quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: vista matinal

 18 septembre 1940 

vu matin


I
flammes pétrifiées des nuages angora suintant ses baves sur les briques liquides du ciel empestant les draps des vignes ☼ les pattes de la table mordant à la poitrine le soleil qui se traîne à sés pieds couvert de chaînes ☼
le canari de la harpe du bleu saupoudré sur la pâte à frire sonne l’heure à ses clochettes

II
croûtes du fromage des cheveux emmêlés des arbres qui s’évaporent sur la dalle du ciel pose sur les madriers du fleuve la laine qu’huile la lampe de ses narines du beurre de l’herbe caresse de sés doigts l’haleine emmaillotée qui tremble

III
aux quatre angles la fenêtre déchire le jour qui point et pan une pluie d’oiseaux morts frappé le mur et ensanglante la chambre de ses rires

vista matinal

I
chamas petrificadas nuvens da cor angorá babam nos tijolos líquidos do céu empesteiam o lençol das videiras ☼ os pés da mesa mordem o peito do sol que se arrasta aos seus pés coberto por correntes ☼ o canário da harpa azul espalha sobre a pata frita soa na hora anunciada

II
casca do queijo cabelos embaraçados árvores que somem na laje do céu pousado nas madeiras do rio a lã que acende a lâmpada de suas narinas qual manteiga de ervas carícia de seus dedos hálito nervoso

III

os quatro cantos da janela desejam o dia que aponta e guarda uma chuva de pássaros mortos que batem no muro e ensangüentam o quarto de risadas

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