segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Suco

sempre sinto sol
estrela
sendo sorte
simples suco de
suor
forte
some susto de continuar

Corte

o corte
na minha pele
é
um norte
para minha dor

Candura

alguns segundos depois de ter consciência
de que tudo é mais difícil do que parecia
me vi escrevendo feito um louco
mas
pouco a pouco
fui acalmado pelas letras
que já estavam acostumadas
a produzir candura

Imagem e ação

postura
estatura
é o tamanho que o homem tem para ele mesmo
tamanho do sonho possível de ser alcançado
tamanho do cadarço em sapatos com asas da imaginação
imagem e ação
é isso que falta hoje em dia

Famintos

sigo tranquilo tinindo cristais sem quebrar ideias ideais são ideias com mais pimenta mais certeza e mais ambição sigo vendo e ouvindo tantas contradições minhas também o ouvido vai apurando o caminho pintando de azul nossa solidão os pincéis ficam carecas de tanto carregar nas tintas meninas brincando de roda nesse mundo louco de lobos famintos por ideias contra ideais

Concreto

A poesia
não muda o mundo
como
a engenharia não constrói
ambas as duas
concretizam ideias

S.O.S.

...é só
ésse ó
de so-lidão
de so-corro
de S.O.S

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pereira

Pereira
amigo
é o ser que você queria ser
meio um irmão
pela admiração
admiro a ação
admiro o jeito
desse sujeito
que
se céu existe
deve ter caído dele
atencioso
cuidadoso
quase sem defeitos
Marcelo
(o certo
é o errado que deu certo?
ou
o certo que deu certo?)
disse
quase sem defeitos
porque tem um bastante conhecido (acho):
torcer pelo Vasco!

Abraços do Marco, Angélica, meninos, Vinícius e Victor, e afilhado, Thiago.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

HEBERT VIANA, poeta

SEGUINDO ESTRELAS


Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê

Fico acordado noites inteiras

Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê

Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você

DJAVAN, poeta

Meu bem querer
É segredo, é sagrado
Está sacramentado
Em meu coração
Meu bem querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção

Meu bem querer
Meu encanto, estou sofrendo tanto
Amor, e o que é o sofrer
Para mim que estou
Jurado pra morrer de amor

MEU BEM QUERER


Meu bem querer
É segredo, é sagrado
Está sacramentado
Em meu coração
Meu bem querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção

Meu bem querer
Meu encanto, estou sofrendo tanto
Amor, e o que é o sofrer
Para mim que estou
Jurado pra morrer de amor

CAETANO VELOSO, poeta

Lua de São Jorge


lua de são jorge
lua deslumbrante
azul verdejante
cauda de pavão
lua de são jorge
cheia branca inteira
oh minha bandeira
solta na amplidão
lua de são jorge
lua brasileira
lua do meu coração
lua de são jorge
lua maravilha
mãe, irmã e filha
de todo esplendor
lua de são jorge
brilha nos altares
brilha nos lugares
onde estou e vou
lua de são jorge
brilha sobre os mares
brilha sobre o meu amor
lua de são jorge
lua soberana
nobre porcelana
sobre a seda azul
lua de são jorge
lua da alegria
não se vê o dia
claro como tu
lua de são jorge
serás minha guia
no brasil de norte a sul

GILBERTO GIL, poeta

Desconfio sempre quando poetas começam a dizer que determinado artista não é poeta!? Então, em Drão, Gil não é poeta?!

Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...

Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
drão!
drão!

No calor

se tenho que pensar muito num poema é porque ele não é bom ele nasce morto quando começo a olhar a tela e procurar palavras que combinem com as anteriores poema bom é aquele feito no calor do olhar apenas o teclado do computador

Odalisca

há muito tempo estou pensando em escrever um poema grande apesar de achar como já li que um poema grande é formado por vários pequenos permeados de prosa até agora tive preguiça de tentar não por que ache que não conseguiria argumentos tal tarefa é apenas um detalhe na minha trajetória e sempre considerei que a hora que sentisse necessidade acabaria por fazê-lo tudo na vida começa quando nos sentimos insatisfeitos maior característica de nós humanos nos escondemos em E-mails facebook twiter mas sabemos no fundo sabemos que estamos sós essa sensação ou melhor o medo dela é que nos faz escrever cantar pular e pintar o sete essa sensação esconde o medo maior saber que vamos morrer qual o touro atraído pela capa vermelha do toureiro nos sentimos atraídos por tudo que nos faça esquecer a única certeza desde que nascemos e para nos livrarmos desse sentimento acabamos tentando nos livrar de todos os outros fingimos não sentir raiva, inveja, ódio, amor fingimos fingimos o tempo inteiro e passamos a acreditar na mentira só que à medida que o tempo passa fica cada vez mais difícil vivermos com essa máscara como conseguir viver no calor do Rio de fantasia? só se for de índio, odalisca...

(não sei dizer se esse poema é grande ou pequeno, mas para mim é verdadeiro)

Cereja

como a cereja no bolo
a poesia
tem destaque na vida
pelo gosto do que faltava e só sentimos falta depois de saber que ela existe

Imposição

não sei
realmente não sei
quando foi que comecei a esquecer de mim
hoje
as palavras se impuseram e se escreveram
fácil
mas
até ontem
estavam incomunicáveis ...


Filhos sãos

filhos...
ensinam mais do que aprendem
exigentes agentes de transformação
são incapazes de dizer não
e tão mestres da certeza que perdemos
nos exigem coragem para o pulo diário de amor e realização

Grãos

recolher do chão
grãos
que coubessem...

onde posso sentir esse cheiro de pão?

gosto de saber-me preenchido de ilusão
e dela soltar faíscas de letras
que estavam espremidas aqui
bem aqui dentro...

quem disse que preciso de um argumento para um poema?

Salvo

a poesia salva o mundo?
não!
salva o poeta

se todos se salvassem...

bobos

...parem de querer explicar
larguem-se nas lágrimas...
bobagens
só são bobagens
para quem está olhando

Do meio para o fim

os que estudam números acham que por isso entendem melhor a vida ledo engano do meio para o fim nós os poetas temos que ficar explicando por quê o pôr-do-sol nos emociona

Direto do Aurélio (projeto)

...a ideia do DIRETO DO AURÉLIO é buscar palavras que nos surpreendam pela simplicidade de significado e que em alguns momentos queiram dizer o oposto do que estamos acostumados...

Idem

tomam pílulas
para ficarem vivos
faço pílulas...
também

Ensopado

de dia
durmo
para me acordar
no entardecer
molhado
de letras

A saída

só há uma saída
(depois dos quarenta)
e não é inventar um personagem
e sim se despir das máscaras
para fazer nosso próprio carnaval

Nutrição

de dia
escuto
me nutro
para à noite
colher
poemas

Embolada

faço do limão
limonada
faço das máscaras
carnaval
faço do limão
limonada
faço dos erros
consertos
faço do limão
limonada
faço dos acertos
concertos

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

De amor

o rosto posto
sob sombras de mãos
envergonhadas
queixo pousado
em joelhos
também acanhados
deixa marcas
esculpidas
linhas do esforço de conter-se
cabelos desalinhados
são molduras desse quadro...

Trote

a porta está aberta
mas não tenho força para entrar
reclamar é o que todos fazem
sem saber o esforço que é se mudar
daqui de paris para o mundo sem torre sem cavalo que me dê um passo largo
que marque os ritmos da minha caminhada

Relógio suiço

a paisagem está parada
quem muda aqui sou eu seu teu céu tudo está escrito ? então não sigo na direção errada? não entendo nada mas vivo? preciso como relógio suiço?
a paisagem continua parada e eu estou inscrito em mim

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cadáver

adolescente revolta
pavor em palavras
rimas pobres para desesperados sentimentos
ocultação do cadáver daqui de dentro

(minha) poesia

Carrossel

vendo um jardim da sacada (nada me escapa)
as abelhas
as moscas
os mosquitos se divertem com um carrossel colorido de cheiros e ilusões

Plantação

...plantação de dor?
um jardim é regado a lágrimas?
ou a alegria de lutar pela vida não vale nada?

Beija-flor

uma flor
sendo cortejada
pelo beija-flor
que a trata
vendo alimento e amor
vendo carinho e a dor
de perdê-la
no primeiro bater de asas

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

m...

não tem parada não tem carnaval para mim é sem máscara que a vida funciona mais ou menos como um show da Madonna que não vi tudo sempre certo mas no fim dá tudo errado deveríamos viver cinco vidas gatos escaldados ficamos com cagaço de partir para dentro peidamos na seringa direto crianças com chupeta na boca e sem argumento para lutar somos adultos ou iremos sempre amarelar para essa m... de trilha?

Impulso

batendo

fica batendo

dentro
um bumbo
de
curiosidade
me impulsiona

coração na quebrada do samba

Interessante

acordo, com interesse
escovo os dentes, com interesse
engarrafo, com interesse
trabalho, com interesse
reúno, com interesse
almoço, com interesse
disputo, com interesse
engarrafo, com interesse
janto, com interesse

(interessante aprender a viver...)

Em sorrisos

...sem a criança não saberíamos por que sorrir...

o poeta transforma letras em sorrisos alheios

Glauber

temo
o termo
exato:
sentimento
temo
tudo aquilo que não vejo
Deus
Diabo
terra do sol

Suor

...não compreendem
e me julgam
pelo suor das minhas palavras?

Espuma

...olho o mar
numa fração me transformo no nada
balanço
o vento minha respiração marca
sal
suor
espuma de boca
navegando
tolo

DIRETO DO AURÉLIO (12) -- Universo

UNIVERSO


O conjunto de tudo quanto existe (incluindo-se a Terra, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço), tomado como um todo.

DIRETO DO AURÉLIO (11) -- Deus

DEUS


Princípio supremo de explicação da existência, da ordem e da razão universais, e garantia dos valores morais;

Ser infinito, perfeito, criador do Universo.

DIRETO DO AURÉLIO (10) -- Divino

DIVINO

Respeitante ou pertencente a Deus; deífico.

DIRETO DO AURÉLIO (9) -- Sublime

SUBLIME

Cujos méritos transcendem o normal; inexcedível; muito admirável;

Muito bonito; formosíssimo, lindo;

Encantador, maravilhoso; divino.

DIRETO DO AURÉLIO (8) -- Belo

BELO

Que tem formas perfeitas e proporções harmônicas;

Bom, generoso;

Elevado; sublime.


DIRETO DO AURÉLIO (7) -- Poesia

POESIA

Arte de escrever em verso;

O que há de elevado nas pessoas ou coisas;

Aquilo que desperta o sentimento do belo.

MIGUEL GULLANDER,em Perdido de volta (2)

"...E se pudéssemos estoirávamos -- cindíamos a noite como glaciares de gelo luminoso --- arrebentávamos com todos os vidros das janelas e fazíamos as chaminés e antenas voarem como foguetes -- que por toda a cidade ecoassem silvos de estática e solos de baterias frenéticas como batuques africanos, esses canhões de voodoo -- a música para chavais loucos e sedentos de paz, amor, charros e pontapés-na-boca e -- porque antes queríamos viver como quem tem hora marcada com a morte: agora! -- preferíamos morrer de pé do que viver de joelhos - e arfávamos as palavras com o empenho e paixão daqueles a quem a última oportunidade de fala foi dada -- digam ou calem para sempre -- e dizíamos, e sorvíamos tudo com ãnsias de afogados e asmáticos, aspirando todos os pequenos detalhes banais como estrangeiros a este mundo sem nada a perder -- somente tudo a experimentar e viver --, como derradeiros instantes de cadafalso em que já nada é assim tão importante mas tudo é lindo, lindo, lindo como esta saudade que nos rasga...".

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caçada

difícil não desanimar
mundo de cartas marcadas
adaptação
é se adaptar e tentar caçar suas próprias palavras
descobrir a fonte da sua insatisfação
difícil não se deixar pensar pela idiotice alheia
que prefere destacar falhas
ao invés de realçar a importância da coragem de tentar

Esforço

...no meio do caminho...
no meio do caminho tem um cara que sabe que está no meu do caminho
só não sabe ainda o tamanho da pedra que irá carregar

Canto

cada emissão
a emoção de uma história que estava contida
escondida
não sabia e ainda não sei bem aonde
ontem
me lembrei da primeira vez que cantei
e descobri que foi pensando em dizer que te amava

Keith Jarret

sem modéstia todo dia treino o erro Keith Jarret li treinava errar para do erro descobrir uma nova maneira de acertar

Derrota

anestiados pelo medo de perder algo que sabemos não ser nosso deixamos de fazer algo que nos ajude nessa única passagem de vida fingimos não ter que lutar diariamente pelo medo da derrota (que derrota é pior do que morrer?) o tempo passa e quando nos damos conta só nos resta lembrar de falsas recordações

Maxilar

em olhos dormentes os dentes importam porque mordem o que não se entende provoca dores no maxilar cansados de mordiscar mentiras vendidas pelas histéricas histórias de quem também não entende a vida

Martelo

de vez em quando penso nada um pouco de vazio não faz mal a ninguém: "...quando penso em você fico louco de saudade..."

(martelo batendo em prego)

Sinal

um mendigo reclama para o nada enquanto o sinal está fechado da janela do carro abismado vejo o suor pingando... o trânsito não respeita solidão

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Frutífero

se quiséssemos ouvir saberíamos que as palavras não são vazias são na verdade nossos desejos verbalizados sonhos a serem sonhados visões do futuro que necessitam de coragem para serem conquistadas no presente próximo pássaros que nascemos para cantar não sabemos muitas vezes procurar o ninho nos perdemos em desatinos canto com melodia emprestada irada maneira de seguir pesados como pedra sem mar que nos fizesse boiar sofrendo menos chorando menos querendo menos somos semente devemos crescer para nos transformar em árvore frutífera

Pombos

a cidade está acordando estou querendo dormir
os barulhos são arulhos de pombo querendo enviar mensagens aos menos preguiçosos:
"S.O.S. o concreto está quente a chapa impede ninhos estamos sozinhos!" dizem os pombos...

Luz solar

o poema é o poeta
e
o poeta sou eu
sofro com letras pontiagudas
com palavras absurdas
com falta de compreensão
o poema não gosta de luz solar
não gosta de ter que avisar
que está triste
entendam
o poema
e
entenderão a mim

tatoo

poema explicado
é tese
trabalho de casa
poema
confunde mais do que explica
incita a dúvida
tatuagem surrealista

Contas

temos vinte dedos
e não temos dez amigos
um nariz
e muitas mentiras
dois olhos
que enxergam pouco
uma boca
para um único paladar

contas de um colar de pérolas falsas

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Anônima

a poesia
não soa nas pessoas
normalmente
reflete
raios de sol
em
água escorrendo de pedreira
sem mato
sem mata
a água resvala
no nada
lá embaixo
passa a ajudar a lavar os pés
lavra
restos de anônima caminhada

Silêncios

silêncios cantam aqui dentro

(...na cabeça
esqueço momentos
sibilam angústias
melodia
de palavras sentidas
poesias
querem escapar...)

silêncios cantam aqui dentro

DIRETO DO AURÉLIO (6) -- Caráter

CARÁTER


Forma que se dá à letra manuscrita ou ao tipo de imprensa;

Especialidade, especificidade; cunho, marca;

Qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que o distingue de outra pessoa animal ou coisa.

DIRETO DO AURÉLIO (5) -- Natureza

NATUREZA


Todos os seres que constituem o Universo;

A condição do homem anteriormente à civilização;

Índole do indivíduo; temperamento, caráter.


DIRETO DO AURÉLIO (4) -- Essência

ESSÊNCIA


Ideia principal;

Extrato concentrado de certas substâncias aromáticas ou alimentícias;

O que constitui o cerne de um ser; natureza.

DIRETO DO AURÉLIO (3) -- Alma

ALMA

Princípio espiritual do homem concebido como separável do corpo e imortal;

Sede de afeto, dos sentimentos, das paixões;

Condição primacial; essência.

DIRETO DO AURÉLIO (2) -- Sentimento

SENTIMENTO

Ato ou efeito de sentir (-se);

Faculdade de conhecer, perceber, apreciar; percepção, noção, senso;

Entusiasmo, emoção; alma.

DIRETO DO AURÉLIO (1) -- Emoção

EMOÇÃO

Ato de mover (moralmente);

Estado de ânimo despertado por sentimento estético, religioso, etc.

Invenções

história contadas
não existem
são histórias inventadas
se não sofri não senti se não senti não entendo
entende?

. de vista

não se deixem impressionar
por
tudo que já está pronto
são verdades-mentiras
são pontos e vírgulas de outros não somos nós
a história é importante como explicação
ponto de partida do nosso ponto de vista

A Prisão

olhos são telas
celas
costelas
cabelos
fios de alta tensão
dentes
arames
mãos cadeados
pensamento
prisão


Sincero

a questão não é cantar bem ou mal
cantar com alma
cantar o azul de um blues
azul escuro
magoado
cantar por cantar
não entope
nossos ouvidos
estão querendo
ser possuídos
por uma triste melodia
sincera

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aposta

...quer apostar que se nos encontrarmos ficaremos calados pensando no que mentir?

Antigo carnaval

festival de bobagens
querer manter o carnaval de antigamente
gente
o antigamente ficou para trás
não somos os mesmos por que querer que o pierrot pegue a colombina?
isso não combina com nossos dias de sofrimento e tédio

Fundo-do-mar

o blog
é para mim um bloco de rascunhos
poéticos
cético quanto a ser lido
brinco
rindo
me escangalho
quebro galhos
desarrumo rimas
espanto primas
bagunço o todo
e o tudo
fundo do mar
negro

Leitura

...sem sinais
gráficos
porque não quero pontuar sua emoção não admito pontuarem meus pensamentos sofrimentos me esforço para te dar trabalho e da dificuldade da leitura certamente sairá uma conclusão um pouco mais dolorida como a vida

!SENTIDO!

...ainda não sabem que o que nos qualifica é nosso compromisso com nossa verdade ainda não sabem e por isso agem como se fossem párias na sua própria cidade desconhecem o Cristo o misto com cinismo se identificam com estrangeiros todos somos brasileiros nascidos aqui nesse planeta Terra arde nos nossos pés que desconhecem o calor do asfalto assalto às nossas ideias e ideais ais de políticos são nossos também e quem estiver entendendo parabéns por que como a vida não escrevo para entendimento esquerda ou direita volver

Respostas?

Por que jogo cartas no computador?

Porque sou solitário?
Por que não quero pensar em mim?
Por que não quero arriscar tentar algo que ainda não sei o que é?

Nu

...quem pode falar que o Rei está nu?
a ingênua criança
que desconhece o sabor da vingança

Ruim

algumas vezes deixo uns poemas ruins de propósito e o propósito é desmistificar a arte da escrita que nada mais é do que o escritor conversar consigo mesmo e às vezes eu mesmo não me aguento

Botequim

...alguém tem que explicar aos idiotas de botequim que a vida é feita de tentativas só consegue algo quem tenta ficar falando alto que faria que teve um dia uma ideia brilhante grande coisa não colocará a locomotiva para andar pare pense deixe de lado a praia e vá começar algo

A Rotina

...um bando de idiotas sem liderança...
ficamos esperando sombras que possam nos motivar?
quem acreditará em alguém que não sabendo o que quer só reclama
resmungos profundos suspiros sem ritmo melodia desafinada
nada mudará sua opinião sobre seu futuro?
assim sua vida se resumirá em acordar, levantar, ir trabalhar e se odiar e odiar os outros

um epitáfio

...exigências extremas
línguas
MBAs
trabalho e mais trabalho

não temos tempo de descobrirmos quem somos para onde vamos o que pretendemos cedemos às tentações mundanas e quando nos damos conta para descobrirem o que pensamos só restou um epitáfio

Reconhecido

escrever é acreditar na importância do próximo passo não criar aranhas com medo das teias velar o sono do imbecil acomodado escrever é jogar os dados mas para isso não é preciso ir a Las Vegas já carrego todos os pecados numa tigela de açaí guardião zum de besouro um imã para minha nada branca tez sem manhã amanhã pedirei um café para nós dois continuarmos a querer caminhar pés enterrados na areia da praia escrevo um poema que sei não durará mais do que poucos segundos como acontece com o seu julgamento sobre a minha pessoa Pessoa soa me lembro de suas palavras não reconhecemos o outro por que então seríamos reconhecidos?

MIGUEL GULLANDER, em Perdido de volta

"Para mim escrever é navegar no mar à noite, tendo apenas um raio de 25 metros de luz diante dos holofotes, e uma estrela -- uma visão do rosto da Deusa -- como referência, e apesar de não ver o caminho, continuar a avançar, porque estou seguindo essa tremenda aspiração e inspiração de algo outro, totalmente outro, para lá de tudo e mais alguma coisa, -- para além do corpo que se apazigua, e dos sentidos que silenciam, sem que seja possível esboçar qualquer gesto conhecido, nem inventar nova carícia que sacie a sede -- pois tenho a suspeita, e a certeza, de que todas e quaisquer conquistas são farrapos passageiros, como uma factura do tamanho da saudade, e porque tudo é tão fútil, escrevo como uma locomotiva -- um megafone sempre a rappar, uma sereia sempre a gritar, mas às vezes, também, como num segredo íntimo de namorados: a sussurrar -- travessão após vírgula, e vírgula após travessão -- e frase bombada, pneumática, inchada, uma após outra, como ondas gigantes, umas atrás das outras -- e o casco, arrebentado sobre este mar sem fim, avança e avança e avança e assim se faz a viagem toda, se chega a um destino, e se cumprem duzentas páginas sem sequer se saber, conscientemente, por onde se ia. Como uma Toyota em África. mas, no fim, olhando para trás, a via está lá, e faz sentido. Porque é a nossa estrada. A de todos nós. Que o círculo do mesmo inclua o outro, como dizia Timeu.

Esse outro é tu.".

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Seu e meu

a poesia
não muda o mundo
a poesia
muda o poeta
que transforma o mundo
seu
em
meu

Dragões

jaquetas dentárias
próteses mamárias
lipoaspiração
calcinha com enchimento
aspiro pretensão
tenho opinião
sobre tudo
sobretudo porque penso logo insisto em digitar palavras profanas insana mania de interferir ferir sem matar ferir-me sem morrer graças a Deus não acredito Nele o homem inventa seus próprios Dragões para fugir do desenho de suas próprias sombras

Havaí

...já falei
mas vou repetir
sonho
é um etíope
querer surfar no Havaí
um havaiano
não querer surfar é preguiça

IRON MAN

10 km de natação
20 km de bicicleta
42 km de corrida
homem de ferro
mas
com o coração aberto

nossa verdadeira conquista acontece quando parados pensamos

Veneno

...muito inteligente da sua parte
descobrir o óbvio
lógico
sou ingênuo
quem tentaria mudar o mundo
escrevendo
lendo
amando
falando
os chilenos
(sempre os chilenos)
me ensinaram que tinto é a cor do sangue
sangue
único companheiro

nos momentos solitários
somos nosso próprio veneno

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quem

quem está aí?
quem me acompanha e não me deixa seguir?
quem tem as mesmas dores?
as mesmas manias?
quem poderia me dizer para parar?
quem poderia fingir que o cravo é uma rosa?

O Corvo

um corvo
sobrevoa
meu corpo
e tonto
tento acompanhar
suas figuras geométricas
artimanhas negras
esfumaçando meus olhos negros olhos fogos tortos mortos de tanto acompanhar

Orações

olhando o céu
me peguei olhando o céu
e imaginando donde vem aquele azul
o mar estava bravo
acho
e meio cinza
cor de tinta de cabelo grisalho
andei de lado
(todos estamos de lado)
e nada pensei
continuei
no automático
(todos estamos no automático)
me vesti
me penteei
e parti
num dos inúmeros engarrafamentos
até o trabalho
uma hora e meia
depois da visão
retive em mim a ilusão
de ter um dia perfeito
cheio de compromissos resolvidos
para ter tempo de rezar
pelas poesias
que estão a me esperar
ansiosas
para serem escritas
sem ter conseguido me livrar das palavras
para dar atenção às rimas
trabalhei sem me queixar
(pois Búzios só existe
se inferno há)
lá pelas seis
novo engarrafamento
me permitiu adequar
em orações
todas aquelas palavras que fazem parte de mim

Luvas

nada se resolve fingindo não existir tudo é difícil quando nos vemos envolvidos tino e coragem são alguns dos ingredientes básicos de uma vida menos curta luta luta sem culpa de ter que se sujar de sangue de mangue quem usa luvas não sente o peso da chuva na terra quem espera sempre alcança só no ditado popular sem gritar não há respeito não há leito de rio que dê conta de tanto lixo insisto insisto temos que nos procurar

Fãs

não quero ter fãs
sãs
consciências sãs
é que me fazem perguntar
e começar
a escrever

Consentido

muitos
(quase todos)
que já leram não entenderam

entender
não é saber explicar
entender é
sentir
amar se perguntar
quanto daquilo já foi vivido

Freio

arrisco dizer seu nome com a pronúncia errada
escrevê-lo
um dos maiores riscos
em que incorri
e corri
inteiro
para me livrar
do seu desejável cheiro

freio

Teso

Certo
é o errado que deu certo
ou
certo é o certo que deu certo
por não saber
escrevo
tenso
teso
escrevo para me arriscar a errar

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Verbo: ÁRVORE

eu semente

tu água

ele sol

nós vegetação

vós milhares

eles devastação


Verbo: POEMAR

eu poemo

tu poesias

ele poesia

nós poemamos

vós poesiais

eles poesiam

I miss you

eu a elegi minha miss

(senti
saudade,
em inglês)

Sal

sal
e
idade

saudade

Uzão

uma barba para um adulto é apenas uma barba
para um filho de cinco anos
pode ser
um uzão (barba ao redor do rosto)
uma grama verde (barba em cima do queixo)
e
um telefone
(também chamado de bigode)

ALFONSO ALCALDE, poeta chileno

"...Como en un círculo vicioso el pobre poeta, el pobre paria que somos busca en la montaña con el oído bien puesto -- o mejor, con todos los sentidos en pie de guerra -- la posibilidad de comunicación, pues no olvidemos que vino a salvar el mundo.
Pero tarde, siempre demasiado tarde, descubre en última instancia que está equivocado.
Apenas si se vislumbran algunas emboscadas efímeras, fulgores que hablan de nuestra precaria posibilidad de entrar en contacto con otros humanos, entregando un santo y seña elemental, que sólo enreda aún más la confusión, el ahogo de la expresión, por más que la garganta se caliente al rojo vivo.
Desgraciadamente los mismos a quienes queríamos salvar, no nos reconocen...".

Astronautas

astronautas
acabaram com a alegria
da poesia com a lua
a prova científica
acabou com a graça poética
a tecnologia
sempre está a atrapalhar
o sonho do sonhador
o rouco do orador
o fogo do lenhador
o toldo do profeta

Profetas

em todos os tempos
os poetas falam sozinhos
os poucos que os entendem também são poetas, solitários
ou suicidas
todos têm muito a perder
por isso estão vivos
os anestesiados
ou quase mortos
irritados com a revelação
negam-se e por isso não querem saber
quem são
onde estão
como acabarão
preferem rir da ingenuidade salvadora dos loucos-profetas

Em paz

desespero
desespero
(espero)
somente
poetas
querem entender
não há tempo
não há tempo
não há tempo
para quem não quer (se) ver

letras formam (foram)
palavras
antes de eu morrer

Barbatanas

nova razão
fustigo
incito
ação
óleo
de baleias
barbatanas
de tubarão

onde descubro um mar
para me acabar
(em poema)

Sudorese

necessito suar
retirar das palavras
água

beber metáforas

Mio

sei que não sei
por isso mio

(esse conhecimento da falta
é que me faz criar
digo
miar)

Insaciável

carne na carne
arde ou arte

molho no molho
sujo ou fogo

olhos nos olhos
amor ou ódio

pele na pele
sede ou sede

voo

onde estou? para onde vou? quando vou? com quem estou? com quem vou? então... voo...

Morte

...morte...
medo? desejo?
não!
apenas respeito
morrer é o preço
para deixarmos de meninice e lutarmos por uma vida melhor

reformatório

...gosto de me afastar...

todos os poemas são filhos
e alguns depois de um tempo
me decepcionam e são colocados no reformatório
infelizmente a vida é assim nem todos nasceram para a luz do sol

Poças

quando vi tudo aquilo que nunca esperei me foi presenteado foi como um achado dentro de uma caverna uma pedra brilhante mesmo não sendo um diamante me guiou me mostrou um caminho e parti tinindo asas nos pés imagens na cabeça levado da breca me livrei das metas me entreguei ao destino de rimas sinos melodias esfrio a testa com as mãos em lágrimas recuperadas poças de fadas fados embalando a solidão de homem com destino de menino rindo da opção de ver o azul do mar ao invés de enjoar

O poetinha

...o que vê o cego chorar...
aquele que sente o ódio num olhar...
o que não espera reconhecimento...
aquele que estende a mão em cumprimento ao desconhecido...
o que sempre tem um sorriso...
o menino grande de ilusão...


Quantos são

quantos são
inesquecíveis?
inaceitáveis?
inquestionáveis?
quantos segundos são precisos
para se acordar?
quanto é necessário
para desistir de se cobrar?
quantos mundos terei que suportar?

Agora

lembro do passado
porque já vivido
esqueço do futuro
porque ainda não veio
velho
seria se não vivesse
das palavras agora

JORGE TEILLIER, poeta chileno

"El poeta es un marginal. pero de esta marginalidad y de este desplaziamiento puede nacer su fuerza: la de transformar la poesía en experiencia vital, y acceder a otro mundo, más allá del mundo asqueante donde vive. El poeta tiende a alcanzar sua antigua "conexióon con el dínamo de las estrellas", en su inconsciente está su recuerdo de la "edad de oro" a la cual acude con la inocencia de la poesía..."

"...El poeta es el guardian del mito y de la imagen hasta que lleguen tiempos mejores...".


"...Y de nada vale escribir poemas si somos personajes antipoéticos, si la poesía no sirve para comenzar a transformarnos nosotros mismos, si vivimos sometidos a los valores convencionales. Ante el "no universal" del oscuro resentido, el poeta responde con su afirmación universal.".

Confissão

que Anderson Silva, que nada

todo dia
depois que acordo tenho uma briga
com a preguiça
com a milícia

escarro na pia
palavras

letras se prendem aos meus olhos como remela

metáforas fazem doer minha barriga

que clima, meu Deus, que clima
para tentar começar

o engarrafamento não me deixa pensar

no trabalho
num intervalo de mundos
levo segundos
para aprontar uma nova confissão de vida

seguindo em frente
com a mania de acreditar que amanhã será melhor

Meninos-passarinhos

escrevo

nas metáforas
não há um entendimento

grande coisa
quando esclareço
outro poema sendo feito ao vivo

e vivo para explicar
às poucas testemunhas
que se interessam por algo que não seja fofoca da vida alheia
o alheio vence sempre o compromisso com nós mesmos
absurda afirmação
que nem um milhão de poemas conseguirá despistar
alpiste para meninos-passarinhos que adoram voar

Ulisses

nas crises
o poeta
Ulisses
volta
para colocar as coisas
nos seus devidos lugares

Religare

o poeta se sente Deus
por estar religando as pessoas numa nova esperança

religião
de
com
por
palavras

Hercúleo

as perguntas seguem sendo as mesmas
e quem se esforça em respondê-las
são os poetas

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ÃO

delicado mimo minas gerais esquinas acabam me espremendo tremendo evoco um trovão ão balão voando até cair

Num tempo

entro num tempo só meu tempo em que tudo ainda não nasceu está só no começo de um pensamento

Laranjas

o amarelo
tem medo do verde
nunca sonhou em ser azul
teme a mudança
teme tudo que não seja parecido com vermelho
gosta de laranjas

Começos

...sobras de sentimentos
alheios
alheio
a tudo
a todos
somos
o começo

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Babel

...o inglês dessa Torre de Babel

(poesia)

Cônscio

cônscio de quem sou e do tamanho da pedra
aplaudo
Drummond, companheiro carregador

ENRIQUE LIHN, poeta chileno

"...Todo esto en el entendido de que el arte se entiende con la emoción y los sentimientos, directamente, mano a mano; en tanto que las ciencias, por antropológicas o sociales que sean, reducen -- aunque se admita con Eliot una poesía despersonalizada y antisentimental -- el papel del experimentador, manteniéndolo en lo posible, al margen del experimento.

E em nota cita T.S.Eliot: "La poesía no es dar rienda a la emoción, sino un escape de la emoción; no es la expresión de la personalidad, sino un escape de la personalidad. Pero, naturalmente, sólo aquellos que tienen personalidad y emociones saben lo que es desear liberarse de estas cosas.".

Quase

...não sei por quê escrevo
não quero pensar nisso
agora
quero chamar sua atenção
para as letras
desse quase-poema

quase-intenção

Pus

quedo de joelhos
queda sua
suada
sorvida
papada
ferida
casca
sangrando
amarelo-pus

A Bula

leia a bula com atenção
ela mostra o tamanho da sua doença

Suor

(escrevo para lembrar-me
que o suor tem cheiro...)

Surreal

se a guerra é o real
s
o
u
surreal á toda prova

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

NICANOR PARRA, poeta chileno

...A mí me parece que el sexo es lo que hace marchar el mundo. Alguna vez me han preguntado qué es lo único que queda en pie en esta hecatombe de la antipoesía. Realmente quedan muchas cosas en pie. Por lo menos una muchacha desnuda que se lanza de cabeza a una piscina. Eso queda realmente; eso es algo intocable; es un misterio para mí indescifrable..."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Transformação

é mais fácil
ao poeta
pela vidência
passar da pena
à saleta
à palheta
à espada

da visão à atuação

Locomotiva

o poeta
inventa
um sentido
ao mundo
descarrilhado

EDUARDO ANGUITA, poeta chileno

"...La poesia cabe dentro del esquema del amor. Su función fundamental es um acto de caridad por el cual intentamos reconciliar al mundo en su original armónia, en su unidad, perdida por el primer pecado. Es útil que recordemos en este instante la definición de imagem poética: relación entre dos o más realidades lejanas.

Tal vez tengamos uma missión redentora com respecto a las cosas; tal vez debamos levantar al mundo hacia Dios asi como Cristo lo hizo com nosotros. Espiritualizarlo....".


HUMBERTO DIAZ CASANUEVA, poeta chileno

“...Lo que otros llaman inspiración y que para ellos es facilidad jugosa, es para mi plenitud tanto de mis dones como de mi impotência.

Tal vez me suceda esto porque no escribo para agradar sino explorar. La experiencia poética me interesa como uma manera de tranparentar el fondo de la existencia humana...”.


PABLO DE ROKHA, poeta chileno

“...Bueno, me ciño a la definicion de Engels y al encontrar el reflejo social de mi tiempo, creo haberme encontrado a mi mismo, porque el hombre es indiscutiblemente reflejo de la sociedad y se refleja em la sociedad. Existe el enorme juego dialéctico en este hecho como em todos los hechos. De tal manera que influencias no. No porque me crea demasiado grande ni demasiado chico, ni nada. Sino sencillamente porque el hombre que investiga dentro de si mismo, en función del pueblo, en función de la placenta materna de la tierra que lo engendró puede llegar a encontrar un modo, un lenguaje, un destino social, poético, que sea suyo y creo que yo lo he encontrado y desarrollado porque lo he perseguido y lo persigo todavia...”

Obrigação

toda vez que me pergunto o que devo escrever é quando não devo escrever as palavras têm que se impor na cabeça do poeta obrigando-o a se livrar delas escrevendo-as

Embaraço

não somos o que queremos
somos
o que os outros veem em nós
somos laços
nos outros somos embaraço
no papel almaço
amasso
letras
nelas sou fonemas

sendo

encontrar no dialeto o acento
encontrar no deserto o vento
encontrar na palavra o argumento
encontrar na lágrima o sentimento

isso é ser poeta
sendo

Dicção

perfume de corpo
sotaque
dicção forte e veloz
calor numa noite fria

tudo isso é o poeta na poesia

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Diferenço

diferença
entre poesia e poema?

poesia
poema feito por outro

poema
poesia feita por mim

Po EMA

ad
equação
entre
o
s o p r o
e
o
s
o
n
h
o

p
i
n
g
a
d
o

po e si a

ar
re
pio,
entre
o
so
m
e o sil
êncio

Estatura

Cultura
é
a
estatura
que
o
homem
alcança
ao
explicar
para um
estrangeiro
porque
as
pessoas
do seu país
não se matam

selos

seu cheiro em meus pelos

selos

Ex-cultor

em sinfonias
te toquei
em melodias
molhei-me
de suor
em atípicas brincadeiras sonoras
musiquei solidão
em sozinhas folhas
esculpi uma pessoa

Ver-te

derramo
nos lenços
para não derramar
nos lençois
escamo o peixe
por não precisar de cebolas
amo o verde
pela simples necessidade da rima




(ver-te)

Asul

conceitos prévios
sem estudo do caso
preconceitos
exatas palavras de incompreensão
um pássaro não voa para o norte?
um palhaço não pode xingar?
um político não pode ser sincero?
um poeta não pode ser asul?

Sóbria

repito em mim a tinta o tinto o sim o não não quero esperei para saber dizer assim meio de lado posto ao quadrado nos quintos do inferno ferro nos outros é linha aposto que o aposto está fora de moda de viola enrola um fio de esperança voz fina cansa cansa digitar palavras a esmo olha a planta é mesmo sóbria sofistico a memória traço o simples feijão com arroz arrumado letras em estado de letargia alforria

me e te

sufoco-me
quero-te
engasgo-me
surfo-te
emperro-me
sinto-te
abraço-me
espero-te

Livre, livros

não canto derramo águas guardadas soluços não soluçados espirro preso não me arrependo de nada do que fiz mas me arrependo de não ter feito algumas coisas têm seu tempo e não voltam atrás não posso nominá-las seria muito duro pensar em tudo que quis fazer e não consegui seja sobretudo por medo medo do que iam pensar do que podiam falar medo de pai, mãe, espírito santo e os nada santos também medo no final das contas de mim (graças a Deus, desse medo me livrei...)

Ao Chico

DE HOLLANDA

Espoletas

Marieta

Me deu na veneta

homenagear

homem culto

senhor

dos sinônimos

também

Antônios

Olhos da cor do mar

Mestre

Que amansa

Lobos

Boscos

Betânias

Nos acalma

Ao Caetanear

Cronista

Preciso

Por vezes

aflito

na prosa perfeita

nos deixa

sem fôlego

trôpegos

equilibrando

morenas

de angola

do rio também

meninas

dengosas

suas notas

misturadas

às letras

dão samba...

Respiração

difícil definir amor?

olhos abertos esperando a última gota de saliva
mãos cansadas de alisar cabelos presos em dentes
pés retorcidos precisando de massagem urgente
mentes paradas no tempo de uma respiração

Os dados

...em algum lugar do passado
fiquei emocionado
e travei
resvalei em tantas imagens paradas
que preciso de suas mãos para de novo aprender a rolar os números que definirão minha nova jogada

O núcleo

desafio à minha inteligência
seus olhos
são
perigo
na minha consciência
ciência de cientista louco que aprendeu na prática a deslocar o núcleo do problema com rimas

Pi ao quadrado

comecei meio torto nada anjo nada amorfo um poema mudou minha vida de pequena passou a infinita na razão de pi elevado ao quadrado e depois me perdi nas rimas hinos à solidão do homem moderno prefiro ser sincero a passar por mentiroso ruí o osso da incompreensão e quando tudo estava quase morno passei a cantar encantar provoca ofende quem não tenta quem consegue se arrebenta em pretensão inflei e quase explodi mas aprendi a controlar meu ânimos equânime me divido entre viver, cantar e escrever (como se não fosse tudo a mesma coisa...)

Quadro torto

um poema
nada mais é do que colocar em palavras
tudo aquilo que lhe incomoda
a graça
é fazer de um jeito que não incomode quem lê

Adubo

...definitivo argumento
esse
o de que vamos morrer
nessa levada
podemos fazer qualquer coisa sem temer críticas
pois
em alguns anos estaremos ajudando o reflorestamento do planeta

Sacolé

quem sabe o que de quem
ninguém sabe quando nasce uma espinha
imagina o que sinto
ninguém sabe por que deu bicho-de-pé
ninguém sabe daonde vem o sacolé

Cosquinhas

um menino de cinco anos era feliz
mas desconhecia...
desconhecia
o nome dos dedinhos
que faziam
cosquinhas...
mindinho
seu vizinho
pai-de-todos
fura-bolo
e
mata-piolho


oba! Cosquinhas!

cometas

num mundo comandado pelo sol
astros são estrelas são faróis
poucos entretanto iluminam
passam como cometas
esquecendo que é o calor constante que traz a memória do calor

Vontade

a construção de um jardim
envolve
pedras
cimento
sementes
de jasmim
de rosas de foras de pimenta e de aço, vontade

Fragmentos

estou pensando
que são fragmentos
meus poemas são partes de um todo chamado amor

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Advogados

...brincar com as palavras...
a maioria
dos advogados gostaria
mas se irrita com a ordem posta na própria cabeça
um poema não precisa
(nem deve)
ser explícito
mimo
biscoito fino
sim
mas
sem preocupações de explicar
até porque não somos professores
viemos para confundir
qual Chacrinha
somos filósofos de esquinas

Nadador

Se ensaio
Não saio
Se não ensaio
Não canto
tudo na vida tem um custo
nado
para cantar
canto
para não morrer afogado

Via Láctea

À Cecília Meireles

o pássaro
voa
pleno
sendo verso
ilumina
a noite e a via
(láctea)
sendo universo

VIVA CECÍLIA! (10)

"...Cada palavra uma folha
no lugar certo.

Uma flor de vez em quando
no ramo aberto.

Um pássaro parecia
pousado e perto.

Mas não: que ia e vinha o verso
pelo universo.".

VIVA CECÍLIA! (9)

"...Não temos bens, não temos terra
e não vemos nenhum parente.
Os amigos já estão na morte
e o resto é incerto e indiferente.
Entre vozes contraditórias,
chama-se Deus onipotente:
Deus respondia, no passado,
mas não responde, no presente.
Por que esperança ou que cegueira
damos um passo para frente?


Desarmados de corpo e alma,
vivendo do que a dor consente,
sonhamos falar -- não falamos;
sonhamos sentir -- ninguém sente;
sonhamos viver -- mas o mundo
desaba inopinadamente.

E marchamos sobre o horizonte:
cinzas no oriente e no ocidente;
e nem chegada nem retorno
para a imensa turba inconsciente.
A vida apenas à nossa alma
brada este aviso imenso e urgente?

Sonhamos ser. Mais ai, quem somos,
entre essa alucinada gente?".

O dia inteiro

prefiro estar errado
todo vez que acerto esqueço dos motivos que me levaram à pretensa vitória
o erro não, fica, como uma dor de estômago magoando o dia inteiro e o dia inteiro me lembro que tenho que melhorar

Frutíferas

inteligência pode ser um dom
mas
como rosas
deve ser cultivada
frutíferas discussões
são
intenções de batalhas
com o próprio ego
reconhecendo adversários
que na verdade são verdadeiros amigos
nesse estuário de emoções

Hipnose

o que li de poeta que leu outros poetas muitos quase todos não conseguem escrever uma linha digna linha que seja mostrando seus desejos os caras ficam parados hipnotizados pelo talento alheio

Da navalha

não há como
parar de me responsabilizar
pelo que escrevo
pelo que como
pelo meu endereço
as contas chegam pelo correio
e eu todo dia saio para tentar pagá-las
ousada tentativa de esticar o fio da navalha

Cochilo

estilo
cochilo das influências
(se tivesse lido não teria começado a escrever)
desconhecer às vezes nos liberta e nos possibilita criar
sem saber

Silva X Belfort

habitantes que somos de uma nação de sonho quem viu Zico jogar sabe do que estou falando mal acostumados tratados como príncipes árabes vida de títulos e comemorações intensas os adversários nos cobram humildade desconhecendo nossa capacidade de saber esperar o próximo combate Silva X Belfort luta de comadres perto das nossas conquistas históricas

Os vascos

mundo estranho
em que os vascos não gostam de ser explodidos
negando o óbvio resultado
de um presidente chamado
Dinamite

Os brilhos

o brilho
desse sol
que são seus olhos
acabam com a mínima possibilidade de que meu brilho te mostre onde estou

Aloprado

quando em algum momento
tenho a sensação de que não deveria ter começado
(do modo meio aloprado que foi)
alguns amigos
mais chegados
sem saber
reatam meu laço
com o modo estranho
meio açodado que tenho de fazer as coisas
peço desculpas a todos
mas foi o único jeito que encontrei de escrever tudo que estava sentindo
finda essa primeira etapa
mais tranquilo
espero ter a força de vocês para continuar

Conceitos poéticos

força interior
mania de acreditar no sol
mania de namorar a lua


amizade
confiança em outros olhos
não ter medo de carregar as malas
com uma das mãos


amor
ver você no outro
ver ouro na outra pessoa

sábado, 5 de fevereiro de 2011

30 poemas

mais de trinta poemas foram feitos hoje
o que me espanta não é o número é a vontade de continuar
quando um mês depois de começar me enviei um E-mail achando que chegaria aos trinta poemas desconhecia a gana que teria de não parar de raciocinar poeticamente quando percebi estava com alguns livros prontos e pronto para não parar

Pregos

dedos
pregos com unhas
isentos de culpa
digitam
sem pensar
a cabeça
que deveria comandar
abriu mão do serviço
para deixar a boca abrir um sorriso
menino de satisfação

travesseiro

ilumine meus olhos de menino
com seu sorriso,
seu dotes,
todos, pertencem aos meus sonhos
e a boca
travesseiro de coxa
onde ardem meus dedos de arte
encontra minha boca
para lambermos bobagens

Mundano

profissional de fazer arte
sem interessar a idade
porque será sempre um adolescente
profissional que escolheu ser gente
podendo ser num poema
o que quiser
grafo
faca
colher
mais a humanidade o prende ao que há de mais mundano: o amor à vida

Dito a dor

tirando os ditadores
quem diz não a um poeta
quem não quer ser eleito para a vida eterna
quem não quer pensar em rimas
quem não quer brincar em brigas de amor
quem não quer ser o próprio professor

Eternos

Poeta, porque perdi um irmão
Poeta, porque quase perdi a vida num assalto
Poeta, porque me joguei no trabalho e fui criticado
Poeta, porque soube de uma homenagem escrita ao meu irmão
Poeta, porque amo a vida
Poeta, porque o nascimento de um menino me mudou
Poeta, porque os poetas podem chorar
Poeta, porque podemos escolher a idade da adolescência que quisermos
Poeta, porque seremos eternos

Mergulho

dizer que fui escolhido pela poesia
seria bonito
mas
mentiroso
lembrando de alguns fatos acho que fui me preparando para o momento em que algo iria acontecer desejava que algo acontecesse e esse foi o motivo de ter mergulhado

Escolha

é como se a fruta escolhesse a terra em que a árvore deveria ser plantada
é como se a criança achasse que nasceu da barriga errada
é como se o guarda prendesse o marginal antes do roubo

não há como falar em ser escolhido pela poesia

Escrete

fevereiro já chegou estamos em marcha para o carnaval o país se concentra e arma fantasias depois do dia oito começa o ano o ano de dois mil e onze escrete brasileiro será que vai longe? os imóveis no Rio estão pela hora da morte quem quer morar aqui? quem sabe onde fica logo ali? Sei lá
é o que mais ouço ouso discordar e dar um nó nas palavras será que esse ano desanda desando a cantar?

Picolés

num dia quente
o sol
ardente
mente
sobre imagens geradas
na retina
obstruída
por gotas intensas de suor
imensas quantidades de sal
salgam palavras
levam letras para lugares errados
resfriados
pela incompreensão

picolés de sabão

MMA

provocação
é a arte de provocar ação
antes de recuar tente me acertar

Por um fio

um cara toca piano pinta e borda palavras e me pergunta se as linhas que escreve são poemas
não sei, amigo o que posso lhe dizer é que serão poemas se se der sua total entrega ao que foi escrito sua verdade tem que estar ali por um fio

Frutos

da macieira cai maçã
e pecado
da pitangueira sai pitanga
e gelado
da bananeira cai banana
e melado
da livreira sai livro
e trocados

Filhos-livros

nossos filhos
ensinam aos outros quem somos
mostram valores
dores e sabores
explicitam nossos pensamentos
livros abertos
nada discretos
do que sonhamos

VIVA CECÍLIA! (8)

"...Sob os verdes trevos que a tarde
rocia com o mais leve aljofre,
tonta, a borboleta procura
uma posição para a morte.

Oh! de que morre? Por que morre?
De nada. Termina. Esvaece.

Retorna a outras mobilidades
recompõe-se em íris celestes.

Nos verdes trevos pousa, cega,
à procura de um brando leito.
Altos homens...Árvores altas...
Igrejas...Nuvens...Pensamento...

Não...Tudo extremamente longe!
O mundo não diz nada à vida
que sozinha oscila nos trevos,
embalando a própria agonia.

Que diáfana seda, que sonho,
que aérea túnica tão fina,
que invisível desenho esparso
de outro casulo agora fia?

Secreto momento inviolado
que ao tempo, sem queixa, devolve
as asas tênues, tão pesadas
no rarefeito céu da morte!

Sob os verde trevos que a noite
no chão silenciosos dissipa,
jaz a frágil carta sem dono:
-- escrita? lida? --- Restituída...".




BRIGAS (música nova)

Idiossincrasias cristãs

Ironias finas

Fantasias ricas

Alegorias imãs

Nossas brigas

Não acabarão X2

Nem tudo que começa acaba?

Nem tudo que é uva passa?

Seus olhos são azuis?

De que tom

São nossas brigas?

Não acabarão

Alegorias imãs

Fantasias ricas

Ironias finas

Idiossincrasias cristãs

Nossas brigas

Não acabarão X2

Nem tudo que começa acaba?

Nem tudo que é uva passa?

Seus olhos são azuis?

De que tom

São nossas brigas?

Não acabarão

ASSOBIO (música nova)


A noite azul assobiando X2

Seu nome para mim é um pranto X2

A noite sozinha me namorando X2

Seu nome para mim é um manto X2

Em qualquer lugar

Sua voz é um assobio

Me chamando (REFRÃO X2)

(Convenção com assobio)

A noite azul me namorando X2

Seu nome para mim é um encanto X2

Em qualquer lugar

Sua voz é um assobio

Me chamando (REFRÃO X2)

A noite sozinha assobiando X2

Seu nome para mim é um canto X2

Em qualquer lugar

Sua voz é um assobio

Me chamando X2

(Final com assobio)

Surfe

responsabilidades
sãs
são
adversidades sendo acomodadas
dados sendo jogados sem adrenalina
escalada técnica
surfe constante
jogar com menos um jogador sabendo chegar à vitória

De ponta

a banana está comendo o macaco
o ator mandou o diretor passear
o espinho agradou à rosa
o crítico resolveu romancear

nesse mundo louco está tudo virado
de ponta a cabeça

Fruta Gelada

não tenho idade
nem peso
para tentar convencer ninguém
sobre nada
sobretudo
sabendo
o que penso
ainda escrevo
por querer descobrir novos conceitos novos ângulos indiscretos dessa vida que sendo a única é fruta gelada no verão

Enxofre

o nome da rosa é rosa?
o amarelo define o ouro?
o carvão é negro pelo enxofre?
o azul do céu é pela imensidão?

Boitatá

passei por um sapo de pés lavados numa mula sem cabeça perdi a conta dos sacis que vi dançando de boina azul não sei porque mas estranhei o boitatá foi viajar e deixou um recado com um bonita bruxa
(maior mentira que contei até agora)

Rodinhas

como como tudo minha fome é imensa intensaidade deve ser sem saber fui fazendo das letras muletas e agora já consigo andar de bicicleta sem rodinhas mentirinhas todos contamos de vez enquando ainda manco

Animal

não quero fazer sucesso
escrevendo um romance
não gostaria de me esconder nos personagens
a coragem de escrever na primeira pessoa vicia o escritor na adrenalina de se esconder de modos mais sutis os adolescentes acabam gostando das espinhas óculos escuros pastas d'água de alguma maneira são máscaras como cascas algumas palavras nos salvam da exposição animal

De chocolate

...explicar a descoberta de um dom...
pretensão que nunca terei
dom existe
como existe sorvete de chocolate
o que você fará com ele?

Encapelado

cinza mar
encapelado
barcos ancorados
nuvens desenhando
imagens sem nexo
braço
cinza encapelado
nuvens sem nexo em imagens ancoradas em mim

Em sal

indignado
nado
em sal
ilusão
em ondas
ilhas
secretas
deserta
sensação
de pertinência

Juventude e arte

...continuo escrevendo muito
porque continuo me indignando muito
segundo Rilke
juventude é indignação
se
arte é indignação
arte é juventude
Ou não?

Eminências

mais para eminências
do que para bobos da corte
mais para leões
do que para chácara
mais para revolucionários
do que para amigos imaginários
mais para cantores
do que para atores

Dentista

os ursos gostam de mel
os poetas de fel
já ouviu falar em alguém que sorriu no dentista?
todos querem sofrer em abismos de tolices despejadas pela televisão
todos são os outros tolos os poucos que gostam de verdades

Em promoção

desconfio de tudo que parece fácil romances baratos barato de otário CDs em promoção desconfio de conta de luz da luz do outro cidadão desconfio tanto de tudo que não tenho coragem de ter opinião

...só

não, não li Harry Potter
não vi crepúsculo
não vejo novelas
não sei do Totó

respeitem meus momentos...

Imaginação

como te deixar falar
seus olhos assustados
não aceitam uma opinião contrária
não aceitam minhas certezas imaginárias
não aceitam aceitar

Fofoca

e afinal
se os professores conseguissem entender que os livros são só experiências passadas acumuladas certamente despertariam nos alunos a vontade de saber a vida alheia

Censura

a força das palavras
numa canção é abafada pela melodia
esquecemos o sentido
para nos encantarmos com o hino

Proposital

proposital talvez
a demora
em começar a escrever
talvez
já soubesse
e tenha me preparado
talvez na intuição de saber que um poema não é uma canção

Estação

na estação
em que as luzes diminuem

serei verão
no outono de tudo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tempo perdido

do último segundo
anterior à feitura do meu primeiro poema até agora já se passaram quase três anos que transformei em uns quinze na busca do tempo perdido agora com a calma de quem produziu posso começar a escutar as opiniões contrárias

Fantasmas

quando penso no tempo em que não escrevia parece que não sentia mentira mas é assim como me lembro dos temperos dos arremedos dos artistas que fingia sem saber que fingia não me emocionar quanto tempo perdido em ilhas de areia virtuais quanto temor acumulado quando medo de ser quem sou quando penso me dá vontade de escrever para você nunca se esconder num lençol
nascemos para ser estrelas e não para fantasmas

Sobrevivente

o homem teme tudo que tem medo de perder se não me prendo não temo esse um princípio sem argumentos contrários quando desejo sofro quando falo exalo contrários quando não desejo não vivo quando não falo sobrevivo

Cartola

Onde o coelho se esconde?
Quando os ontens se transformarão em amanhãs?
Onde o poeta se esconde?
Quando palavras virarão amanhãs?

Latente

lágrimas pingam olhos
olhos pingam remorsos
moços pingam sofreguidão
quem disse que a juventude não sofre
quem disse que um poema não é um norte
num mundo de latente idiotia

Compressão

...o supermercado
também está aqui
o engarrafamento também
também o neném
o velhinho
o carrinho de bate-bate
o menino que vende bala na esquina
o cara da televisão
poema: vida sendo comprimida em palavras

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

VIVA CECÍLIA! (7)

"...A um poeta morto

Um pranto existe, delicado,
que recorda amoravelmente
o infindável adolescente
que um dia esteve ao nosso lado
--- e para sempre foi presente,
por seu rosto de desterrado,
seu sofrimento sossegado
e, por discreto, mais pungente.

Um pranto existe, que não chora,
por mais que seja aflito e estreme,
unicamente porque teme
ferir-lhe a sombra, livre agora,
que noutras solidões procura
sua divina arquitetura.

(Que pranto existe, delicado,
ou que lamento de ternura
que lhe não dê nenhum cuidado?)..."


VIVA CECÍLIA! (6)

"...Pelos vales de teus olhos
de claras águas antigas
meus sonhos passando vão.

Chego de tempos remotos
com rebanhos de cantigas
felizes de solidão.

Céus de estrelas vêm descendo
-- perdi meu nome e a lembrança,
datas de vida e de amor.

Reduzo-me a pensamento,
livre de toda esperança,
isento de qualquer dor.

pelos vales de teus olhos,
o que fomos e seremos
não precisa explicação.

Passamos, vivos e mortos,
sozinhos, nesses extremos.
Companhias -- o que são?

Aguardo apenas estrela
na ponta do meu cajado:
a pura estrela polar.

Será meia-noite certa:
e o futuro já passado
nos vales do teu olhar...".

VIVA CECÍLIA! (5)

"...Pois o enfermo é triste e doce
mais do que um recém-nascido.
E chega como se fosse
da volta de ser partido.

E chega de olhos fechados,
envolto nos cristalinos
céus de sonhos debuxados
na memória dos meninos.


E é tão pálido o seu rosto
e sua ausência tão bela
como, entre os ventos de agosto,
a rosa branca e amarela...".

VIVA CECÍLIA! (4)

"...Como a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro: e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.

Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurantes e eternos.

E minha avó cantava e cosia. Cantava
canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.

Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes! -- aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e voltar sempre inteira!".

VIVA CECÍLIA! (3)

"...Gosto da gota d'água que se equilibra
na folha rasa, tremendo ao vento.

Todo o universo, no oceano do ar, secreto vibra:
e ela resiste, no isolamento.

Seu cristal simples reprime a forma, no instante incerto:
pronto a cair, pronto a ficar -- límpido e exato.

E a folha é um pequeno deserto
para a imensidade do ato...".