terça-feira, 22 de julho de 2014

365 dias com poesia, 22 de julho de 2014 -- sacanagem



sacanagem

À memória de Carlos Frederico

Onde está aquele sacana que distribuía apelidos e cheirava bem a pampa?
Onde está aquele amigo de cabelos encaracolados, botas de cano alto e sorriso cirúrgico?
Onde está o sacaneta que adorava no futebol me dar bola debaixo das canetas?
Onde está o irmão que tive e que não esqueço?
Se estivesse aqui estaria triste em suas (in)certezas? Ou brigaríamos a muque pelas nossas (in)certezas extremas?


poema

(tinha feito um poema bonitinho
Em homenagem ao meu irmão
Mas
Estava muito racional demais e eu gosto de emoção
Ele não continha o peso da saudade de dezessete anos
E de repente essa saudade veio no meio da noite e me invadiu
As lágrimas procuravam os ouvidos
Que não queriam ouvir água
Queriam ouvir uma voz que já não lembro
E isso também é triste
De qualquer modo queria dizer para você meu irmão o quanto de saudade existe você sabe quanto Juan sofre? E Bruninho?
Andréa Angélica Luiz e os meninos também (e muito)
Mesmo sem te conhecer eles sentem sua falta e expressam isso nas poucas vezes em que tenho coragem de contar algumas de suas histórias (porque doí muito lembrar de você tão moço e sem poder ao menos te agarrar)
Luiz foi na festa de aniversário de Giló e foi beijado por todos os seus amigos que diziam sentir falta dele quando na verdade sentiam falta de você
Nosso pai então não há palavras para definir o quanto sua ausência afetou sua vida que ele leva com a coragem dos teimosos (Ele fez do escritório um santuário de fotos suas)
Tanta coisa aconteceu nesses dezessete anos (as crianças adoram meu amigo Luciano como te adoravam) espero somente que você esteja bem e espere por nós junto com a mamãe beijos e abraços em vocês e fiquem em paz)

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