terça-feira, 11 de junho de 2013

365 dias com poesia, 11 de junho de 2013 -- sorryso

sorryso


Nunca vi tanta tristeza
Nos olhos de um menino que não sabia que eu o via
E ouvia as histórias que ele não conseguia contar
Porque estava tentando sobreviver
Ao invés de sonhar
Tentava sobreviver
Como tentamos todos
Tolos quando esquecemos de ouvir
O barulho de gemido que emitimos
Ao fingirmos um sorriso

segunda-feira, 10 de junho de 2013

365 dias com poesia, 10 de junho de 2013 -- sombra de humanidade

sombra de humanidade


a bondade
de bonde foi embora
para uma rua de paralelepípedos
de Santa Teresa
se escondeu
do mundo de hoje
como uma criança (não) se esconde
da mula-sem-cabeça do saci pererê ou da cuca
tentando sobreviver
em lágrimas
procurou se esfriar
em palavras
tentou traçar um mapa
que a levasse
àquela árvore
que ouvia a avó contar
frondosa natureza
que salvou com sombra sua humanidade
marcada em lembranças

domingo, 9 de junho de 2013

365 dias com poesia, 09 de junho de 2013 -- Inferno

Inferno


Ouvindo Invierno Porteño, de e com Astor Piazzolla

Quantas emoções resistem a um aperto no peito
Dum abraço sofrendo?
Em quantos suspiros definimos nossos riscos de vida?
Sabedores da malícia quando poderemos deixar de duvidar?
É certo sempre querermos acertar?
Uma melodia nos incita ou só sofremos quando queremos?
Quando iremos parar de apostar contra nossos desejos?

sábado, 8 de junho de 2013

365 dias com poesia, 08 de junho de 2013 -- cáries

cáries


difícil transformar segredos
em palavras
como tais
preferem ficar
incógnitos
pingando autocomiseração
quando expostos
são como ossos quebrados
dentes cariados
à exposição
fatos concretos
demais corretos
na conta corrente do poeta
que esfrega a testa com a preocupação de estar entregando ouro ao bandido deixando como todos de mentir para se nutrir do néctar da verdade
que ilustra o tamanho da arte que é entregar-se ao ato de desvendar-se

sexta-feira, 7 de junho de 2013

365 dias com poesia, 07 de junho de 2013 -- formigas gigantes

formigas gigantes


toda vez que estou desanimado leio alguns poucos comentários sobre o meu trabalho de amigos diletos quase secretos diante da massa de ignorância que nos permitimos aturar e são esses pequenos gestos de sombra de prédios que me soerguem me tornam um gigante pensando no tamanho das formigas que somos quando nos deixamos desperdiçar em migalhas

quinta-feira, 6 de junho de 2013

365 dias com poesia, 06 de junho de 2013 -- bailarina

bailarina


À Maritza Rodrigues

Calma
Bailarina
Sabedoria fria
Em olhos descobertos
Para descobertas
Cabelos ao vento em música de momentos
Intensos
Raiz de cruz
Pés nus
Para a dança da vida

quarta-feira, 5 de junho de 2013

365 dias com poesia, 05 de junho de 2013 -- e-ternos

e-ternos


Esse jardim que vejo daqui não é eterno
Mas é terno
Cheio de flores azuis
Que brinquei com Quintana
Disse a ele:
“Mário, estuário
Menino levado
Rei dos azuis metais em dedos de asas
De passarinho que declara o tamanho
Da vida
Num encontro de pequenas rimas...”
E ele respondeu:
“Marco, nada plácido
És amargo e ácido
Na medida em que seus olhos ariscos de menino
Tentam suplantar o risco...doce azul...”

(...e entre flores continuo a plantar conjunções!)