terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PULGAS

Depois do desastre

de terça

Não tem mais desculpa

Existem homens

políticos

pulgas

Basta escolhermos quem nos representa

FASES (3)

Fiz poucos poemas políticos, no sentido estrito, pois acho que toda poesia traz uma humanidade que é em si um ato político. Porém, a tragédia do Morro do Bumba acabou me permitindo, infelizmente, esse lado e acabei fazendo por indignação: DESABRIGADOS e PULGAS.


DESABRIGADOS

...agora

Essa criança

Que nunca votou

Vai aprender a força da palavra solidariedade

Vai aprender que tudo de ruim que aconteceu pode piorar

Vai aprender...

e talvez

Se chegar a idade adulta

Não tenha mais forças para se revoltar

Agora

É desse jeito com esse cheiro que vamos ter que nos virar

FASES (2)

Outra fase foi a de poemas sobre jazz. Nessa fiz: JAZZMIM.

JAZZMIM

Ouvindo o magistral

Raul de Souza

E outros feras

Do jazz tupiniquim

Tive para mim

Um pensamento

Como verdadeiro

Mesmo para Miles, Coltrane

Bird , Sachtmo ...

Gênios do USA-jazz

Nós perderíamos de pouco

Chegando bem perto

Com: Jobim, Hermeto,

Moacyr Santos, Sérgio Mendes

e João Gilberto

Se Jobim tirou Sinatra de uma fase braba

Se Miles babou e bebeu

do bruxo Paschoal

Se o tema da pantera

dizem foi feito pelo maestro Moacyr

Se João inventou a bossa nova

Um jazz-cool-sambado

Dominando o mundo

e Sérgio Mendes

Botou rebolado

Nos gringos

com a ajuda de Donato

Por que temos a mania

de achar que só os caras de fora

é que são os tais

Deixemos de bobagem e

enfrentemos com coragem

A única verdade universal

O cara quando destrói

Pode até ter

nascido

em Niterói!

DJAVANEANDO O U2


Desejo (DESIRE)

Ser mau (BAD)

sem você (WITH OR WITHOUT YOU)

voarei (THE FLY)

como bala no céu azul (BULLET BLUE SKY)

para atingir qualquer um

num domingo sangrento (SUNDAY BLOODY SUNDAY)

nesse bonito dia para mim (BEAUTIFUL DAY)

que saudoso

tentarei de tudo para lhe alcançar

direto no coração

quiçá

com o som de uma nova canção

que compus para você

“meu bem querer

meu encanto

tô sofrendo tanto”

djavaneando

meu sofrer

para ter você

me amando

até o fim do mundo! (UNTIL THE END OF THE WORLD)

FASES

Nesse caminho de quase três anos escrevendo poesias todos os dias passei por algumas fases. Uma delas foi a de me treinar a fazer poemas com títulos de músicas dos artistas que eu admirava. (Acho que era uma adaptação para poder compor músicas minhas). Daí surgiram, ALLMAN BROTHERS BLUES e DJAVANEANDO O U2. Vamos a eles:

ALLMAN BROTHERS BLUES

Nas minhas andanças

À meia-noite (MIDNIGHT RIDER)

Com o único companheiro

que tenho: meu violão

Sonho (DREAMS)

em fazer canções

talvez um blues

chamado: SOULSHINE

Sonho

Em voltar a vê-la

Atravessando o rio (WOMAN ACROS THE RIVER)

Vindo na minha direção

MELISSA

Mulher de má-reputação

De mau coração (BLACK HEARTED WOMAN)

Não venha e volte

Me deixando louco de saudades (COME & GO BLUES)

Mas saiba que

as levarei comigo

para casa (LEAVE MY BLUES AT HOME)

pois para mim

Melissa e saudade

São partes

De um todo

Chamado: amor!

(Poema feito com os títulos das músicas do Allman Brothers Band)

Profundo

sinto informar mas já sei que esse azul vem do céu não é do mar que encobre com ondas as pedras-poetas que encobre com estrelas a areia do seu fundo profundo tão fundo quanto o sono profundo que sentimos juntos situação de torpor e dor (e dói e mói...) os pés ardem por não sabermos a direção da maré é mar é solidão é mar pelo céu cinza ondas cinzas ondas me obrigando a nadar mãos batendo na água salgada salgada

Artérias

choro por pingos de chuva
a desilusão
espreme folhas
arranca raízes
entope artérias
escorre em mim a saudade
daquela árvore
que saciou
a seiva
nossa vontade
ali se depositou em ranhaduras
nomes gravados contra a natureza