segunda-feira, 27 de junho de 2011

GERALDO VIDIGAL, poeta

"ESPELHO

Entre nuvens de sombra e sóis de acaso,
Trago no lábio o espinho desta sede:
-- Fátuo fui eu, quando supus durável
o fogo-fátuo dos teus olhos verdes!

às vezes surges num clarão de tarde!
E murchas num contorno de parede,
Antes que eu possa, ansioso, debruçar-me
E em teus lábios matar a minha sede.

Mas -- água esquiva, fogo-fátuo! -- quando,
Na orfandade das noites silenciosas,
Teu hálito povoa o meu deserto,

Ergo-me, em transe, e bebo, delirando,
Orvalho em tuas mãos, ó irmã das rosas,
Espelho do fugaz, eco do incerto.".

Nenhum comentário:

Postar um comentário