terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quente

enquanto
olho para o chão
passa um avião
enquanto
vejo filmes
você insiste em não me ver
enquanto
quero saber
esqueço de criar,viver
enquanto tento sem você
mais me esquento em recordações

facebook

não sei se o garoto bilionário dono do facebook tem consciência e mesmo se quer ter mas ele escancarou nosso sofrer milhões de solitários fingindo desconhecer o óbvio ninguém liga para sua solidão em palavras

poema feito em zilhões de mãos solitárias

Sabichão

...como?!
Não posso me vestir de palhaço para alegrar
ao menos um menino
só porque a vida é triste com seus desatinos?
por isso mesmo
alguém tem que fazer pensar
mesmo que seja com palhaçadas
mesmo que seja vestido de pirata num programa de televisão
alguém tem que esticar as mãos
para que um outro alguém saiba que não está só...

Jujubas

brincadeira séria
criança adulta querendo se comunicar
língua do palhaço para o outro que está com o balde
domador rindo da soneca do leão
tudo isso é essa ilusão
em palavras coloridas

Acelerado

o ritmo de um poema é tudo
o poeta deve falar
pausadamente
e
frequentemente acelerar como se não fosse parar
para mais adiante parar
brusco
paro
incito o faro
um buldogue de bochechas grandes a brincar com uma bola colorida
às vezes tudo fica leve com uma pena a voar
às vezes pesado com um tema mais difícil de ser digerido
às vezes ao espaço como um míssil

LAÇO

me fixo ao passado
quando não assumo meus erros
voo para o futuro
quando esqueço o medo de errar
admito: posso mudar
quero mudar
para continuar a viver
como laço
no seu presente

Com fome

janeiro já se foi
levado
partiu
agora
só ano que vem...
fevereiro
chorando bebê com fome