(...) Afinal, o que havia de "novo" nessas atitudes? Nada especialmente, e muito.
O "novo" já não mais seduz o artista, que agora olha para tudo e para todos como "inspiração", ou melhor, como excitação: tudo já foi feito, é só recolher os fragmentos que estão à mão, combiná-los e recombiná-los de modo que faça algum "sentido", seja lá o que isso queira dizer. Convulsionando o estabelecido, tal procedimento vai conferir um aspecto de crise, de busca e experimentação ao momento. Daí parecer oscilar entre o "novo" e o "déja vu". Ora, decerto que entre utilizações gauches, citações, cópias baratas e o bom uso correu muita tinta.
O que se percebe, portanto, não é o "novo", mas uma reflexão poética sobre o que já foi feito. Assim, conhecimentos anteriores são rearranjados e nenhuma novidade é avistada. "Novo" é somente o não-familiar -- frequentemente uma mistura ainda não realizada de dois "velhos": uma espécie de evolução darwinista. Não é possível fazer coisas totalmente novas a partir do nada, tem de haver alguma coisa antes para se obter uma variação das coisas existentes. Alegar ou exigir um "novo" a essa altura dos acontecimentos é endossar uma compulsão vanguardista: ainda não será desta vez que se vai exaurir a história da arte." (...)
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
quarta-feira, 6 de abril de 2016
366 dias com poesia, 06 de abril de 2016 -- S.A.U.D.A.D.E
S.A.U.D.A.D.E
À
memória de Bertha Plácido
Só
Arde
Uma vez em cada respiração
De dia
Arde muito menos... (a rotina
anestesia sentimentos), a noite
Dói mais, quando relembro,
sozinho, sua luta pela vida...
Esforço inútil, mas última
lição.
Do
livro HÁmor, 2014.
terça-feira, 5 de abril de 2016
366 dias com poesia, 05 de abril de 2016 -- Jardins
Jardins
se da
única certeza
retirássemos
força para nos lançar na destemida vontade de nos realizar os psicólogos
estariam todos mortos de fome...
...e
os hospícios dariam lugar a jardins
Do livro HÁmor, 2014.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
366 dias com poesia, 04 de abril de 2016 -- Somas
Somas
À
Angélica Plácido
Eu sei
Seus silêncios são meus
São sons sumidos
Simples sins sozinhos
Soluços singelos sonoros
Sortilégios
Sacrilégios
Severos
Seus
(eu sei meus silêncios são seus
São sons sumidos
Simples sins sozinhos
Soluços singelos sonoros
Sortilégios
Sacrilégios
Severos
Seus)
Sofredores secretos somamos
sexos sorvendo união
Do
livro HÁmor, 2014.
domingo, 3 de abril de 2016
366 dias com poesia, 03 de abril de 2016 -- sangramento
sangramento
A
Luiz Antonio Costa de Andrade
todos precisamos de tudo
alimento sol sombra carinho
todos precisamos reconhecer o
barulho e o cheiro do ninho
primeiro sonho
ilusão de continuar nadando
num mundo plano, sem tempo
todos precisamos de tudo
e o mundo
nos evita
como separar o joio da ferida?
como não gritar sangrando em
poemas
que tentam
mas não estancam minha
desilusão?
Continuar vivendo é segurar a
própria mão?
Do
livro HÁmor, 2014.
sábado, 2 de abril de 2016
366 dias com poesia, 02 de abril de 2016 -- ração
ração
não há mais tempo para a emoção
a razão racionou todo o tempo
(tudo
está
claro)
tudo está escuro
no fundo do meu coração
gostaria de chorar
mas não dá mais tempo
tenho que
ganhar o pão
e amassá-lo
para dividi-lo
ração de carinho
Do
livro HÁmor, 2014.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
366 dias com poesia, 01 de abril de 2016 -- Bola de meia
Bola
de meia
Aquela árvore está pedindo um
menino, subindo
Aquela bola está pedindo um pé
sem chuteira
e eu...não sou mais menino
mas
se estou vendo isso posso me
furtar?
Se estou vendo, estou vivo, é
isso que devo fazer e farei...
Do
livro HÁmor, 2014.
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