quinta-feira, 24 de maio de 2012

Arturo Corcuera, BALADA DA ÚLTIMA OFERENDA

Me nego a que apodreçam estas veias
pelas quais meus pais e outros meus
navegam vindo de tão longe;
não quero um final assim para estes olhos
com os quais vejo e choro;
para estes pés
que bebem fatigados sobre a terra
a sede dos caminhos;
não se volverão carniça nem merenda
de vermes deste cérebro
nem este coração quando fiquem sem irrigação
imóveis;
nasceram meus braços para abraçar. Chegará o dia
de se abraçar; incinerai o que reste
deste corpo.
Não sabe fazer outra coisa senão arder,
Este é o seu destino,
Este será o incenso que oferecerei aos deuses


Tradução: Thiago de Mello.

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