo dos outros das dificuldades alheias que quase com certeza são nossas também desaprendemos se é que aprendemos a amar e quando nossa capacidade de ser babacas acaba ou quando já não aguentamos fingir aguentar desistimos de nós procurando uma rotina de isolamento e claridade (que é a última mentira ainda possível num corpo exausto)

terça-feira, 29 de julho de 2014

365 dias com poesia, 29 de julho de 2014 -- suspeito



suspeito

Um blues traz menos palavras e mais silêncio
Uma dor no peito
Como um grito sufocado
Um suspiro dum ser mal-amado
Bem distante duma situação d’amor
Um suspeito procurando o calor da guitarra
Para tentar sobreviver pelo menos até a próxima canção

segunda-feira, 28 de julho de 2014

365 dias com poesia, 28 de julho de 2014 -- zangão



zangão

Uma tarde ensolarada enquanto carrego pedras...
O ambiente às vezes ajuda às vezes atrapalha a luz pode ensinar ou cegar...
Maiores são as chances de nada começar e por que comecei?
Pelo peso que sentia dentro apesar do sol que também havia em minhas retinas
Pela chuva que chovia dentro e que molhava lenços de papel no trajeto da Ponte Rio-Niterói
Pelas doces lembranças amargas esperanças de ter para onde ir sem me sentir perdido
Comecei e ainda não parei e acho que só vou parar quando não tiver mais fôlego enquanto tiver mínimas forças deixarei minhas impressões sobre a vida em qualquer meio físico que houver papel tela disco ou apenas um ouvido (zumbido em flor)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

365 dias com poesia, 27 de julho de 2014 -- sentimiento



sentimiento

A Gustavo Cerrati

Quantos pintam sem saber onde começa a pinta?
Quantos fingem ter a tinta quando desconfiam do branco em sorrisos de espanto?
Quantos ardem aquele vermelho indisfarçável do tempo?
Quantos querem realmente querem relembrar o verde intenso dos momentos enfermos de prazer?

365 dias com poesia, 26 de julho de 2014 -- copo d’água



copo d’água

De cada resto de palavra
Possível lágrima desperdiçada
Procuro realçar um breve esgar
Um simples suspiro que seja
Como um gole de cerveja que desce refrescando a madrugada
Serena e fria de retinas cansadas do tempo de tudo do vento de nada
Que nos transformamos fedendo desconsideração
Agressão na falta de palavras que escondemos no silêncio de nosso medo
Do outro do ouro do trono do desafio do fio de prata do outro
Que é estanho que é um estranho reflexo num copo d’água

365 dias com poesia, 25 de julho de 2014 -- arde-te



arde-te

Um compromisso desde que me vi nesse meio
Escrever a verdade
Apenas a verdade
Como dizia João Cabral:
“A poesia precisa da verdade...”
Como a letra da palavra
Como a palavra da oração
Como a oração da crença
Como a crença da certeza

quinta-feira, 24 de julho de 2014

365 dias com poesia, 24 de julho de 2014 -- sorryndo



sorryndo

À memória de minhas avós Diva e Arlete

Aquelas flores
Daquele jardim
São olhos de infância que me acompanham
Ali apanhava flores e dava para minha vó dar para minha mãe que sorria quando as recebia e sorrindo vinha gargalhando para mim não há flores mais lindas do que aquelas que sorriam para mim

quarta-feira, 23 de julho de 2014

365 dias com poesia, 23 de julho de 2014 -- aniversários



aniversários

A única coisa que possuo é meu passado
As lembranças regam esperanças
As recordações ajudam sonhos de realizações
Sem isso não sou ninguém
Nem sei quem sou
Somo sempre os dias que se foram e se foram e ainda posso lembrá-los
Quero-os inteiros:
Bolos velas palmas sopros de aniversários
Beijos lágrimas rostos rosas mãe irmão: falta de solidão

terça-feira, 22 de julho de 2014

365 dias com poesia, 22 de julho de 2014 -- sacanagem



sacanagem

À memória de Carlos Frederico

Onde está aquele sacana que distribuía apelidos e cheirava bem a pampa?
Onde está aquele amigo de cabelos encaracolados, botas de cano alto e sorriso cirúrgico?
Onde está o sacaneta que adorava no futebol me dar bola debaixo das canetas?
Onde está o irmão que tive e que não esqueço?
Se estivesse aqui estaria triste em suas (in)certezas? Ou brigaríamos a muque pelas nossas (in)certezas extremas?


poema

(tinha feito um poema bonitinho
Em homenagem ao meu irmão
Mas
Estava muito racional demais e eu gosto de emoção
Ele não continha o peso da saudade de dezessete anos
E de repente essa saudade veio no meio da noite e me invadiu
As lágrimas procuravam os ouvidos
Que não queriam ouvir água
Queriam ouvir uma voz que já não lembro
E isso também é triste
De qualquer modo queria dizer para você meu irmão o quanto de saudade existe você sabe quanto Juan sofre? E Bruninho?
Andréa Angélica Luiz e os meninos também (e muito)
Mesmo sem te conhecer eles sentem sua falta e expressam isso nas poucas vezes em que tenho coragem de contar algumas de suas histórias (porque doí muito lembrar de você tão moço e sem poder ao menos te agarrar)
Luiz foi na festa de aniversário de Giló e foi beijado por todos os seus amigos que diziam sentir falta dele quando na verdade sentiam falta de você
Nosso pai então não há palavras para definir o quanto sua ausência afetou sua vida que ele leva com a coragem dos teimosos (Ele fez do escritório um santuário de fotos suas)
Tanta coisa aconteceu nesses dezessete anos (as crianças adoram meu amigo Luciano como te adoravam) espero somente que você esteja bem e espere por nós junto com a mamãe beijos e abraços em vocês e fiquem em paz)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

365 dias com poesia, 21 de julho de 2014 -- promessas



promessas

Poesia não é rima
É ritmo
O jeito de como o barco balança durante a navegação
Um esse de sim num não
Um empurrão para sentirmos o cheiro da vida
Um soco no estômago dos desprevenidos que acham que irão encontrar falsas Promessas de amor

domingo, 20 de julho de 2014

365 dias com poesia, 20 de julho de 2014 -- Agente há gente e a gente



Agente há gente e a gente

Agente:
Aquele que corre atrás dos zeros
Para ser especial
Há gente humilde
Que ainda arruma tempo para cuidando dos outros
Ser especial
A gente sempre chora quando a vida não nos dá esmola
Esquecendo que somos nós que temos que inventar especialidade
Agente 007 Madre Teresa de Calcutá e a gente
Uns errando mais outros menos mas todos perseguindo um caminho escolhido dentro do possível

sábado, 19 de julho de 2014

365 dias com poesia, 19 de julho de 2014 -- narrador



narrador

A Thiago Plácido, aos 9 anos

Queria lhe dizer que melhorei para você
(mas seria mentira pois tento melhorar para todos vocês)
As meninas são criadas para ser mães
Os meninos para ser guerreiros
Do futebol da luta das palavras guerreiros enfim
E por isso é mais difícil saber ser pais
Alguns conseguem outros ainda estamos tentando
Mais a coragem de tentar também indica um guerreiro
Guerreiro do amar
A vida as palavras as pessoas as dificuldades que tentam nos derrubar
E é desse amor que estou aqui a narrar...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

365 dias com poesia, 18 de julho de 2014 -- carniça



carniça

É o não saber que move o artista
Se soubesse ele certamente não faria
Não pintaria se soubesse desenhar
Não rimaria se soubesse amar
Não cantaria se dissesse amar
Faz fará farei por não saber
E da angústia de tentar
É que sairá algo sofrido tímido bonito
Pela rima do erro embutido num pequeno acerto
Um cheiro de precipício que brilha
E que por isso atrai a matilha

quinta-feira, 17 de julho de 2014

365 dias com poesia, 17 de julho de 2014 -- soluço pintado



soluço pintado

Quanto mais penso menos pinto
Deixo o menino que há em mim mandar nas tintas nas rimas do quadro
E o ritmo de expansão da imagem que quer sair do espaço limitado de ângulos retos que na vida real não existem impõe sua vibração pulsão pulsação nervosa por estar agora na possibilidade tênue de comunicar anos e anos que ficaram e não mais ficarão sem resposta impressa em olhos incrédulos e assustados por mais um soluço de tinta

quarta-feira, 16 de julho de 2014

365 dias com poesia, 16 de julho de 2014 -- barulho



barulho

Hoje em dia, grande erro,
Não nos sentimos parte da natureza:
Como se aquele vento não fosse uma notícia do tempo;
Como se aquela onda na praia não fosse perigo de tempestade;
Como se aquela lágrima afastada não nos dissesse para tentar observar
O perigo que é viver sem nos confrontar,
Esquecendo que somos animais sociais
E, portanto, devemos tentar entender a outra sombra, pousada em nossos ombros por medo:
do barulho do vento,
do barulho das ondas,
do barulho que fazemos por dentro.

terça-feira, 15 de julho de 2014

365 dias com poesia, 15 de julho de 2014 -- estacionado



estacionado

Ouvindo Las cuatro estaciones porteñas, de Astor Piazzolla

Mês dos ventos
Aquecidos de segredos
Suspiros que passam em lágrimas
Lágrimas que foram momentos
Enquanto os lábios queimam
Ninguém canta ninguém ama
Ninguém se cansa
A vida não cessa não há descanso
Enquanto canto uma melodia de Piazzolla
Expulsa de mim algo
Pulsa em mim algo
Alguém se foi e me deixou somente a tristeza da sombra
Nesse mês que esqueci qual é
Estou só

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Caetano Veloso sobre Gilberto Gil

Todo mundo sabe que conheci Gil pela TV. Ele às vezes cantava à tarde. Eu não gostava de televisão, mas gostava muito dele. Nem acreditava que alguém. com tão grande talento vivesse na mesma cidade que eu. Nos conhecemos e nos adoramos. Até hoje é assim. Sei que muitas vezes posso ser um tanto irritante para ele, como ele às vezes o pode ser para mim: quem não sente essas coisas com relação a pessoa que lhe são tão próximas há tanto tempo? O que vale mais, no entanto, é ver meus filhos, apaixonados pela música, pela musicalidade do meu amigo. Gil é um anjo musical. (...)

(...) O violão de Gil é uma das melhores coisas que já aconteceram ao Brasil. Caymmi, e Jorge Ben, e Paulinho da Viola, e João Bosco (que vem de Gil e é como se fosse Gil passado a limpo) são da essência do violão dele. João Gilberto paira acima: vem de Caymmi e produz todos os outros (exceto Paulinho?). Gil sabe tocar batendo as cordas, como os roqueiros,coisa que eu nunca consegui ( e que todo mundo diz que é mais fácil). Tudo o que eu vim a entender de música aprendi com ele. Consegui aprender pouco, mas que é muito para mim. Gil gosta de pensar que está meditando. Mas ele costumava meditar sem pensar, olhando para o teto do quarto. O que sai por entre as notas do seu violão e de sua voz é da mesma natureza que essa meditação. Ele se perde, joga enfeites para todo lado, mas sai um ar puro de música pura por entre os rabiscos de fogos. Gil é excessivo. Propôs o Tropicalismo, com todas as letras, antes que eu pudesse articular um projeto -- e depois diz que só fez o que fez porque eu o levei a fazer. Tem uma memória um pouco criativa e improvisadora. Quando eu me sinto mais próximo da religiosidade, logo suponho que Gil está se afastando dela. Em tudo somos assim. Mas no cotidiano somos parelhos. Eu o admiro demais -- e há tempo demais -- para poder falar dele com justiça.

Gilberto Gil, Manifesto Refavela

Refavela, como refazenda, um signo poético.
Refavela, arte popular sob os trópicos de câncer e de capricórnio.
Refavela, vila/abrigo das migrações forçadas pela caravela.
Refavela, como luz melodia.
Refavela, etnias em rotação na velocidade da cidade/nação.
Não o jeca, mas o zeca total.
Refavela, aldeia de cantores, músicos e dançarinos pretos, brancos e mestiços.
O povo chocolate e mel.
Refavela, a franqueza do poeta; o que ele revela;
o que ele fala, o que ele vê.

365 dias com poesia, 14 de julho de 2014 -- bossa



bossa

A Joe Henderson

Soe Joe
Chore sopre ouse ouça
Nossos olhos estão esperando a esperança
Nessa melodia que é vossa que é nossa bossa
Some vontade à harmonia precipite neve
Sirva serve qualquer blues para minha solidão
Sólida nuvem cinza cigana sim cinza azulada porque minha
Meta minta numa nota tudo que possa lembrar um céu azul
Siga solando sombras chorando ruas de assombro invente
Sangue em blusa nua nuca abaixando olhos de incompreensão

domingo, 13 de julho de 2014

365 dias com poesia, 13 de julho de 2014 -- floração



floração

Quando me vem a raiva da realidade
Por medo
Engulo grosso e suspiro
Coço os dedos e escrevo
Aquilo tudo que senti
Sem meias palavras
Sem cores
Vomito cinzas
Das perdas da saudade de árvores que trago
(emocionado como bêbado em rum barato em copo de plástico)
Seguro as lágrimas e continuo
Coloco um blues
Mordo os lábios
E choro em orações

sábado, 12 de julho de 2014

365 dias com poesia, 12 de julho de 2014 -- cobres



cobres

A Paul Klee

Olhos de criança
Num corpo que sofre
Da enfermidade clássica
Crescer e não se perder na angústia de envelhecer
Cria crie inflige inflija cor na dor
Suor na cor sofrimento plenamente justificado
Homem adulto risonho por sonho de criança vívida
Ainda sendo atingida tingida pelo ar
Azul marinho verde ninho vermelho paixão
Inventor de cores e dobras
Manteve-nos em forma
Forma de crença na possibilidade da expansão da imaginação

sexta-feira, 11 de julho de 2014

365 dias com poesia, 11 de julho de 2014 -- bochechas



bochechas

A Chick Corea

Quando tocas as teclas cinzas parecem
Preces sobem sobram corpos formas
Sobem cortam sempre artérias
Sangue de melodia de sorte de morte de
Menina que ria
Do pio do toco do Tom
Do jeito do tio Corea
Cócegas nos pés da harmonia
Siga sendo senso severo quanto ao sublime do som

Seu som nosso sorriso

quinta-feira, 10 de julho de 2014

365 dias com poesia, 10 de julho de 2014 -- ritmo jazz



ritmo jazz

A John Coltrane

Sopre vida
Mostre uma rima que
Mesmo fria amorteça a dor dum coração saudoso
Sopre doce grosso forte
Morda a corda e cuspa
Como meu sangue que pulsa
Como meu rosto que exulta
Na primeira nota
Roce a rosa
Amplifique sua solidão
Cuspindo desvios sonoros
Única solução possível
Para uma vida morna porque sem ritmo

quarta-feira, 9 de julho de 2014

365 dias com poesia, 09 de julho de 2014 -- perspectiva



perspectiva

A Luiz Felipe Scolari

Alguém aí já viu a vida passar nos trilhos como se fosse um trem sem precipícios vizinhos?
Alguém aí já se deu conta de que o mais importante se chora se perde e não se compra?
Alguém aí sabe com qual tipo de madeira se faz uma canoa?
Alguém já pensou que o quadro pode estar de cabeça para baixo justamente porque na vida tudo está meio que de cabeça para baixo?

terça-feira, 8 de julho de 2014

365 dias com poesia, 08 de julho de 2014 -- tigresa


tigresa
Não temam a tristeza
Ela é uma tigresa
Perigosa e linda, nos deixa alertas
Olhos firmes e precisos
Mãos ariscas
Gosto de tinto, vinho
Cheiro de tinta, acrílica
(Marcas profundas na virilha...)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

MENINA LINDA, Versão livre de HOTEL CALIFORNIA, do Eagles



MENINA LINDA


Menina linda, meu anjo
Onde está você?
Verdadeiro amor
não pode fenecer
Tenho tantas palavras
a te dizer
Mas prefiro sentir calado
a te fazer sofrer

Lindo anjo
Menina
Posso lhe dizer?
Verdadeiro amor
não pode morrer
Vou gastar minhas palavras
para te eternizar
Em rios viver
Em mar me acabar

Nós dois no Hotel Califórnia
Nosso local
Amor natural
Nós dois no Hotel Califórnia
Te matar de amar
Sem um álibi

Nossa história começa em 81
Duas crianças namoram
e agora são um
Vou falar os nomes
que vieram para ficar:
Vinícius, Victor, não Thiago
não esqueci seu lugar

Nós dois no Hotel Califórnia
Nosso local
Amor natural
Nós dois no Hotel Califórnia
te matar de amar
sem um alíbi.

365 dias com poesia, 07 de julho de 2014 -- coruja



coruja

A Antonio Bandeira

no fundo do olho da coruja a árvore negra
e eu no meio da humanidade escura
sorrio
simples choro
sem lágrimas
ocultar o amor no meio de árvores maiores
o objetivo
o soldado, o marinheiro
são reflexos no farol e
eu amedrontado
corro do sorriso da coruja à morte eterna

domingo, 6 de julho de 2014

Arte na rua -- Niterói, em 02/06/2014


Arte na rua -- Niterói, em 02/06/2014


Arte na rua -- Niterói, em 02/06/2014


Quadro: miragem, 70 X 30 cm, guache


Quadro: face, 50 X 50 cm -- guache


Quadro: geleira, 40 X 30 cm -- guache


Quadro: sunga, 30 X 30 cm -- guache


365 dias com poesia, 06 de julho de 2014 -- ardor



ardor

Aos jogadores da seleção brasileira de futebol

Ninguém imagina o que estejam sentindo nossos jogadores de futebol
O calor emocional sensacional faz com que eles tremam chorem espremam em si tanta emoção que ficam cansados mais rápido e erram mais mas também se conseguirem ainda dentro da Copa do Mundo a experiência de apesar de temer irem em frente com ardor respirando pavor e chutando com a força do medo que sentem ninguém conseguirá depois deixar de chorar

sábado, 5 de julho de 2014

365 dias com poesia, 05 de julho de 2014 -- engraçado



engraçado

...sinto que posso ser tudo...

É só fechar os ouvidos para o mundo
E acreditar
Com aquela fé que move montanhas
Que transforma o sabor da água em vinho
Que move moinhos
Que nos dá a força do atrito
Que provoca a doação da transformação de dentro para fora e que acaba Ajudando as coisas a se encaixarem
E aí a vida passa a ter graça:
A flor mostra a cor
A água o sabor
O olhar o amor...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

365 dias com poesia, 04 de julho de 2014 -- amor azul



amor azul

Eu, aos 49 anos

A mim me foi concedido o amor
Ao nascer aos dezesseis ao perder
Cada despedida doía mais e mais aprendia sobre a falta
Cada aquisição uma emoção intensa e medrosa por não querer perder
Alguns se foram, mas estarão sempre aqui dentro de mim
Não em pedaços, mas inteiros, como o peso de medalhas, alfinetam meu peito me lembrando do amor, mantido a versos em flor
Palavras ao vento, me espremendo e que às vezes saem em pedaços
E sempre doem dolorem a vida que fica maior pelo gosto de amor na boca
Saliva expressiva contando histórias às vezes coloridas
Em azul...

(Escolhi escrever a vida em azul para dolorido seguir sorrindo)