domingo, 6 de dezembro de 2015

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SONETO

(40) SONETO (02)

 

He bajado cantando del olivo
como el pájaro puro del silencio
con un río de pláta en el oído
y un caballo de flores en el pecho.

De mi traje celeste de marino
se levanta la luna como un trébol
soy el joven del mar, soy el bandido
suave del caracol aventurero.

De un país de palomas he venido
solitario de ángel indefenso
el corazón abierto en abanico
y a mi lado la rosa, como un perro.

Sólo que ayer llegué con el antiguo
fluir azul eterno de los vientos
ayer no más llegué, mas hoy dormido
bajo un techo de líquenes me encuentro.

Ya la palabra pura del rocío
que me llama la oigo como en sueños
en un campo de nieve me he perdido
y en él me quedaré, de blanco, muerto.



8 nuevos poetas chilenos -- 1939.

SONETO

 

Cantando larguei a azeitona

Como um pássaro puro o silêncio

Com um rio de prata no ouvido

E um cavalo de flores no peito.

 

De meu traje celeste de marinheiro

se levanta a lua como um trevo

sou o jovem do mar, sou o bandido

suave caracol aventureiro.

 

Dum país de pombos vim

solitário anjo indefeso

Coração aberto ventilado

E ao meu lado a rosa, como um cão largado.

 

Só ontem cheguei com o antigo

fluir azul eterno dos ventos

ontem não mais cheguei, mas dormi

embaixo dum teto de limo me encontro.

 

Com a palavra pura do rócio

que me chama e a ouço como nos sonhos

em um campo de neve perdido

nele caindo, de branco, morto.

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SE PASSARAM ESSES TEMPOS

(39) 0 PASARON ESOS TIEMPOS (51)

 


Vinieron otros peores
Hoy estamos de vuelta de todos los archipiélagos
O de casi todos
El respetable público dirá
Aprendida la lección de Huidobro
Los Centenarios cuando no dan vida matan
Fin al enfrentamiento
Quiero creer que ése es su mensaje
Mensaje de mensajes
Enfrentamiento
                      sinónimo de extinción


Discurso de Cartagena -- 1993.

SE PASSARAM ESSES TEMPOS

 

Vivemos outros piores

Hoje estamos de volta de todos

Ou de quase todos os arquipélagos

O respeitável público dirá

Aprendida a lição de Huidobro

Os Centenários quando não dão vida matam

Fim do enfrentamento

Quero crer que essa é a mensagem

Mensagem das mensagens

Enfrentamento

                                   sinônimo de extinção   

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: TOTAL ZERO

(38) TOTAL CERO (53)

 


Todo se redujo a nada
Y de la nada va quedando poco


Oremus

El error consistió
En creer que la tierra era nuestra
Cuando la realidad de las cosas
es que nosostros somos

                                      de

                                            la

                                                 tierra


Discurso de Cartagena -- 1993.

TOTAL ZERO

 

Tudo se reduz a nada

E do nada vai caindo um pouco

 

 

Oremos

 

O erro consistiu

Em crer que a terra era nossa

Quando na realidade das coisas

Nós é que somos

                                   da

                                               terra

365 dias com poesia, 06 de dezembro de 2015 -- Orvalho

Orvalho

Honra
Hoje
Ora

Hoje
Olhos 
Ontem
Ombros

Olhem
Orem

Homo sapiens
Honrado
Horas


Orvalho

sábado, 5 de dezembro de 2015

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: ISTO TEM QUE SER UM CEMITÉRIO

(37) ESTO TIENE QUE SER UN CEMENTERIO (18)

 


de lo contrario no se explicarían
esas casas sin puertas ni ventanas
esas interminables hileras de automóviles

y a juzgar por estas sombras fosforecentes
es probable que estemos en el infierno

debajo de esa cruz
estoy seguro que debe haber una iglesia


Emergency poems -- 1972.

ISTO TEM QUE SER UM CEMITÉRIO

 

do contrário não se explicariam

as casas sem portas e sem janelas

essas intermináveis fileiras de automóveis

 

e a julgar por essas sombras fosforescentes

é provável que estejamos no inferno

 

debaixo dessa cruz

tenho certeza que há uma igreja

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: SETE

(36) SIETE (11)

 


son los temas fundamentales de la poesía lírica
en primer lugar el pubis de la doncella
luego la luna llena que es el pubis del cielo
los bosquecillos abarrotados de pájaros
el crepúsculo que parece una tarjeta postal
el instrumento músico llamado violín
y la maravilla absoluta que es un racimo de uvas


Emergency poems -- 1972.

SETE

 

são os temas fundamentais da poesia lírica

em primeiro lugar o púbis da donzela

logo a lua cheia que é o púbis do céu

os bosques abarrotados de pássaros

o crepúsculo que parece um envelope aéreo

o instrumento do músico chamado violino

e a maravilha absoluta que é um cacho de uva

Nicanor Parra -- Plácido, poema traduzido: QUANTAS VEZES VOU REPETIR O MESMO

(35) !CUÁNTAS VECES VOY A REPETIR LO MISMO! (20)

 


Compren insecticida
Saquen las telarañas del techo
Limpien los vidros de las ventanas
!están plagados de cagarrutas de moscas!
Eliminen el polvo de los muebles
Y lo más urgente de todo:
hágame desaparecer las palomas:
!todos los días me ensucian el auto!

!Dónde demonios me dejaron los fósforos!


Obra gruesa, la camisa de fuerza -- 1962-68.

QUANTAS VEZES VOU REPETIR O MESMO

 

Comprem inseticidas

Retirem as teias de aranha do teto

Limpem os vidros das janelas

Estão cobertas de cocôs de moscas!

Eliminem a poeira dos móveis

E o mais urgente de tudo:

Façam desaparecer os pombos:

Todos os dias elas sujam meu carro!

 

Onde demônios deixaram os fósforos!