segunda-feira, 30 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 30 de novembro de 2015 -- SEXO ARTE E ROQUE EM ROU

SEXO ARTE E ROQUE EM ROU

Sexo, sendo o tempero do amor

Arte, sendo o ar no qual me venço (pelo menos tento)


Roque em rou, sendo o ritmo do desvio das pedras que rolam que devem rolar

domingo, 29 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 29 de novembro de 2015 -- Padeiro

Padeiro

A Chet Baker

Preciso de um silêncio musical
Preciso de melodia para sofrer
Um suspiro tem que rimar com ritmo
Tenho que ter música nos ouvidos
Mesmo que seja uma voz que já não mais exista
Mesmo que seja um sax gravado dum homem almado

Há muito cansado de estar morto mas que definiu como ninguém o que Devemos calar e tocar com fôlego

sábado, 28 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 28 de novembro de 2015 -- fósforo

fósforo

A Bernardo Souza

Algumas palavras colorem a dor
Algumas imagens dolorem a cor
Alguns, muitos, entendem e fingem que não é com eles
Alguns, poucos, me dão as mãos e tentam com olhares secar as lágrimas que as palavras deformam...


(E a vida segue nesse ritmo acendendo em mim muitas possibilidades...)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 27 de novembro de 2015 -- estivadores

estivadores

Quando consigo entrar no ritmo dum blues
Meu sorriso some mas meus olhos consomem a vida
Em lágrimas sinto o cheiro das avenidas apinhadas de carros gritando solidão
Buzinam necessidade de chamar atenção e somem tão rápido quanto todos sumiam quando me viam cuspindo rimas
Somos homens selvagens ou apenas soltamos grunhidos por vontade de esconder a sombra de árvore que temos?
Realmente queremos ser vencedores ou só queremos os olhares impossíveis nesse mundo suicida?

Gostamos da alegria ou apenas a usamos para disfarçar a tristeza implícita em nós animais conscientes do peso de carregar-nos até o fim sem ilusão? 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 26 de novembro de 2015 -- pesadelo

pesadelo

Temos a certeza de que o tempo é um só
Quando na verdade cada pessoa carrega seu próprio tempo
Enquanto digito alguns dormem
Enquanto durmo alguns engolem
Enquanto engulo alguns respiram
Enquanto respiro alguns choram
Enquanto choro alguns entopem
Enquanto entupo em algum canto

Em algum tempo morro por dentro

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 25 de novembro de 2015 -- dentes brancos

dentes brancos

Não é porque a vida seja fácil
Sorrimos
Justamente pelo contrário

Tentamos dentes brancos
Porque alguma clara ilusão deve nos salvar
Alguma ilusão deve nos salvar

Alguma ilusão

terça-feira, 24 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 24 de novembro de 2015 -- Roncador II

Roncador II

Embaixo dos meus pés tem um mundo
Que criei com olhos mirando as estrelas
Perto do umbigo tem um sentimento profundo de fome, pertencimento
Cimento do muro que no susto construí
Intuí que algumas palavras são mais do que armas
Destruí algumas falsas promessas
Concluí que somente com as pessoas certas poderia sonhar
Em viver a vida real pleno
Completo por rimas sons e tintas:
Imaginei imagens
Sonhei sons
Realizei rimas

E então passei a dormir

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 23 de novembro de 2015 -- Sal doce

Sal doce

À Angélica Plácido

Trago o mar dento de mim
E quero te afogar, sempre quis
Trago a essência das ondas em olhos que lacrimejam desejos
Sal sol céu sou eu sendo seu
Sempre serei saiba seu sim sempre
Saiba sim sempre sal
Afinal de doce o inferno já anda cheio
E não queremos engordar nossas histórias apenas
Queremos sangrar lembrando a memória do quanto podíamos juntos

(e vivemos...)

domingo, 22 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 22 de novembro de 2015 -- torcida

torcida

Toda vez que não escolho
Encolho
Deixo de fazer algo
E por não fazer
Deixo de aprender
No erro ou no acerto
Deixo de me investigar
Para saber até onde posso ir
E prefiro mentir
Dizendo estar pronto para qualquer parada
Parado debaixo da cama

Torcendo para lá fora a chuva parar de cair?

sábado, 21 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 21 de novembro de 2015 -- sonho do voo

sonho do voo

Num mundo de plantas pássaros devem voar
Mas não têm onde pousar pois tudo está tomado por sombras
Das folhas estáticas à acrobacia extática parece que todas as plantas torcem para que o pássaro caia

Esquecem-se porém que quem lhes dá vida é a semente transportada no sonho do voo

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 20 de novembro de 2015 -- princípios

princípios

Em gotas de palavras
Gotejo lágrimas
Rima fácil de difícil escrita
Tantos já tentaram sofrer sem saber como não marejar
Poucos conseguiram passar da primeira linha...
Dos que conseguiram alguns resultados pífios
Demonstraram o tamanho do desafio

Escrever o que todos sentimos do jeito que todos mentimos é uma questão menos de talento e mais de princípios

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Drummond: O poema das mãos soluçantes, que se erguem num desejo e numa súplica


Como são belas as tuas mãos, como são belas as tuas mãos pálidas como uma canção em surdina...
As tuas mãos dançam a dança incerta do desejo, e afagam, e beijam e apertam...
As tuas mãos procuram no alto a lâmpada invisível, a lâmpada que nunca será tocada...
As tuas mãos procuram no alto a flor silenciosa, a flor que nunca será colhida...
Como é bela a volúpia inútil de teus dedos...
O poema das mãos que não terão outras mãos numa tarde fria de Junho
Pobres das mãos viúvas, mãos compridas e desoladas, que procuram em vão, desejam em vão...
Há em torno a elas a tristeza infinita de qualquer coisa que se perdeu para sempre...
E as mãos viúvas se encarquilham, trêmulas, cheias de rugas, vazias de outras mãos...
E as mãos viúvas tateiam, insones, − as friorentas mãos viúvas...
O poema dos olhos que adormeceram vendo a beleza da terra
Tudo eles viram, viram as águas quietas e suaves, as águas inquietas e sombrias...
E viram a alma das paisagens sob o outono, o voo dos pássaros vadios, e os crepúsculos sanguejantes...
E viram toda a beleza da terra, esparsa nas flores e nas nuvens, nos recantos de sombra e no dorso voluptuoso das colinas...
E a beleza da terra se fechou sobre eles e adormeceram vendo a beleza da terra...


 

365 dias com poesia, 18 de novembro de 2015 -- exposição

exposição

Num quadro não há cor
Há dor dolorida de desejos
Cuspe de beijos partidos
Curvas partidas retas suprimidas
Brancos sujos
Vermelhos sangue com pingos de azul
Roxos hematomas tomates amarelos pimentões verdes
Florestas invisíveis
Num quadro abstrato há raro cheiro de vida
Síntese de estados alterados d’alma

Vários arrependimentos espremidos disfarçados visíveis aos olhos de quem também já se arrependeu de deixar de viver e ainda quer fazer algo que não seja esperar

terça-feira, 17 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 17 de novembro de 2015 -- Mar de raiva

Aos que falam de amor
Cuidado
Pode ser que uma simples rima desmonte seu raciocínio errático
Amor é doação
Entregar-se sem esperar nada em troca
Quando se dá esperando resposta não é amor
É dor de ter de curar suas expectativas arrastadas por um mar


Mar de raiva

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 16 de novembro de 2015 -- primeira muda

primeira muda

Sou um homem ou uma pedra?
Sou feito de barro e por isso detesto água?
Por isso tenho raízes que me imobilizam?
E fico parado vendo o mundo girar sem saber onde é o meu lugar?
E aí quero me destacar fazendo o quê?
Se sou um homem com princípios, meios e fim
Tenho de evoluir me movimentando sonhando em alcançar algo maior do que O galho da árvore que me dá o fruto
Tenho que cuspir sementes imitando os passarinhos
E dos desejos de floresta
Rir

Ao brotar da primeira muda

domingo, 15 de novembro de 2015

Cordel com a corda toda -- Projeto "Quem semeia sonho colhe poesia" do Colégio Ágora

Professores: Maraina Almeida, Derek Dantas e Luis Alberto
Formação do leitor: Dominnyck Espiuca
Coordenação de Arte e Cultura: Teti Coube

Autores:
Alicia Quinião
Ana Luísa Teixeira
Arthur Agostinho
Arthur Pereira
Carolina Aniola
Catarina Malta
Chandra Silva
Davi Ferreira
Francisco Alves
Francisco Vergara
Gabriel Carvalho
Helena Hoelz
Henrique Gouvea
João Gabriel Gomes
João Guilherme Jesus
Jão Vitor Bairral
Jonas Bacellar
Julia Severo
Juliana Gaspar
Luis Eduardo Filho
Luiz Gusttavo Magalhães
Maria Carolina Costa
Maria Eduarda Zampiroli
Mariana Ferreras
Mariana Nevôa
Mariana Mingatto
Miguel Thomé
Miguel Ferreira
Murilo Oliveira
Patrick Couto
Pedro Rocco
Rafael Albuquerque
Theo Medeiros
Thiago Plácido
Vicente Alarcão
Vinícius Cardoso


Como nascem os provérbios

Esses provérbios nasceram
Em frases bem resumidas,
Compreendidas por todos
Respeitada, conhecida;
Passada de pai para filho,
Geralmente dando brilho
Aos exemplos da vida.

Existem há vários séculos
Por esse mundo inteiro,
São alguns bem-humorados
Ou de sentido ordeiro;
Tornaram-se consagrados,
Por isso são estudados
Aqui e no estrangeiro.


Filho de peixe, peixinho é
Dizia o Coronel,
Com muita fé.

Coronel, que era militar
Sonhava poder ver a sua filha se formar.

Catirina cresceu,
Seu caminho escolheu.
Formou-se como militar,
Para seu pai agradar.

Sua mãe pedia para ela se cuidar,
Pois é melhor prevenir
Do que remediar.

O cangaceiro era um bom  soldado
E o Coronel o queria ao seu lado.
Sem pensar ou questionar,
O cangaceiro resolveu aceitar.

O exército estava pronto para batalhar, e todos enfrentar,
Maria Quitéria os interrompe
E começa a desfilar.
Todos, então, percebem
Que ela é uma perua de matar.


Uma história no Sertão

Era uma vez
Nas terras do sertão.
Andando pelas ruas
Um homem brincalhão.

Ele sabia
E não duvidava,
Que Deus ajudava
Quem cedo acordava.

Não há rosas sem espinhos,
Diz o dito popular.
Catirina o amava,
Sem ele desconfiar.

Ela morava com a mãe
Na capital,
E ele no sertão
Com o temido general.

A mãe de Catirina
Uma perua bem legal,
Não gostava daquele homem
O cabra macho do general.

Agora que já contei
Essa história para vocês,
Peço desculpas, sem demora,
Mas não posso contar outra vez.



A vila do sertão

A muito tempo atrás
Numa vila do sertão,
Morava um rapaz
Que tinha um bom coração.

Sabendo que iria chegar
Um gringo engraçado,
Mateus foi avisar
Correndo, apressado.

Maria Quitéria
Irmão do Coronel,
Ficou contente com a notícia
E contou para todo o quartel.

Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come.
Era fala insistente
De um homem de renome.
Não há dúvidas em dizer quem é este guerreiro
Pois estamos a falar do famoso justiceiro.

Aqui acaba a história
Dessa gente de bom coração,
Que com muita felicidade
Continuam a morar no sertão.



A traição

Foi no sertão
Terra distante e isolada,
Que o Coronel sabichão
Entrou numa cilada.

Convocou o cangaceiro
Para poder lhe ajudar.
Disse que com um provérbio
Ele iria lhe explicar.
Aquela situação,
Não podia continuar.

Quem ri por último ri melhor
Foi o provérbio citado,
O que o Coronel queria
Era ser logo vingado.

O cangaceiro partiu
Para a sua missão cumprir,
Avistou a assassina
E não pôde prosseguir,
Apaixonou-se por ela
Não teve como resistir.

Sabendo que o acordo
Estava sendo desfeito.
O cangaceiro com ela fugiu,
Ficando, assim, satisfeito.



Para lá e para cá

Veio lá do Norte
Buscando a sorte,
Um coronel forte
Com seu cavalo de grande porte.

Lá do Sul,
Vem um gringo deprimido.
Montado em seu jumento azul,
Torna-se destemido.

Vem lá do Leste,
A bela Maria Quitéria.
Com seu lenço azul-celeste
Foi viajar para a Sibéria.

Veio lá do Oeste
Um homem de bom coração,
Um lindo peão do agreste,
Mateus, o campeão.

A união faz a força.
É um dito bem conhecido,
Não importa o que faça
Desde que esteja comprometido.



O roubo do anel

Deus ajuda quem cedo madruga.
Dizia sempre o coronel,
Acordava muito cedo
E já ia para o quartel

Catirina estava lá,
Esperando o coronel,
Para poder denunciar
O roubo do seu anel.

A sua mãe perua
Não gostava do coronel,
Vivia falando pela rua,
Que ele era um homem cruel.

O gringo fez uma pegadinha,
Catirina se enfezou,
Ele deu uma risadinha
E para o coronel ela contou.

O coronel, muito zangado,
Queria com o gringo falar.
Foi procurá-lo, arrasado,
Para com ele brigar.



O sequestro

No interior do sertão,
O gringo mantinha um segredo.
E a senhora Leitão,
Permanecia sozinha e com medo.

O cangaceiro, muito ingrato,
Queria com o mistério acabar,
Vivia sempre chateado
Porque sua esposa queria encontrar.

Numa tarde ensolarada,
O senhor Leitão saiu decidido.
Colocou o pé na estrada
Com o seu coração partido.

Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje,
Era o pensamento que o guiava,
Durante o dia e durante  anoite.

No meio da viagem surgiu uma nova pista,
E o cangaceiro empolgado não a queria perder de vista.
Sabendo que o gringo era materialista,
Procurou o local mais exibicionista.

Lá, surpreendentemente, estava a sua querida esposa
Sozinha e assustada,
Dava dó da pobre moça.
O gringo ganhou uma bofetada,
E caiu numa enorme poça.



Lá no sertão

Este cordel começa lá no sertão,
Com uma perua extravagante
E um menino de bom coração.

Maria Quitéria, filha do Senhor Teixeira,
Era bela, metida e interesseira.
Além de rica e exuberante,
Usava anel com diamante.

Tão bela e insatisfeita,
De tudo ela reclamava.
Só ela era perfeita,
Nem o Mateus escapava.

Seu namorado está ciente,
Que ela não +e perfeita.
Talvez um pouco impaciente,
Mesmo assim ele a respeita.

O gringo na cidade chegou,
E a todos foi cumprimentar.
Maria por ele se encantou,
Já pensava com ele se casar.

Esbarrava em tudo,
Falava errado.
Esse gringo além de rico,
Era muito atrapalhado.

Maria percebeu que havia se enganado,
De tanto escolher,
Escolheu o cara errado.

E mateus, coitado,
Teve o coração partido.
Ficou desapontado
Por não ter sido escolhido.

Por sorte dela.
Ele a perdoou.
E com maria Quitéria,
Mateus se casou.

Vou terminar o cordel,
Com um lição.
Quem vê cara, não vê coração.





 


365 dias com poesia, 15 de novembro de 2015 -- Infinito

Infinito

Dizem que o Universo é infinito
Como vou morrer não acredito
E não acredito porque não sei pensar em nada que não morrerá
As árvores, quase todas, já morreram
Os pássaros, muitos, já morreram
Os rios, quase todos, já morreram
Meus amigos, alguns, se foram com o vento no rosto fico pensando como alguém consegue crer em algo infinito desculpem não tenho essa capacidade toda de abstração

Só sei o que sinto e meu coração sem ritmo palpita desejo de entender e sem entender sigo rindo da saudade extrema que um verso traz

sábado, 14 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

REAL Engenharia e Incorporações S/A.

Referência: Processo E-04/005/1142/2015
REAL Engenharia e Incorporações S/A.
CNPJ: 36.079.804/0001-75
Inscrição: 75.868.251

Sr. Inspetor,
Trata-se de pedido de baixa de inscrição, por procurador habilitado, conforme documento de fls. 06 a 21, com encerramento de atividades em 26/05/2015, com observância dos termos da Resolução SEFAZ 862, de 13/03/2015, por ter como atividade principal de CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS (doc. de fls. 05), CNAE 4120400, constante do anexo I da citada Resolução.
No dossiê do contribuinte – controle eletrônico colocado à disposição da fiscalização pela SEFAZ, documento de fls. 28, não consta nenhum registro.
Além disso, passo a discriminar as informações às fls. 24 a 26 prestadas pela própria Inspetoria:
1.         Dados cadastrais: Situação – HABILITADO; Registro Tributário: NORMAL;
2.         Livros fiscais autenticados: RE, RS, RUDFTO, RI e RAICMS;
3.         Notas fiscais autorizadas: NÃO;
4.         ECFS autorizados: NÃO;
5.         Parcelamentos: NÃO;
6.         Autos de Infração em aberto: NÃO.
Portanto, OPINO pelo deferimento da baixa da inscrição 75.868.251, desde 26/05/2015.
Ao setor de cadastro para a emissão de DASC de baixa.

À Consideração de V.Sa.

                                                           IRF 64.10, em 16/11/2015.

365 dias com poesia, 13 de novembro de 2015 -- o vento

o vento

 

mágoa de olhos
luz
caminho
de cores
num jardim
que cultivamos
nosso
dentro
vosso
sendo
tudo
o mundo
inteiro
interior
invento
o vento
sendo sensação

dum começo de sorriso possível

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 12 de novembro de 2015 -- paraíso

paraíso

Habito um jardim inventado
Com hálito de paraíso mas
Sem sorrisos
Pois com o peso das verdades rimadas

Que carrego como caráter

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

365 dias com poesia, 11 de novembro de 2015 -- cusparadas

cusparadas

 um monte de bocas aguadas...


plantas de uma natureza morta...


mudo?
que nada
continuo falando
na esperança tanta
de que as plantas
cresçam
à cusparadas 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Senise -- Plácido, poema: Velocidades

Velocidades

De frente para o passado...
De costas para o futuro...
Homem imperfeito
Sua memória é âncora ou vela?
Te permite lembrar mas te permite sonhar?
Te permite sonhar mas te permite realizar sabendo qual vocabulário usar?
Como saber, se estamos trocando o pneu do carro andando em alta velocidade?

A velocidade de nossa ilusão é tão grande quanto a velocidade da luz (chama que chamo esperanço)? 

Senise -- Plácido, poema: natureza humana

natureza humana

O andarilho não tem casa não tem tempo
O tempo se mede pelo tamanho das unhas e do cabelo

O andarilho só tem asas só tem cheiro
O cenho só se preocupa com a fome do momento

O andarilho é uma vontade de liberdade
De vento De sina Sem vaidade
Nos dá a oportunidade da bondade
De estender as mãos sem julgamentos

Apenas para deixá-lo bêbado de ar
Secando ao vento sua ilusão de liberdade
Sendo plenamente nossa natureza

Humana 

Senise -- Plácido, poema: urina

urina

 

a noite traz o sossego...
medo
do escuro
das imagens que ficaram guardadas
não sei onde
não sei ontem o que se passou
mas recordo?
é, a noite machuca utopias

estraçalha ilusões em
pedaços de sonhos

(n’algumas noites frias às vezes só a urina vem me esquentar)

Senise -- Plácido, poema; MACHO ALFA

MACHO ALFA

(Artista só lhe restam duas alternativas:
Ou numa obra de arte você arruma o mundo vil

Ou você o retrata com cuspe, gozo de homem viril) 

Senise -- Plácido, poema: juiz

juiz

Outra perspectiva do tempo

Como se o futuro fosse possível
E sendo um ar quente de falta de arrependimento
Porque os erros são apropriados
Como característica
Havendo um perdão implícito
Significativo
Um sotaque desavergonhado
Música para os próprios ouvidos
Sem julgamentos e com alinhamento de quem se é
Sem desejar ser ou ter algo de alguém
Uma satisfação com o próprio tamanho

Alcançado aos solavancos mas com emoção

Senise -- Plácido, poema: Penínsulas

Penínsulas

O mais bonito da arte
É o registro do esforço entre o sonho e a realidade
Efetivamente não nascemos para vivermos do tamanho que a vida real nos impõe
Uns abusam do álcool outros do exercício físico outros dos livros alguns das tintas na busca incessante de pretenderem crescer
Do espelho fogem como o diabo da cruz
Para não correrem o risco de se verem do tamanho físico que têm (alguns até são grandes mas o espaço que ocupam é pequeno)
Como somos por dentro?
Alguém quer saber?


(Somos ilhas ou penínsulas?)

Senise -- Plácido, poema: tãpero

Osescravosdavidarealnãosuportamaartenempodemsuportarporquenavidarealnãoépossívelerrareéoerroquedáotemperodoartistatãpero

Senise -- Plácido, poema: Elevador

Elevador

Vendo uma foto que tirei...

Um reflexo
Mistério
Um mistério
Reflexo
Dum desejo
Dum medo
Dum outro ser sorrindo?
O mundo indo
Subindo
Caindo
Findo

Nos põe para acreditar em algo maior do que nossas rotinas? 

Senise -- Plácido, poema: Sonhador

Sonhador

Este meu sonho:
Deixar de sonhar e realizar
Sujando as mãos de rimas
As camisas de cantigas
As orelhas de tintas
Porque dormi na melodia do sonho
E acordei na ilusão...


(Mundo repleto de espelhos em que os reflexos são sorrisos sinceros ?)

Senise -- Plácido, poema: areia da praia

areia da praia

Em lágrimas assobio uma oração
Palavras rimadas
Que como um desenho na areia da praia
Não ficarão
E não ficarão porque não são feitas para ficar

São apenas para terem existido assim como nós

Senise -- Plácido, poema: som dum sorriso

som dum sorriso

da boca estourada de asfalto
retiro ensinamentos
gritos suprimidos
ritmos signos carência

existência

cheiro de rua
flores selvagens
sons dum sorriso


canção em silêncio

Senise -- Plácido, poema: mundo de ilusão

mundo de ilusão


As regras sociais fazem parte do exercício da liberdade sem regras não saberíamos do que reclamar sem mar não haveria necessidades de braçadas sem noite o brilho das estrelas de nada adiantaria sem fome não trincaríamos os dentes e vomitaríamos poesia tudo é importante e nesse estágio civilizatório em que nos (des)encontramos não existe acessório tudo é principal um mendigo na esquina que pisca para um menino de apartamento sorri da falta de liberdade do que come todo dia mas não sabe que os micos que invadem a padaria também não estão sorrindo de quase nada o conhecimento às vezes atrapalha pois é ensinado com hierarquia aí o professor se inibe diante do mestre escritor e trata rápido de passar sua inibição adiante o contrário do que deveria fazer pois deveria ensinar ao aluno a não temer os grandes mostrando como eles também se viram pequenos diante da certeza dos que nada fazem e apenas sabem emitir opinião...emitir opinião...ah, grande mundo de ilusão!

Senise -- Plácido, poema: fauve

fauve

Vendo um quadro que pintei...

SELVAGEM
SIM
SELVAGEM
Homem com a coragem de enfrentar os medos
Os desejos
São a solução
Simples salvadora
Salvador sempre
Sempre sendo só
Porque os outros não gostam do cheiro da cor do tamanho
De quem enfrenta os próprios
MEDOS
Tom Gil Caetano Buarque de Holanda
Todos enfrentaram enfrentam enfrentarão
E magoaram magoam magoarão
Os sem noção do tempo

Que está se esvaindo a cada minuto...

Senise -- Plácido, poema: três vezes três

três vezes três

QUERO O ERRO!
Quero a visão do pincel na tinta na tela
Quero a visão da solidão impressa
Queria que o nove mal pintado fosse entendido
Como uma possibilidade de três vezes três de seis ao contrário
Queria um monte de coisas ao contrário!

Por isso rimo canto pinto em falsas imagens o absurdo da realidade 

Senise -- Plácido: binóculo

binóculo

Olhos olham
Olhos sobram
Olhos sombram

Pescoços tombam
Imagens de pés
Pendem
Sempre sigo sempre
Minto às vezes
Sopro suspiro simples
Curto a dor do sol
O sol sendo futuro
Heras em muros
Anunciam um jardim
Não sei onde estou
Nem quero saber
Só quero querer:


Sombras Sobras Olhos e Sóis

Senise -- Plácido, poema: O segredo dos seus olhos

O Segredo dos seus olhos

A Angélica Plácido

Feche a porta!
Entre e se desfaça de seus sonhos
Falemos da realidade
Que sangra
Que manca
Tenta nos pegar
Falemos dos nossos olhos cansados de tantas batalhas
Perdidas...
Mentira!
Estamos vivos e só isso já nos permite tentar alcançar o segredo dos nossos olhos
Se não tivermos medo das palavras:


TE (a)MO!

Senise -- Plácido, poema: círculo

círculo

A Andréa Cunha

Aceitação sim
Insatisfação também
O outro lado da moeda também é moeda
A vida é feita de desafios
De sins e nãos
Importa mais nossa reação
Às vezes os sins parecem fáceis mas nos afastam de quem somos
Às vezes os nãos parecem inaceitáveis mas nos mantém querendo
Conseguir algo além da

Imaginação 

Senise -- Plácido, poema: convidado

convidado

Vivemos pouco mais de oitenta anos
E por isso nos impressionamos com a solidão da imaginação?
Desejamos a verdade da realidade
Quando poderíamos apenas respirar aliviados pela sensação de poder errar
Destacamos os outros olhares diferentes dos nossos e então perdemos a vontade de crer nas nossas possibilidades?


(Assim perdemos o melhor da festa que é apreciar nosso olhar sobre a festa de como nos comportamos com os reveses na dança da vida como levantamos depois dum tombo como encaramos o espelho depois do sonho não realizado...)

Senise -- Plácido, poema: cego

cego

Por que Paris?
Porque a tristeza que sinto
Vem de uma música que nunca tinha ouvido de Aznavour
Porque é como se se tivesse vivido lá como se entendesse suas pontes sem tê-las construído
Como se sentisse doer nos olhos sua luz excepcional sem nunca ter podido olhá-la
Não é um conhecimento de livro nem de experiência
É um conhecimento de sentimento
E conhecimento de sentimento não precisa de palavras nem de imagens
Precisa apenas de crença

Crédulo amo Paris como a primeira vez que não a vi