Amadurecer
é sabe
a dor de viver
conscientemente
saber que uma mordida dói também em quem morde
saber que a vida
é um corte instantâneo na morte
que é natural
como uma folha se decompondo
como um canto de pássaro murchando
por falta de árvores
como um pequeno poema
tentando
comunicar
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
sábado, 30 de junho de 2012
No meio do meu caminho
No meio do caminho tinha uma perda
tinha uma perda no meio do caminho
tinha uma perda
no meio do caminho tinha uma perda.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma perda
tinha uma perda no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma perda
Mundo Real
Quem disse que somos adultos?
Se nos entregarmos à liberdade de amar,
seremos crianças!
santas
se não
somos adultos fingindo não ser crianças
e aí
acaba a esperança
o mundo real é a infância!
Se nos entregarmos à liberdade de amar,
seremos crianças!
santas
se não
somos adultos fingindo não ser crianças
e aí
acaba a esperança
o mundo real é a infância!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
à canivete
uma vida se define em palavras
desculpe
mas
um mudo não consegue me fazer verter lágrimas
todos os nossos instantes
dos mais simples
aos mais emocionantes
são descritos
por signos
escritos
um amor
sem um símbolo
à canivete na árvore não existe
um aceno de mão sem uma declaração diminui de intensidade
uma gota de lágrima num oceano de palavras
é o amor completo
desculpe
mas
um mudo não consegue me fazer verter lágrimas
todos os nossos instantes
dos mais simples
aos mais emocionantes
são descritos
por signos
escritos
um amor
sem um símbolo
à canivete na árvore não existe
um aceno de mão sem uma declaração diminui de intensidade
uma gota de lágrima num oceano de palavras
é o amor completo
sangue
choro se tenho vontade e rio também e grito e peço e meço e teço um verso isso tudo a idade me trouxe saber para onde quero ir e com quem com quais palavras descreverei a dor o amor a flor a cor do sangue que sinto na boca quando sinto raiva amor ódio calma
casca
em lágrimas...a árvore chora sementes
futuros frutos, dádivas
esperando águas para sonhar
um passado
um pássaro
ensina a voar a sonhar
com o azul do céu
com o branco do sal
só um santo se sacrificaria por uma monção
um sorriso uma canção
é um canto, esperança
nas asas de uma folha desgarrada
um pedaço de casca
é uma declaração de estação
folhas forram o chão de ilusão esverdeada
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Eliseo Diego, TESTAMENTO
Já que cheguei ao tempo em que
a penumbra já não me consola mais
e me abatem os presságios menores;
já que cheguei a este tempo;
e como as borras do café
abrem de repente agora para mim
suas redondas bocas amargas;
Já que cheguei a este tempo;
e perdida já toda a esperança de
algum merecido ascenso, de
ver o fluir sereno da sombra;
e não possuindo mais do que este tempo;
não possuindo mais, enfim,
que a minha memória das noite e
sua vibrante delicadeza enorme;
não possuindo mais
entre céu e terra que
minha memória, que este tempo;
decidido fazer o meu testamento.
É
este: lhes deixo
o tempo, todo o tempo.
a penumbra já não me consola mais
e me abatem os presságios menores;
já que cheguei a este tempo;
e como as borras do café
abrem de repente agora para mim
suas redondas bocas amargas;
Já que cheguei a este tempo;
e perdida já toda a esperança de
algum merecido ascenso, de
ver o fluir sereno da sombra;
e não possuindo mais do que este tempo;
não possuindo mais, enfim,
que a minha memória das noite e
sua vibrante delicadeza enorme;
não possuindo mais
entre céu e terra que
minha memória, que este tempo;
decidido fazer o meu testamento.
É
este: lhes deixo
o tempo, todo o tempo.
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