terça-feira, 1 de setembro de 2015

Perdão, próxima música

Perdão

 

 

concentre a mente no momento presente
concentre a mente no presente                                     X2

presenteie o momento presente com a mente
presenteie o momento presente com a mente            X2

no momento concentre a mente no presente
no momento concentre a mente no presente

ESQUEÇA O FUTURO!

PERDOE O PASSADO!

Philip Roth, escritor americano, sobre o ato de escrever

" Escrever é estar sempre errado. Todos os nossos rabiscos contam a história de nossos fracassos. Nâo tenho mais a energia da frustração, nem a força de me confrontar. Porque escrever é se frustrar: passamos todo nosso tempo escrevendo a palavra errada, a frase errada, a história errada. Nos enganamos sem parar, falhamos sem parar, e assim precisamos viver em uma frustração perpétua. Passamos o tempo dizendo a nós mesmos: isso não está funcionado, preciso recomeçar. Agora estou numa fase diferente da minha vida: perdi toda forma de fanatismo. E não sinto nenhuma melancolia.". (O Globo, de 10/11/2012).

Affonso Romano de Sant'Anna, A voz da poesia

A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem. Ou: a poesia é quando se está à beira de si mesmo. Cair em si, sem se perder, ou achar-se do outro lado de si mesmo. Isto exige perícia. Pois há que ouvir sons, ruídos, mensagens que fluem também do lado de fora, no exterior.

Certa vez fiquei duas horas sobre as pedras do Arpoador, à toa, apenas ouvindo o mar. O marulhar do mar. O marulhar da alma. É preciso uma certa ousadia para se ouvir o nada. O nada é onde tudo começa. É de onde surge a voz da poesia.

Estranha relação entre o eu e o mundo. O pessoal e o social. Há de haver uma orquestração.

Não é de uma valia ficar chorando pelos cantos. O choro pessoal ainda não é poesia. Tem que haver algo mais: converter-se em coro. Por isso a voz do poeta é uma voz de utilidade pública. Quando não sabemos como dizer certas coisas, pedimos a voz do poeta emprestada e entoamos uma verdade simbólica.

Rainer Maria Rilke, poeta alemão, pediu emprestado um castelo para, isolado, ouvir melhor o que os querubins lhe diziam.
Victor Hugo foi para as ruas e barricadas ouvir a voz do tempo.
Rimbaud, de repente, calou-se para sempre. Ficou mudo. Um zumbi perdido nos desertos africanos. Sem voz.
Quando Orfeu soava seus versos, as bestas mais ferozes se acalmavam e até as pedras o entendiam.

Como cada pássaro tem um canto especial, o poeta tem que descobrir qual a sua voz interior. Não se pode cantar com a voz do outro.

Claro que alguns, na literatura e na vida, começam imitando o canto alheio. É um aprendizado.

Camões ouvia Virgílio e Homero. João Cabral de melo Neto começou ouvindo Carlos Drummond.

Na música popular a mesma coisa: Dalva de Oliveira gerou Angela Maria. Mas João Gilberto não pode cantar como Orlando Silva ou Nelson Gonçalves. Ou vice-versa.

Cada qual no seu canto. Na sua voz.

E já que ouvir a voz interior é um risco, alguns a ouvem, e desesperam. Outros tapam os ouvidos. Enchem sua vida de ruídos espetaculares.

O múisco (como o poeta) faz falar o espaço em branco. Faz falar o indizível. Pausa a múisca. Música é pausa no ruído cotidiano. Música é a salvação do ruído.

E como esse mundo ficou barulhento, meu deus!

E se poesia é voz oculta sob prosa, em certas épocas a voz do cantor e do poeta são perigosas.

Eles fazem falar o silêncio, o que foi calado, reprimido.

As ditaduras nos dão estranhas lições de poesia.

repito: poesia exige um silêncio abismal.

Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se.

Nietzsche, sobre os poetas

Se, em tudo que faz, ele considera a falta de propósito final do homem, sua atividade assume a seus olhos o caráter de desperdício. Mas sentir o nosso eu exatamente tão desperdiçado como humanidade (e não apenas como indivíduo) quanto vemos desperdiçada a flor única da natureza é um sentimento acima de todos os outros. Mas quem é capaz disso? Certamente só um poeta, e os poetas sempre sabem consolar-se.

FLUENTE OU INFLUENTE?

(IN) fluente! Porque escrevo o que sinto e sinto muito não ter como dar maiores explicações.
Tudo, todos nos atingem e só atingimos o cume se prestarmos atenção aos nossos anseios.
Creio em Deus, pai todo poderoso (?), então é sorte ter chegado no estado latente de emancipação do meu eu (?). Seu domínio é nenhum ou alguém quer arriscar segurar as rédeas da própria vida?
Querido, querida é adjetivo utilizado e pouco vivido. Vivo, sim, vivo no perigo de escrever o que penso. E olha que penso um bocado e escrevo outro. Com Pessoa, sei, o outro não existe, mas os poetas insistem em inventar com quem conversar.
Tecer, criar a árvore, o cheiro do fruto... Crio um mundo, pois sou criador, brinco com ela... da saudade me fiz caçador.
Aperfeiçoei meu faro, fino trato com palavras que são asas, borboletas, ex-lagartas...desbaratam a solidão.
Essa a verdadeira intenção do poeta, brincar de viver, escrevendo uma história cujos laços nos liguem ao presente sem esquecer o último passo, cultivando um jardim sem muros chamado futuro.

365 dias com poesia, 01 de setembro de 2015 -- SILÊNCIO OLHAR AZUL

SILÊNCIO OLHAR AZUL

 é o silêncio da solidão do astronauta na lua olhando a terra azul. É a descoberta da verdade científica que muda tudo, que, mudo, muda o silêncio do homem que se descobre só. Solidifica a sensação tênue que aqui na Terra temos com quem conversar. De lá tudo é azul, um solitário silêncio azul dum homem que se dá conta que para viver não adianta se afastar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

365 dias com poesia, 31 de agosto de 2015 -- olha setembro

olha setembro

olha setembro está chegando está cegando de vontade de saber quanto tempo ainda falta para saber quem sou e o que estou fazendo aqui
olha setembro está batendo na porta e ainda olho desconfiado o que sinto? Como posso desconfiar de mim?
Sendo assim acho melhor inventar uma melodia triste e não colocar palavras para tentar despistar a falta de alegria?

olha setembro está chegando cegando ensurdecendo-me de melodias que rimo e sorrio sem som