regador
Na árvore em frente à minha varanda
Borboletas brincam de flor
Folhas brincam de cor, verde
Eu brinco de dor, sempre
Escrevendo até não resistir e dormir
Para sorrindo inventar
Borboletras, flores, verdes e dores dolorindo só um pouquinho
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
365 dias com poesia, 03 de junho de 2013 -- Amém quente
Amém quente
Somente acredito em Deus quando olho
O céu
Adoça meu olhar
Aguça o modo de enxergar a linha do horizonte e lembrar para qual horizonte quero
Nadar
Ter coragem de esperar uma estrela cadente, boiando
Um pedaço de macarrão ao dente, falando
Um deus salgado experiente, rezando
Que
Espanta
Espanta pela falta de possibilidade
Enganado?
Quase sempre para todo o sempre?
Amem quente antes que o mundo acabe
Somente acredito em Deus quando olho
O céu
Adoça meu olhar
Aguça o modo de enxergar a linha do horizonte e lembrar para qual horizonte quero
Nadar
Ter coragem de esperar uma estrela cadente, boiando
Um pedaço de macarrão ao dente, falando
Um deus salgado experiente, rezando
Que
Espanta
Espanta pela falta de possibilidade
Enganado?
Quase sempre para todo o sempre?
Amem quente antes que o mundo acabe
domingo, 2 de junho de 2013
365 dias com poesia, 02 de junho de 2013 -- quintal do céu
quintal do céu
Rubem Braga
Amava
A cor, o mar e o silêncio
Entrava nas palavras
Que eram suas
Por vontade de exercê-las
Ódio aos proxenetas
Pequenos aproveitadores da crença alheia
Tinha amor pela natureza
Que elegeu azul
Nos olhos de suas musas
Mulheres com sabor de
Suco da fruta desejo
Que plantava em seu quintal do céu
365 dias com poesia, 01 de junho de 2013 -- susto
susto
(Provavelmente
O motivo
É o susto...)
Quando crianças não conhecemos a vida
Brincamos de ser pessoas
Aprendendo as coisas necessárias
As mais importantes
Mas não conhecemos
Normalmente
As grandes dificuldades...
Ao descobrirmos
Minimamente como a vida funciona
Levamos um susto
E é o primeiro passo depois do susto
Que indicará quem somos
Uns ficarão paralisados
Outros viajarão na maionese
E há ainda aqueles
Que escreverão
Cantarão
E
Pintarão o susto
Não há medida certa a ser tomada
Há apenas o jeito com que iremos lidar com a vida já assustados...
Marco Plácido, DOR
A Fernando Pessoa
Sendo dor
sinto os dedos tremerem
os dedos do poeta que geme
a sabedoria de sentir-me presente
os leitores sentem-me latente
dor do poeta entristecido
pela existência que finge
em pingos
que espremo sendo razão
nas calhas de roda
comboio de corda
do poeta que se chama coração
Sendo dor
sinto os dedos tremerem
os dedos do poeta que geme
a sabedoria de sentir-me presente
os leitores sentem-me latente
dor do poeta entristecido
pela existência que finge
em pingos
que espremo sendo razão
nas calhas de roda
comboio de corda
do poeta que se chama coração
Carlos Drummond de Andrade, Sonetinho do falso Fernando Pessoa
"Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
Muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
Posso durar. Desisto
De tudo quanto é misto
E que odiei ou senti.
Nem fausto nem Mefisto,
À deusa que se ri
Desse nosso oaristo, (conversa íntima)
Eis-me a dizer:assisto
Além, nenhum, aqui,
Mas não sou eu, nem isto.".
Fernando Pessoa, AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
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