segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

366 dias com poesia, 29 de fevereiro de 2016 -- Duas Pedras

Duas Pedras

dos desequilíbrios
da
vida
e
do
poeta
(duas pedras)
nasce
a faísca

A arte chama


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 28 de fevereiro de 2016 -- ALFINETE

ALFINETE

Não tô nem aí se remete a Saramago se às vezes lembra Pessoa estou aqui afogado em loas não quero medalhas sei o tamanho do alfinete estilete entre os dentes esse é meu nome os que sabem que não sabem não escrevem por não terem coragem e eu sabendo que sei escrevo sobre o que não sei não me vejo à toa nesse mundo midiático em que a performance é medida mais pelos amigos de bar do que pelo tamanho das letras em todos os lugares é isso que faz funcionar a engrenagem nunca direi nada contra isso ao contrário quero descobrir para que lado é a maré e surfar de pranchão não tô nem aí para sua opinião vou fazer de qualquer jeito já aprendi nado de peito no leito deito e tremo a mão de frio não me importo aprendi a escrever com calafrio não preciso das condições ideais quem os tem? Comigo é no ferro! passar bem


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 27 de fevereiro de 2016 -- brinquedo

brinquedo

Brinco com o tempo,
Quando leio trago
O passado
quando lanço um livro
entrego um presente
ao futuro


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 26 de fevereiro de 2016 -- PULGAS

PULGAS

Depois do desastre
de terça
Não tem mais desculpa
Existem homens
políticos
pulgas
Basta escolhermos quem nos representa


(Depois da queda do Morro do Bumba em Niterói)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 25 de fevereiro de 2016 -- LONDRES

LONDRES

Por mim, fui
Por você, voltei

Por mim, muque
Por você, chorei

Por mim, flores
Por você, jardim

Por mim, Londres
Por você, Paris


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 24 de fevereiro de 2016 -- COGNATOS

COGNATOS

Prefiro
Que me façam pensar...
Ao ouvi-las...

As críticas
Nunca me incomodarão
Aprendi a conviver com elas
E seguir em frente

Elogios baratos
São falsos cognatos


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 23 de fevereiro de 2016 -- ECO

ECO

No fim
tenho certeza
Rirei muito
de tudo isso
no fim
tudo se explica
no fim
é
o eco
de um
sorriso...


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 22 de fevereiro de 2016 -- SUSSURRO

SUSSURRO

Essa tristeza
Que meus olhos
Não escondem
Vai para onde...?

Ontem
Me enganou
Que ia embora de mim


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 20 de fevereiro de 2016 -- ADVERSÁRIO

ADVERSÁRIO

Aniversário
É
Quase um
adversário
Para quem
se esquece
que envelhecer
só serve
Para tentarmos
nos livrar
Dos sonhos...


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 19 de fevereiro de 2016 -- COSMOS

COSMOS

Em tudo há luz
Mas
Também sombra
Em tudo há calor
Mas
O frio também
Se faz presente...
O futuro
Ainda ausente
Chegará amanhã
E assim
Sucessivamente
Até que o hoje findará
E esqueceremos de quem somos
Ou fomos

Cosmos


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 18 de fevereiro de 2016 -- MUNDO CÃO

MUNDO CÃO

Não me perguntem já não sei mais por que escrevo no início era zelo pelo que pensava necessitava deixar tudo registrado mesmo cansado nunca parei como parar de se investigar? Hoje já é um hábito a rotina todo dia me ensina a continuar não posso não devo parar parar para quê? Se continuo conversando comigo por essas linhas me arrepio me rio me desconfio e fio as tramas da minha história não há cansaço não há mormaço que me faça deixar de escrevinhar e escrevo quase em apneia essa a ideia de não respirar não gosto de dicionários não gosto de rabiscado punk poemas na medida certa da minha inquietação que é grande como dizem os músicos que não sabem o tamanho da encrenca não entendem que minha sina é muito maior do que uma simples canção cantá-la é possível mas impreciso não preciso de orelhas nesse mundo cão


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 17 de fevereiro de 2016 -- TEMPOS

TEMPOS

A Mário Sérgio Cortella

O passado
no bico do pássaro
O presente
na semente
O futuro
na árvore com fruto


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 16 de fevereiro de 2016 -- CÍLIOS

CÍLIOS

...precisava desse tempo
Em que parei de escrever
...precisava saber...
Se...
Ainda era importante continuar
Se as palavras ainda escorriam da virilha como gotas lambem chicoteiam seus cílios sem par
Precisava precisar
A ausência às vezes é quase um carinho ninho necessário para guardar a menina-rima que está a chorar esperando o alimento tantos foram os momentos que estive pensando em gravar numa canção a saliva gasta nessa emoção danada que me mantém atento e de olhos abertos prontos para lacrimejar a bendita sina versada


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 15 de fevereiro de 2016 -- LAXANTE

LAXANTE

Um jovem poeta me disse que eu estava no auge da criação um pouco mais resolvido pela idade e alguma maturidade mas com as mesmas questões que ele inda moço sonhava em resolver eu respondi num átimo que coragem a sua um menino que sabe e faz que sabe e refaz que deixou até de falar com o pai zeloso da religião que prende enquanto a poesia solta laxante cerebral perigoso a toda prova


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

pétalo

todos os poemas já existiam estavam no ar esperando alguém pegá-los pégasus pétalo pétalas em piruetas bailando serenas desejando ser apropriadas escritas faladas por bocas que declamam lágrimas

ilusão esverdeada


em lágrimas...a árvore chora sementes

futuros frutos, dádivas
esperando águas para sonhar
um passado
um pássaro
ensina a voar a sonhar
com o azul do céu
com o branco do sal
só um santo se sacrificaria por uma monção
um sorriso uma canção
é um canto, esperança
nas asas de uma folha desgarrada
um pedaço de casca
é uma declaração de estação
folhas forram o chão de ilusão esverdeada 

secreção

o tempo

na verdade só existe pelas rugas dos dedos
as mãos calejadas
entupidas de segredos segregam falhas
e nos demonstram nossa humanidade
que acaba
num tempo determinado
por algo
que se chama

natureza

365 dias com poesia, 14 de fevereiro de 2016 -- PERGUNTA-SE

PERGUNTA-SE

Um
jovem
que pouco errou
É
um velho
com experiência?


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 12 de fevereiro de 2016 -- NO MEIO

NO MEIO


Um jovem poeta
diante da folha em branco pensa:

Por que irei escrever se ainda não tenho nada a dizer?


(e eu no meio...)


Um velho poeta
confrontado com a folha em branco
pensa:

Por que irei escrever se não tenho espaço para o tanto que tenho a dizer?


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PT

trinta e seis anos depois
está praticamente provada a prática predatória de se misturar intenções políticas com oportunidades empresariais
o menino cresceu cheio de ideias propagou vários ideais
arrumou um bom emprego e se fartou com cartões corporativos
o menino adoeceu talvez por medo de descobrirem suas próprias fraquezas
teve um rebento feio que achava lindo (amor de pai e mãe não se discute)
menino mimado que não tinha limites
só que esse menino já tem trinta e seis anos e continua a querer brincar
com nossas vidas suas práticas nocivas são conhecidíssimas por todos e todos nós de algum maneira mesmo não sendo de sua família ajudamos a estragar o garoto seja por ter os mesmos interesses
ou seja porque continuamos pacatos cidadãos acostumados mais a reclamar do que a partir para a luta de nossa cidadania (aceitamos chicanas jurídicas e outras tantas por conta de continuar a viver nossas vidinhas,,,)
e agora a pergunta que não quer calar:
Pedro Tadeu por que você não vai embora e nos deixa aprender a nos virar com o que temos? Políticos paulistas, políticos mineiros...

365 dias com poesia, 11 de fevereiro de 2016 -- FA(r)DO

FA(r)DO

Reconheço o desespero
Mesmo sendo pedra
(porque com preconceitos e conceitos firmados)
Reconheço o desespero e me afasto
Me afasto dos olhos de fado
(O sofrimento alheio é um fardo
porque para ele sempre estamos despreparados)


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 10 de fevereiro de 2016 -- Ex-cultor

Ex-cultor

em sinfonias
te toquei
em melodias
molhei-me
de suor
em atípicas brincadeiras sonoras
musiquei solidão
em sozinhas folhas
esculpi uma pessoa


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

felizes

a Alain Delon

os jovens tambem envelhecem
quando envelhecem

os jovens e belos
tambem alcançam oitenta primaveras
oitenta sorrisos
oitenta anos de solidao
os jovens tambem alcançam a solidao
apenas ainda nao sabem seu nome nem reconhecem sua face
a ilusao mais bonita e a de acreditar que tudo sera
tudo sera do jeito que for
tudo sera uma flor ou nao
um furacao ou nao
tudo que tiver de acontecer ira acontecer
e talvez entendamos e ai passaremos a sorrir de todos os momentos
e poderemos ser minimamente felizes

365 dias com poesia, 09 de fevereiro de 2016 -- SOBRA

SOBRA

Com
O sol
Poente
Com água corrente
Com a natureza
Mas sem tristeza
Me vejo
Seu beijo
Com tudo em volta
Com o todo
E a sobra


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 08 de fevereiro de 2016 -- CADARÇO

CADARÇO

Quantas vezes
Já lemos
Que o mais difícil
É o primeiro passo
E quantas vezes
esquecemos
o que lemos
E continuamos
Amarrando o cadarço?


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 07 de fevereiro de 2016 -- FELLINI

FELLINI

Não quero
o belo pelo belo
Quero ferro
Queimando a carne
(abate)
produzindo ferida
(Guernica)
quero funk, suor e mágicas
recordações
quero trapezistas
foliões
bonfins
glutões
rindo-se de mim


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 05 de fevereiro de 2016 -- MENTECAPTUDO

MENTECAPTUDO

Cabeludo barrigudo orelhudo cabeçudo narigudo agudo nada mudo não-eunuco muito muco ajoelhudo barbudo pezudo

Mentecaptudo


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

365 dias com poesia, 04 de fevereiro de 2016 -- VERBORRÁGICO

VERBORRÁGICO

Li num filme assisti num livro ouvi no teatro vi num Cd telespectei na internet conversei com o mouse...

Só os verbos me definem


Do livro Rascunhos Poéticos, 2012.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Matisse -- Plácido, poema: sementes de gente

sementes de gente

A Angélica Plácido

Em silêncio penso nas notas nas folhas nos buquês
Nos poemas que plantei com mãos de medos revelei
Tantos segredos quantas lágrimas foram choradas
Entreguei parte de mim mandei buscar perfume de jasmim (onde?)
E ouvindo jazz adiei a partida que talvez já tivesse chegado se não tivesse começado

Depois do começo o meio de vida a fim de continuar me enganei imaginando a quantidade de pessoas que olhariam meus filhos (poucos foram lidos...) mas a intensidade das poucas palavras amigas demonstraram os poucos amigos verdadeiros que tenho e se tenho foi por merecimento deles e de mim o perfume de jasmim não nasce de macieira e nem de peras ele é feito e nasce do momento da criação da imaginação que usa mãos e letras para plantar sementes de gente

Matisse -- Plácido, poema: POESIA FOREVER

Eu gostava que ela me amasse
E amando me colocasse no colo e me fizesse cafuné
Eu gostava que ela me fizesse toda noite massagem nos pés
E me desse um gomo de tangerina das antigas toda vez que eu estivesse triste
Eu gostava tanto de saber como é viver cada esquisitice como se conseguisse viver sendo ainda mais esquisito...
Eu gostava que uma salamandra ficasse quieta na parede e que um lagarto não botasse a língua pra fora sempre
Eu gostava de tanta coisa diferente mas a vida é do jeito que é e ela empurra a gente para fazer coisas sempre iguais e dessa igualdade vem a rotina que é uma vida sem rimas e sem rimas eu não quero viver


POESIA FOREVER

Matisse -- Plácido, poema: e-ncrenca

e-ncrenca

Todos criados e abençoados
Escolhemos pecar
Pelo prazer de errar nos tornamos humanos
E são nossas falhas que mesmo cheias de receio
Acabam nos ensinado muito mais sobre nós mesmos

E seguimos temendo a incerteza diante do tamanho da encrenca que é morrer?

Matisse -- Plácido, poema: derrota

derrota


a imensidão do silêncio cobra seu preço
tento o tempo todo tento
descobrir o segredo
o som da última gota de palavra
que me derrotou em lágrimas 

Matisse -- Plácido, poema: plantação

plantação

Hoje
Pensei escondido
(tanta gente falando
para tão poucos ouvidos):
Não queremos escutar
Porque não queremos mudar
Dizemos gostar de esportes
Mas não perdoamos as derrotas

Esquecendo que são as derrotas que nos plantam histórias

Matisse -- Plácido, poema: epitáfio

epitáfio

Tranquilo quanto à necessidade nenhuma das pessoas
Sobre poesia é uma manifestação atávica
Faz parte do ato de respirar
Quando parar como um ato reflexo espero o outro

Com suas últimas lágrimas cercadas da falta de palavras

Matisse -- Plácido, poema: canção do Tom

canção do Tom

Um dia
Quem sabe
Um dia conseguirei ser ouvido
E espero que meus filhos ainda estejam vivos para saber que eu deixei um Jardim feito com um

Mar de lágrimas tão bonito e simples quanto uma canção do Tom

Matisse -- Plácido, poema: menino-signo

menino-signo

Onde está aquele menino que prometeu me salvar
De mim
Dos outros?
Tolo(s)?
Me salvar de uma vida para qual outra?
Me salvar de tudo?
Do todo?
Do frouxo aprendizado
Rarefeito ar de mentiras?
Da experiência em que me apoio em vão?

Onde está onde estou onde estão?

Matisse -- Plácido, poema: coração de poeta

coração de poeta

Esperando a primeira frase...

Aquela que vem soprada,
Suspiro de lábios molhados descrentes do Homem,
Palavras que vêm quentes silvando solidão.

Esperando a primeira frase...

Aquela que é dada com carinho nas mãos da criança levada adulto com

Coração de poeta que precisa do azul do céu como sopro de crença

Matisse -- Plácido, poema: O ECO

O ECO

O eco da palavra
AMOR
é
ROMA?

O eco da palavra
SENTIR
é
MENTIR?

O eco da palavra
PAIXÃO
é

REFLEXO?

Matisse -- Plácido, poema: aço

aço

Aos meus filhos: Vinícius, Victor e Thiago

Me criei para árvore
Não para bonsai
Odeio sombra
Gosto do ombro roçando a dificuldade
Gosto do gosto acre da carne ocre da manhã maçã inventada
Da roda inventada da romã inventada tiro um pedaço e asso
No carvão do coração...

E aço! Quebro o silêncio no espaço!

Matisse -- Plácido, poema: destino

destino


tanto tempo perdemos em querer que a vida se modifique para agradar às nossas vontades que em anos serão outras se é que lembraremos quais foram e assim seguimos brigando com a vida com as pessoas desastradamente envolvidas em episódios esparsos como idiotas que somos quando não conseguimos nos livrar dos condicionamentos que acabamos recebendo de pais mães professores amigos atores de televisão que fingem saber todos fingem saber porque se soubessem saberiam que a cada um é dado um destino (que segue sendo produzido) que a princípio nunca será aquilo que pensaram para si ou para mim

Matisse -- Plácido, poema: corte

corte


morte
corte no sentido da vida
corte que dá sentido à vida
se fôssemos imortais
o que precisaríamos fazer?
cantaríamos?
enfilharíamos?
planejaríamos o quê para quem?

a vida planejada pela natureza (infelizmente) é perfeita na sua finitude poética 

Matisse -- Plácido, poema: restos

restos

(Difícil admitir:
Mas são as perdas
Que valorizam o restante de tempo que temos
Por isso um sorriso não é inconsciência

É apenas uma escolha...)

Matisse -- Plácido, poema: crueldade

crueldade

Para praticar e suportar
Vivemos
Vendo as plantas, sem entendê-las
Vendo o sol, sem agüentá-lo
Vendo as raízes, sem mastigá-las
Vivemos seguindo quase sempre sem direção
Apenas vamos vivendo
Engolindo o vento
Cuspindo vontades
Vomitando indecisões
E quando abrimos os olhos, quando abrimos os olhos,
Às vezes parece que o tempo foi ontem
Que os sonhos de hoje não serão os de amanhã
E o que fazer com a experiência de não ter praticado e apenas ter suportado

A vida?

Matisse -- Plácido, poema: pobres de espírito

pobres de espírito

Um motorista de táxi
Esboçou uma lágrima
Quando falei que queremos ser ouvidos
Lembrou-se de um tempo em Paris
Que sofreu em francês
E dum amigo português que agora
Rico diz ser bem tratado porque o dinheiro fala mais alto
Para muitos ouvidos
Então

Não somos escutados por que não somos ricos?

Matisse -- Plácido, poema: recor(d)ações

recor(d)ações

Ontem pensei pensei cansei dormi
Ontem tentei tentei tentei e não consegui
Hoje hoje está claro claro claríssimo
Tem dias que devemos ficar em silêncio

Para escutar nossos batimentos

Matisse -- Plácido, poema: Era de aquário

Era de aquário

Preciso saber se esse sol que está me queimando
São os olhos do sol do deus verdadeiro
Aquele que criou a terra e tudo mais em seis dias
Preciso saber de tudo pois vivo sem nada saber
Quando e por que nasci?
Se isso tudo é para mim ou por que não?
Se tenho responsabilidade para com os outros que irão herdá-la?
Se essa era é a da terra ou a de aquário?
Sendo humano nado pela vida desarmado?

Sorrindo desalmado?

Matisse -- Plácido, poema: Idade de árvores

Idade de árvores

Crio criaturas
Sombras
Em tintas frias
Sorrisos na vermelhidão
Suo cismas sofro solidão
Mãos procuram tintas
Ritmos sumindo com a bateria
De corações atormentados que sorriem falso
Rimas risos rinite narinas procurando ar
Amarelo dengue azul freqüente
Ajuda a escrever rimas rumo à expiração
Inspiro certezas vomito confusão
Mental confissão de que precisamos de nós

Para contarmos nossas idades de árvores