terça-feira, 31 de janeiro de 2017

(3) Graciliano Ramos, Vidas Secas. Marco Plácido, Poema:Cadeia

Cadeia

Aperreado
Por aperrear a esposa
Fabiano estava preso
Porque se entregara à cachaça
Bruto sem estudo
Sem sentido sentia...
O que desejava?
(não sentir fome
não sentir sede
não sentir...)
Suportava tudo, tudo pela família!

Suportava tudo pela família...

(2) Graciliano Ramos, Vidas Secas. Marco Plácido, Poema: Fabiano


Fabiano

1
Cabelos e barba ruivos
Olhos azuis
Rosto queimado
Espinhaço curvo
Pés rachados
Em alpercatas rachadas no chão rachado
Bicho Fabiano
Seu cigarro de palha
Fumando, orgulhoso,
Por estar vivo
Apenas por estar vivo...


2
Bicho Fabiano
Longe dos homens
Confundindo-se com os animais
Pouco falava
Talvez as palavras fossem perigosas...

Se aborrecia com os filhos
Perguntadores
Aprender para quê?
Para ter que saber sempre mais?

Bicho Fabiano
Não queria morrer
Queria sentir-se homem
Correndo o mundo...

(atrás das palavras, pergunto).

(1) Graciliano Ramos, Vidas Secas. Poema: Secas vidas, Marco Plácido

Graciliano Ramos, Vidas Secas. Poemas: Marco Plácido

VIDAS SECAS em poesia -- Esse projeto surgiu de um sentimento percebido de que alguns entendidos em literatura, por incrível que pareça, ainda renegam a poesia a um segundo plano. Como se os sentimentos ali expressos diminuíssem o valor do texto escrito. Não obstante achar que a poesia tem mais a ver com a pintura, trabalhando conceitos imagéticos por meio das palavras, ela faz parte da categoria literatura, uma vez que, normalmente, se utiliza dos procedimentos gramaticais clássicos, atinentes aos demais ramos da literatura, inclusive, pois, o romance.
Dizer que toda prosa se utiliza do cerne da questão poética – do ritmo, seria chover no molhado, mas não posso fugir disso, por ser a mais absoluta verdade.
Mais ou menos como o jazz que se utiliza da alma do blues para soar com algum conteúdo além da técnica e entendimento musical dos seus praticantes.
Então, o que pretendi fazer foi realçar a poesia implícita no texto do mestre Graciliano Ramos. Reduzindo suas palavras sim, mas descortinando a poesia que apimenta o texto.
Espero ter conseguido!  


Marco Plácido

Secas vidas

haste de alecrim para fazer o espeto
Baleia, cadela caçadora, de ouvido atento
esperava sua parte
Fabiano contava mais de cinco estrelas
Sinha Vitória
ouvia seu olhar e com ele pensava:
Vai chover!

sábado, 28 de janeiro de 2017

Exposição Individual Virtual QUASE MU(n)DO -- Marco Plácido -- Quadro: O beijo





O beijo
Vendo um quadro que pintei...
Num ambiente altamente azul
Porque pintado
Um beijo está sendo dado
As apostas falam mais alto
E acham que são dois monstros
Pretendendo se engolir
Acho um beijo doce entre dedos gêmeos de alma
Acho e quero entender ser o amor exalando calma
Exalando a possibilidade rosa dele existir

Exposição Individual Virtual QUASE MU(n)DO -- Marco Plácido -- Quadro: HÁmor

HÁmor
Um coração que são três
Branco azul vermelho
Areia céu medo?
Sendo tudo o que consegui, sorri
Um coração virado deitado como uma barriga
Que dá a luz a um tema
A um poema?
Nada sei e por não saber estou a fazer uma história de vida
Divina?
Marco Plácido

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Exposição Individual Virtual QUASE MU(n)DO -- Marco Plácido -- Quadro: Lautrec

Lautrec
O azul ao branco se rendeu?
O branco no azul se perdeu?
Existe na vida algo totalmente branco?
Imaculado?
Santo?
Então o azul salvou o branco?
Deu-lhe humanidade?
Tornou-o possível?
Crível?
Um míssil de presença?
Uma deusa francesa sorrindo para mim?
Ou Lautrec é apenas mais um quadro num mundo de plástico?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Exposição Individual Virtual QUASE MU(n)DO -- Marco Plácido: Quadro: Rimas pictóricas

Rimas pictóricas
Rimas de tintas de vida
Rimas ilusórias?
Não! Porque só existe a ilusão
O mundo real é feio e bobo
Nos coloca de joelhos para imagens que não queremos ver
Então vamos inventá-las e chupá-las até o caroço
Laranjas limas finas estruturas de sorrisos
Verdes amarelados azuis arroxeados abóboras sem bruxas
Nuas imagens divinas dum cérebro calibrado por retinas