quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: zangão

11 octobre 1936 

I

☼ portant nouée à son cou en écharpe une baignoire remplie d’eau bouillante ☼ portent nouée à son cou en écharpe une armoire à glacê remplie de linge sale ☼ portant nouée à son cou en écharpe la table de la salle à manger servie pour le déjeuner la napple en flammes


II

dame de chevet colombe remplie d’eau claire au plumage liquide éclairée par une image brûlant l’huile des ruches


I

☼ usando atada ao pescoço uma encharpe banheira cheia d’água fervente ☼ usando atada ao pescoço uma encharpe armário com espelho cheio de roupa suja ☼ usando atada ao pescoço uma encharpe mesa de jantar serve para o almoço toalhas em chamas


II


dama da cama pomba cheia d’água clara na plumagem translúcida húmida por uma imagem brilhante óleo de favo de mel

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: ballet de moscas

 (septembre) 1936 

si l’attendrissant souvenir du verre brisé dans son oeil ne sonne l’heure à la cloche qui parfume le bleu si las d’aimer de la robe soupirante qui l’enveloppe le soleil qui pourrait d’un moment à l’autre éclater dans sa main rentre ses griffes et s’endort à l’ombre qui dessine la mante religieuse grignotant une hostie mais si la courbe qu’agite la chanson pendue au bout de l’hameçon s’enroule et morda au coeur le couteau qui la charme et la colore et le bouquet d’étoiles de mer crie sa détresse dans la coupe le coup de langue de son regard éveille la ratatouille tragique du ballet des mouches dans le rideau de flammes qui bout sur le bord de la fenêtre


se a terna lembrança do copo quebrado em seu olhar não soa a hora no sino que perfuma a tristeza se o lamento de amor do seu suspirante robe que envolve o sol pode a qualquer momento estourar na sua mão que recolhe as garras e adormece à sombra que desenha na manta religiosa roedora de hóstia se da curva que agita a canção pendurada na ponta do anzol enrolado e mordido coração a navalha encanta e colore o buquê de estrelas do mar grita sua angústia na taça o olhar magoado desperta o trágico ballet de moscas cortina de chamas que apontam o fim da janela

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: touro e aranha

20 mai 1936

ah si l’oiseau fait des guirlandes des heures endormies dans le ventre de l’araignée de bronze pouvai faire sa friture d’étoiles au fond de l’air de la mer des chiffres aux coups en colère des boucs vêtus de plumes et chanter sur le fil télégraphique rose de l’oeil de l’oeuf bleu de l’écharpe attachée au clou ardent planté exactement au milieu du front entre les cornes de la tête du toro quel silence

ah se o pássaro fizesse guirlandas das horas adormecidas no ventre (d)a aranha de bronze podia fazer sua fritadas d’estrelas no fundo do ar do mar chifres golpes de cólera bodes vestidos em plumas

e se cantasse sobre o fio do telégrafo rosa de olho de ovo azul encharpe atacando o prego ardente plantado exatamente no meio da fronte entre os cornos da cabeça do toro silente

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: corolário

  9 avril 1936 

(I)

c’est le ton vert amande mer à boire rire giroflée coquille fêve vitre nègre silence ardoise corollaire nèfle pitre

(II)

c’est à mer rire coquille à boire giroflée ton amande nègre fève vitre silence ardoise le vert pitre corollaire

(III)

vitre nègre silence mer ardoise ver fève à rire c’est le giroflée coquille pitre ton corollaire

(IV)

nègre fève silence vert coquille ardoise ton amande mer giroflée le vitre corollaire c’est à rire

(V)

corollaire c’est ton rire coquille mer giroflée ardoise le vert nègre silence vitre amande
 (I)

tom verde amêndoa mar a beber riso goivo concha fava vidro negro silêncio de lousa corolário: nêspera graciosa

(II)

mar riso concha a beber goivo tua amêndoa negra fava vidraça silêncio ardósia verde, gracioso corolário

(III)

vidro negro silêncio mar ardósia verde fava a rir goivo concha, gracioso teu corolário

(IV)

negra fava silêncio verde concha ardósia tom amêndoa mar goivo vidro corolário a rir

(V)


corolário teu riso concha mar goivo ardósia verde negro silêncio vidraça amêndoa

365 dias com poesia, 06 de agosto de 2015 -- ilesos

ilesos

Quem está aqui ao meu lado me esperando errar?
Quem irá me perdoar quando o quadro pingar inveja calúnia difamação?
De quantas mãos precisamos para nos carregarmos acesos?
Sairemos ilesos de tudo o que nos dá medo e que nos define?


(Quem disse que a vida é simples?) 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: tarde sangrenta

28 décembre 1935 


à cheval sur cette après-midi qui s’en va traînant ses tripés et sont foie sur le lac de myosotis ouvert à toute volée soutenant dans mes bras ces deux ailes brisées au tambourin des cris je me promène quand soudaiment la cigarette s’enroule comme une folle à mon doigt et me mord jusques au sang


a cavalo sobre a tarde que segue arrastando tripas e fígado sobre o lago de miosótis aberta a todos os desejos sustentando nos braços duas asas e o ritmo de meus gritos divago quando de repente o cigarro se enrola como um louco no meu dedo e me morde até sangrar

Projeto Plácido e Pablo -- Revisado -- Poema: imagem asa

9 décembre 1935 

l’aile ronde du plus petit aumône la couleur se contente
la main qui ronge ne jouons pas alors
la fleur qui crie je ne veux pas je ne veux pas
l’odeur desesperante ne voulez pas si vous
sa raison s’épouillant mais pas longtemps flotte
la lumière elle a sa cachette au soleil deux mètres de plus avec
dépasse d’une tête le bord de la fenêtre est faux archifaux
il mais si le courage lui manque la couleur se contente
il est faux archifaux alors dépasse d’une tête
avec deux mètres de plus si vous lumière elle
flotte mais pas longtemps flotte sa raison s’épouillant
si vous ne voulez pas avec l’odeur desesperante je ne veux pas il la fleur qui crie alors ne jouons pas mais si le courage la main qui ronge
la couleur se contente du plus petit aumône dépasse d’une tête l’aile ronde

a asa voa ao redor da esmola a cor se contenta (com)
a mão que rumina que não brinca (com)
a flor que grita: eu não quero eu não quero
o odor desesperado não quero: somente o seu
sua razão se apequena por muito tempo bóia
a luz se esconde do sol (a) mais de dois metros
duma sombra na borda da janela é falso falsíssimo
ainda mais quando a coragem zomba dele a cor se contenta (com)
sua falsidade ultrapassada por uma sombra
com mais de dois metros você é a luz
bóia por muito tempo bóia sua apequenada razão
se você não (me) quer com odor desesperado eu não quero a flor que grita
então não brinque mas se a coragem da mão que rumina
a cor se contenta com a esmola imagem elevada asa que rumina
ram maré