quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MIGUEL GULLANDER,em Perdido de volta (6)

"...Fumei, bebi, dancei um pouco -- é a maravilha, sem factura, das relações casuais.
Causais.
Cada relação nada tem de casual, é a primeira peça dum dominó de consequências, invisíveis, talvez, para quem é cego. Mas, de casual, nada têm -- pelo contrário, são extremamente causais, disse-me aquela miúda deficiente da Ilha do Fogo.
Porque me dei ao trabalho de a ouvir e a deixei meter-me ideias bizarras na mente? Porque decidi ver como vive "o povo" e segui-lo pelas ruas duma cidade que não é minha, e não me interessa? Apenas faço o meu trabalho, e frequentemente nem isso..."

"...As coisas, quando são ditas pela metade, e o resto -- uma imagem, um fresco inteiro é implantado directamente na nossa mente, como por telepatia -- é difícil ficar indiferente. Ela conseguiu tirar-me, por longos instantes, da indiferença. Porque ela mostrou-mo.
Existe um limbo, um espaço intermédio, onde vão parar todos os epíritos perdidos, em potência, mas que foram recusados à vida -- que não foram queridos pelos pais. Crianças que foram concebidas numa raiz de furor ou indiferença, e depois foram colhidas antes de saírem para a luz....".

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