segunda-feira, 5 de maio de 2014

365 dias com poesia, 05 de maio de 2014 -- tempos modernos



tempos modernos


Seis anos e alguns séculos de poesia...


Nos tempos modernos, os jovens artistas plásticos -- animados por Warhol e Duchamp, entre outros – já sabem que mais importante do que talento e técnica é ter motivo, o chamado conceito do trabalho.
Por isso, mesmo aos quarenta e oito anos, quando comecei a pensar em pintar, vi que tinha o principal para fazer arte plástica: tinha um motivo, que é a consciência da humanidade, ofertada a mim pela vida, infelizmente, com a morte do meu irmão, aos trinta anos, em 22/07/1997.
Foi essa consciência extrema da morte e a conseqüente necessidade de viver a vida, sem adiamentos, que me impulsionou a escrever o poema Frederico, que logo virou música, e em breve dará nome a um quadro... Bom, sem maiores delongas, com vocês o primeiro poema:

FREDERICO

Depois que você partiu
Difícil foi prosseguir
Mas continuar é preciso
Como é preciso amar
Como é preciso ensinar uma criança a andar, falar, comer...
Como é preciso aprender a caminhar
Sem rumo e sem vontade.
Só.
Depois que você partiu
Difícil foi prosseguir
Nada se mostrava
Interessante era
Pensar em você aqui
Junto aos seus
Que sempre te quiseram --
Querem, por perto
Apesar de quase sempre
Negar a palavra
Do afeto
Esquecida.
Lágrimas vertidas
Enxugadas em sangue e suor.
Sem você tudo mudou
Todos estamos
Condenados a esperar
o enlace final
que a seu tempo chegará
Então aprenderemos
Juntos
A amar, caminhar, navegar....
Com prumo e com coragem
Rumo a você, meu irmão Frederico.

Niterói, em 05/05/2008

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