terça-feira, 14 de agosto de 2012

Gabriela Mistral, A CHUVA LENTA

Esta água medrosa e triste
como criança que padece,
antes de tocar a terra
desfalece.

Quieta a árvore, quieto o vento
e no silêncio estupendo
este fino pranto amargo
caindo.

O céu parece um imenso
Coração, que se abre amargo.
Não chove: é um sangue lento
E longo.

E dentro do lar os homens
Não sentem esta amargura,
Este envio de água triste
da altura.

Este longo e fatigante
descender de águas vencidas,
Para esta terra tendida
E transida.

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