sorryso
Nunca vi tanta tristeza
Nos olhos de um menino que não sabia que eu o via
E ouvia as histórias que ele não conseguia contar
Porque estava tentando sobreviver
Ao invés de sonhar
Tentava sobreviver
Como tentamos todos
Tolos quando esquecemos de ouvir
O barulho de gemido que emitimos
Ao fingirmos um sorriso
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
terça-feira, 11 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
365 dias com poesia, 10 de junho de 2013 -- sombra de humanidade
sombra de humanidade
a bondade
de bonde foi embora
para uma rua de paralelepípedos
de Santa Teresa
se escondeu
do mundo de hoje
como uma criança (não) se esconde
da mula-sem-cabeça do saci pererê ou da cuca
tentando sobreviver
em lágrimas
procurou se esfriar
em palavras
tentou traçar um mapa
que a levasse
àquela árvore
que ouvia a avó contar
frondosa natureza
que salvou com sombra sua humanidade
marcada em lembranças
a bondade
de bonde foi embora
para uma rua de paralelepípedos
de Santa Teresa
se escondeu
do mundo de hoje
como uma criança (não) se esconde
da mula-sem-cabeça do saci pererê ou da cuca
tentando sobreviver
em lágrimas
procurou se esfriar
em palavras
tentou traçar um mapa
que a levasse
àquela árvore
que ouvia a avó contar
frondosa natureza
que salvou com sombra sua humanidade
marcada em lembranças
domingo, 9 de junho de 2013
365 dias com poesia, 09 de junho de 2013 -- Inferno
Inferno
Ouvindo Invierno Porteño, de e com Astor Piazzolla
Quantas emoções resistem a um aperto no peito
Dum abraço sofrendo?
Em quantos suspiros definimos nossos riscos de vida?
Sabedores da malícia quando poderemos deixar de duvidar?
É certo sempre querermos acertar?
Uma melodia nos incita ou só sofremos quando queremos?
Quando iremos parar de apostar contra nossos desejos?
Ouvindo Invierno Porteño, de e com Astor Piazzolla
Quantas emoções resistem a um aperto no peito
Dum abraço sofrendo?
Em quantos suspiros definimos nossos riscos de vida?
Sabedores da malícia quando poderemos deixar de duvidar?
É certo sempre querermos acertar?
Uma melodia nos incita ou só sofremos quando queremos?
Quando iremos parar de apostar contra nossos desejos?
sábado, 8 de junho de 2013
365 dias com poesia, 08 de junho de 2013 -- cáries
cáries
difícil transformar segredos
em palavras
como tais
preferem ficar
incógnitos
pingando autocomiseração
quando expostos
são como ossos quebrados
dentes cariados
à exposição
fatos concretos
demais corretos
na conta corrente do poeta
que esfrega a testa com a preocupação de estar entregando ouro ao bandido deixando como todos de mentir para se nutrir do néctar da verdade
que ilustra o tamanho da arte que é entregar-se ao ato de desvendar-se
difícil transformar segredos
em palavras
como tais
preferem ficar
incógnitos
pingando autocomiseração
quando expostos
são como ossos quebrados
dentes cariados
à exposição
fatos concretos
demais corretos
na conta corrente do poeta
que esfrega a testa com a preocupação de estar entregando ouro ao bandido deixando como todos de mentir para se nutrir do néctar da verdade
que ilustra o tamanho da arte que é entregar-se ao ato de desvendar-se
sexta-feira, 7 de junho de 2013
365 dias com poesia, 07 de junho de 2013 -- formigas gigantes
formigas gigantes
toda vez que estou desanimado leio alguns poucos comentários sobre o meu trabalho de amigos diletos quase secretos diante da massa de ignorância que nos permitimos aturar e são esses pequenos gestos de sombra de prédios que me soerguem me tornam um gigante pensando no tamanho das formigas que somos quando nos deixamos desperdiçar em migalhas
toda vez que estou desanimado leio alguns poucos comentários sobre o meu trabalho de amigos diletos quase secretos diante da massa de ignorância que nos permitimos aturar e são esses pequenos gestos de sombra de prédios que me soerguem me tornam um gigante pensando no tamanho das formigas que somos quando nos deixamos desperdiçar em migalhas
quinta-feira, 6 de junho de 2013
365 dias com poesia, 06 de junho de 2013 -- bailarina
bailarina
À Maritza Rodrigues
Calma
Bailarina
Sabedoria fria
Em olhos descobertos
Para descobertas
Cabelos ao vento em música de momentos
Intensos
Raiz de cruz
Pés nus
Para a dança da vida
À Maritza Rodrigues
Calma
Bailarina
Sabedoria fria
Em olhos descobertos
Para descobertas
Cabelos ao vento em música de momentos
Intensos
Raiz de cruz
Pés nus
Para a dança da vida
quarta-feira, 5 de junho de 2013
365 dias com poesia, 05 de junho de 2013 -- e-ternos
e-ternos
Esse jardim que vejo daqui não é eterno
Mas é terno
Cheio de flores azuis
Que brinquei com Quintana
Disse a ele:
“Mário, estuário
Menino levado
Rei dos azuis metais em dedos de asas
De passarinho que declara o tamanho
Da vida
Num encontro de pequenas rimas...”
E ele respondeu:
“Marco, nada plácido
És amargo e ácido
Na medida em que seus olhos ariscos de menino
Tentam suplantar o risco...doce azul...”
(...e entre flores continuo a plantar conjunções!)
Esse jardim que vejo daqui não é eterno
Mas é terno
Cheio de flores azuis
Que brinquei com Quintana
Disse a ele:
“Mário, estuário
Menino levado
Rei dos azuis metais em dedos de asas
De passarinho que declara o tamanho
Da vida
Num encontro de pequenas rimas...”
E ele respondeu:
“Marco, nada plácido
És amargo e ácido
Na medida em que seus olhos ariscos de menino
Tentam suplantar o risco...doce azul...”
(...e entre flores continuo a plantar conjunções!)
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