domingo, 6 de dezembro de 2015

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: IMAGEM DE OURO

(47) IMAGEN DE ORO (03)

 


En un lejano pueblo de la Mancha
vivió la más purísima persona
un hidalgo de flauta azul por boca
y de ruda luciérnaga en el alma.

Fue don Quijote el cónsul de la espada
y el doctor incansable de la rosa
en su mente volaba la paloma
como vuelta la luz en la esmeralda.

Nunca temió morir y nunca nada
le detuvo y según cuenta la historia
su corazón era una copa de agua. (taça d’água)

Nunca falló su ronca voz de nácar
y como en lo perfecta era una hoja
sólo la muerte pudo marchitarla.


8 nuevos poetas chilenos -- 1939.

IMAGEM DE OURO

 

No povoado distante de la Mancha

viveu a mais pura pessoa

um fidalgo de flauta azul por boca

e rude vaga-lume n’alma.

 

Foi dom Quixote cônsul da espada

e doutor incansável da rosa

em sua mente voava a pomba

como a luz em volta da esmeralda.

 

Nunca temeu morrer e nunca nada

Lhe deteve e segundo conta a história

Seu coração era uma taça d’água.

 

Nunca falhou sua rouca voz de pérola

Ela era perfeita como uma pétala

Só a morte poderia machucá-la

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SUICÍDIO VIOLENTO

(46) SUICIDIO VIOLENTO (6)

 


Me muero por mi corbata
de rosa de sombra ardiendo,
si quiero que te lo diga,
me muero porque te quiero.

Sobre mi corbata reman
navios de mar y sueño,
de mi camisa levanta
gaviotas de luz el viento.

Me pongo con mis dos manos
el ancia del marinero,
farol de sangre revuelta
clavado en el pecho tengo.

Me muero porque me gusta
mi gorra de terciopelo,
y porque tengo un navio
de náufragos en el pecho.

Con esta corbata luna
te pego porque te quiero,
si quieres que yo me mate
me ahorco con tu pañuelo.


Cancionero sin nombre -- 1937.

SUICÍDIO VIOLENTO

 

Morro por minha gravata

de rosa de sombra ardente,

se quer que te diga,

morro porque te quero.

 

Sobre minha gravata remam

navios de mar e sonho,

de minha camisa se levantam

gaivotas de luz ao vento.

 

Uso minhas duas mãos

ânsia de marinheiro

farol de sangue revolto

cravado no peito tenho.

 

Morro porque gosto

do meu gorro de veludo

e porque tenho um navio

de náufrago no peito.

 

Com esta gravata lua

te pego porque te quero,

se quer que me mate

me enforco com teu lenço.

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: ALGUÉM ATRÁS DE MIM

(45) ALGUIEN DETRÁS DE MÍ (12)

 


lee cada palabra que escribo
por encima de mí hombro derecho
y se ríe desvergonzadamente de mis problemas
un señor de bastón y levita

miro pero no veo que haya nadie
sin embargo yo sé que me espían


Emergency poems-- 1972.

ALGUÉM ATRÁS DE MIM

 

lê cada palavra que escrevo

por cima de meu ombro direito

e ri desavergonhadamente de meus problemas

um senhor de bengala e sobrecasaca

 

olho mas não o vejo não há ninguém

no entanto eu sei que me espia

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SUPONDO QUE SEJA UM HOMEM PERFEITO

(44) SUPONGAMOS QUE ES UN HOMBRE PERFECTO (17)

 


supongamos que fue crucificado
supongamos incluso que se levantó de la tumba
-todo eso me tiene sin cuidado-
lo que yo desearía aclarar
es el enigma del cepillo de dientes
hay que hacerlo aparecer como sea


Emergency poems -- 1972.

SUPONDO QUE SEJA UM HOMEM PERFEITO

 

Supondo que foi crucificado

Supondo inclusive que se levantou da tumba

- tudo isso dito sem cuidado-

o que desejaria decifrar

é o enigma da escova de dentes que

há de aparecer como seja

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: XLVI PALAVRAS TEXTUAIS

(43) XLVI PALAVRAS TEXTUALES (55)

 


este país no tiene remedio
saben que son imbéciles y sonríen
Satisfechos
                 los pobres infelices
Tropa de sifilíticos alcohólicos
Por un hombre de buenos sentimientos
Un millón de huasos macucos

Ésa es la proporción
Especialistas
En herir al prójimo x la espalda
Nunca atacan de frente los cobardes
La puñalada siempre x la espalda
Pero a mí no me van a destruir
Estos mediocres
                         estos alacranes

Estos reptiles de ojos vidriosos

Tengo alas sras & sres
A París
            a Madrid
                           adonde sea
Lo + lejos posible
                            Para siempre!
No me quedo ni un día + aquí

Música maestro!...


Discurso de Cartagena -- 1993.

XLVI PALAVRAS TEXTUAIS

 

este país não tem remédio

sabem que são imbecis e sorriem

Satisfeitos

                        os pobres infelizes

Tropa de bêbados sifilíticos

Para um homem de bons sentimentos

Um milhão de índios matutos

 

Essa é a proporção

Especialistas

Em ferir ao próximo x espada

Nunca atacam de frente os covardes

A punhalada sempre vem x costas

Mas não vão me destruir

Estes medíocres

                                   estes escorpiões

 

estes répteis de olhos vítreos

 

Tenho asas sras & sres

Em Paris

                        Madri

                                   Onde seja

O + longe possível

                                   Para sempre!

Não nem + um dia aqui

 

Música maestro!...

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: O ÚLTIMO BRINDE

(42) ÚLTIMO BRINDIS (27)

Lo queramos o no
Sólo tenemos tres alternativas:
El ayer, el presente y el mañana.

Y ni siquiera tres
Porque como dice el filósofo
El ayer es ayer
Nos pertenece sólo en el recuerdo:
A la rosa que ya se deshojó
No se le puede sacar otro pétalo.

Las cartas por jugar
Son solamente dos:
El presente y el día de mañana.

Y ni siquiera dos Porque es un hecho bien establecido
Que el presente no existe
Sino en la medida en que se hace pasado
Y ya pasó...,
                   como la juventud.


En resumidas cuentas
Sólo nos va quedando el mañana:
Yo levanto mi copa
Por ese día que no llega nunca
Pero que es lo único
De lo que realmente disponemos.

Canciones rusas -- 1967.

O ÚLTIMO BRINDE

 

Querendo ou não

Só temos três alternativas:

O ontem, o hoje e o amanhã.

 

E nem sequer três

Como disse o filósofo

O ontem foi ontem

Nos pertence só na recordação:

Da rosa que já se desfolhou

Não se pode tirar mais nenhuma pétala.

 

As cartas por jogar

São somente duas:

O presente e o dia de amanhã.

 

E nem sequer dois Porque é um fato bem conhecido

Que o presente não existe

Senão na medida em que se fez passado

E já passou...

                        como a juventude.

 

Em resumo quantas

Vezes nos caem as manhãs:

Eu brindo com minha taça

A este dia que nunca chega

Por ser único


O único de que realmente dispomos.

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SÓ PARA MAIORES DE CEM ANOS

(41) SÓLO PARA MAYORES DE CIEN AÑOS (28)


Sólo para mayores de cien años
Me doy el lujo de estirar los brazos
Bajo una lluvia de palomas negras.

!Pero no por razones personables!

Para que mi camisa me perdone
Faltan unas cuarenta primaveras
Por la falta absoluta de mujer.

Yo no quiero decir obscenidades
Las groserías clásicas chilenas
Si la luna me encuentra la razón
Eternidade en ambas direcciones.

Por la falta absoluta de mujer.

!O perdonan las flatas de respeto
O me trago la sangre de narices!

Hago volar las reliquias al sol
Estornudo con gran admiración
Hago la reverencia con dolor
Esa misma que hice en Inglaterra
Un ataúd que vomitaba fuego.

Yo doy diente con diente en las esquinas
Qué seria de mí sin ese árbol
A disfrutar del espasmo sexual.

Disimulo mis llagas a granel
Yo me río de todas mis astucias
Porque soy un ateo timorato.

Yo me paso de listo por el cielo
Sólo quiero gozar un Viernes Santo
Para viajar en nube por el aire
En dirección del Santo Sepulcro.

Sólo para mayores de cien años
pero yo no me doy por aludido
Porque yarde o temprano
Tiene que aparecer
Un sacerdote que lo explique todo.


Versos de salón -- 1962.


SÓ PARA MAIORES DE CEM ANOS

 

Só para maiores de cem anos

Me dou o luxo de esticar os braços

Sob uma chuva de pombos negros.

 

Mas não por razões pessoais!

 

Para que minha camisa me perdoe

Faltam umas quarenta primaveras

Pela falta absoluta de mulher.

 

Eu não quero dizer obscenidades

As clássicas grosserias chilenas

Se a lua encontra a razão

Eternidade em ambas as direções.

 

Pela falta absoluta de mulher.

 

Me perdoem a falta de respeito

Mas trago sangue nas narinas!

 

Faço voar relíquias ao sol

Espirro com grande satisfação

Faço reverência com dor

Essa mesma que fiz na Inglaterra

Um caixão que vomitava fogo.

Bato dentes com dentes nas esquinas

O que seria de mim sem essa árvore

A desfrutar do espasmo sexual.

 

Dissimulo minhas chagas a granel

Rio de minhas astúcias

Porque sou um ateu timorato.

 

Me faço de fácil para o céu

Só quero gozar mais uma sexta Santa

Para viajar numa nuvem pelo ar

Em direção ao Santo Sepulcro.

 

Só para maiores de cem anos

Mas não me dou por incluído

Porque cedo ou tarde

Tem que aparecer

Um sacerdote que explique tudo.