artefato
A Carlos Scliar
aquele que grita em silêncio
o segredo
preto (ouro)
frio (cabo)
aquele que inventa
a cor física da dor
em linhas de guerra
absurda(s)
muda(s) de esperança
sincera (s)
para comunicar
o simples
ato de amar
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Poema de Anna Letycia sobre Carlos Scliar
"Ou tu és um monstro de força, ou bem me podias ensinar como construíste tua casa no meio da ventania"
é o amigo constante,
é a presença solidária,
é o pintor famoso,
o trabalhador incansável
que perturba aquele que ao seu lado
tenta acompanhar seu ritmo,
(o que já por diversas vezes aconteceu comigo).
é o operário-padrão,
é o artista criador de mundos imaginados,
embora vistos e revistos,
é o "poeta, recuperador da presença perdida",
é o cinéfilo exacerbado,
é o que não explode em rancor, ams em soluços,
porque "por mais enterrado que esteja,
um depósito de munições é alguma coisa sempre a
ir pelos ares".
é aquele que anda sempre em preparativos:
"Vivo assim amontoado, renovando, corrigindo,
experimentando, caindo e me aprumando.
Assim, não chegará jamais o dia da minha
inauguração."
é o que não teme enfrentar "denúncia de novo assalto
dos homens contra os homens".
é o guri,
é o Scliar.
é o amigo constante,
é a presença solidária,
é o pintor famoso,
o trabalhador incansável
que perturba aquele que ao seu lado
tenta acompanhar seu ritmo,
(o que já por diversas vezes aconteceu comigo).
é o operário-padrão,
é o artista criador de mundos imaginados,
embora vistos e revistos,
é o "poeta, recuperador da presença perdida",
é o cinéfilo exacerbado,
é o que não explode em rancor, ams em soluços,
porque "por mais enterrado que esteja,
um depósito de munições é alguma coisa sempre a
ir pelos ares".
é aquele que anda sempre em preparativos:
"Vivo assim amontoado, renovando, corrigindo,
experimentando, caindo e me aprumando.
Assim, não chegará jamais o dia da minha
inauguração."
é o que não teme enfrentar "denúncia de novo assalto
dos homens contra os homens".
é o guri,
é o Scliar.
Scliar, por Antônio Houaiss
"O substrato humano de Carlos Scliar -- se cerca de vinte e cinco anos de convívio episódico mas fraterno que permitem presumir o como de gérmen que se esconde sob a casca --, o substarto de Scliar parece ser a busca do impossível: a busca do simples. Dimples, esse algo que se sonhou estar no início e se complicou depois, perdendo-se; ou esse algo de captação quase inefável que deve de fato a um tempo a essência, existência, vivência, fluência, aparência do esforço de perceber, aprender, entender, compreender o interlocutor -- seja este uma criança, uma mulher, uma coxilha, uma trincheira, um boi, um bule, uma página, um céu, uma água. Tal simples, se atingido é gérmen de tudo, sobretudo da máxima significação sob a capa do máximo despojamento.
Vivendo os anos da atualidade desumanizante, em que se vem cada vez mais deixando de ser, para cada vez mais fazer; a fim de cada vez mais ter, com o risco de cada vez menos estar a negar enfim ser -- Scliar tem conseguido fazer, ter, estar, continuado a ser, e ser presença que revela a ausência buscada, o simples, mesmo que este seja a utopia.
Mas nele, creio, a busca se fez há muito o instável instante permanete da apreensão do simples; no convívio humano, no apoio aos artistas colegas seus aos quais não se impõe mas em que desperta solidário a ascese da indagação metódica daquilo que seja o seu dele ser, na tarefa de plantar raízes de sua mentação factitiva sobre a superfície proposta, no diálogo interior com as coisas e os seres, e nessa invonlutária mas poderosa influência na arte atual brasileira -- se mais não fosse (e o é) pela limpeza integral de sua cozinha.
Pois não se ignora que Scliar (a arte dele, sobretudo) é, de um lado, parte da paisagem simbólica de muitos nós, um ensinador de ver e sentir e perceber e apreender, e é, de outro lado, rejeitado polarmente por uns poucos, porque não captaria a totalidade fugidia.
Sou dos que, no essencial simples tão sofridamente revelado em cada obra de Scliar, vêem também a captação da totalidade não fugidia: e, por isso, convivo com sua arte em dupla operação afetiva: porque amo o miniverso de seus simples, em que, cada um, amo o universo.
E a lição, aliás, que leio na sua presença entre nós.
Amém.
Vivendo os anos da atualidade desumanizante, em que se vem cada vez mais deixando de ser, para cada vez mais fazer; a fim de cada vez mais ter, com o risco de cada vez menos estar a negar enfim ser -- Scliar tem conseguido fazer, ter, estar, continuado a ser, e ser presença que revela a ausência buscada, o simples, mesmo que este seja a utopia.
Mas nele, creio, a busca se fez há muito o instável instante permanete da apreensão do simples; no convívio humano, no apoio aos artistas colegas seus aos quais não se impõe mas em que desperta solidário a ascese da indagação metódica daquilo que seja o seu dele ser, na tarefa de plantar raízes de sua mentação factitiva sobre a superfície proposta, no diálogo interior com as coisas e os seres, e nessa invonlutária mas poderosa influência na arte atual brasileira -- se mais não fosse (e o é) pela limpeza integral de sua cozinha.
Pois não se ignora que Scliar (a arte dele, sobretudo) é, de um lado, parte da paisagem simbólica de muitos nós, um ensinador de ver e sentir e perceber e apreender, e é, de outro lado, rejeitado polarmente por uns poucos, porque não captaria a totalidade fugidia.
Sou dos que, no essencial simples tão sofridamente revelado em cada obra de Scliar, vêem também a captação da totalidade não fugidia: e, por isso, convivo com sua arte em dupla operação afetiva: porque amo o miniverso de seus simples, em que, cada um, amo o universo.
E a lição, aliás, que leio na sua presença entre nós.
Amém.
365 dias com poesia, 09 de fevereiro de 2013 -- Obras de arte
Obras de arte
Para onde iremos depois?
Iremos para o nada físico
O tudo se significarmos
Algo?
Essência de antepassados
Gravada na memória dos que lembrarem
Da nossa passagem
Obra de arte
Nos olhos de filhos, amigos
Que em poucos momentos
Ouvirão um pranto
Verão um canto
Suspirarão num canto
A falta que fazemos porque somos eles também
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Antonio López, por Giovanni Testori
" ...Detrás de los cuadros, las esculturas y los bajorrelieves de López hay exactamente lo más opuesto a un objetivo, en la misma medida que a su lado se coloca algo que se halla exactamente en los antípodas de un fotograma. Toda su obra se nutre con una especie de secreta pulsación psíquica y, conjuntamente, de una milesimal capacidad de advertir los cambios, las crecidas, las devastaciones que el tiempo va imprimiendo en la existencia de los países, de los hombres y de las cosas (y los pertinentes peligros, además de las pertinentes e impalpables amenazas).
Mientras tanto, iconográficamente, no hay cuadro, relieve o dibujo de López que no haga referencia al reducidísimo círculo de su estudio, de su casa, de sus pasillos, de sus habitaciones, de sus familiares, de su pequeño huerto y de su minúsculo jardín. En suma, de todo aquello que ha visto, tocado, habitado, amado, abrazado, sobado, de lo que ha vivido y no lo que ha fotografiado.
Así, si lo principal y concreto del objetivo ( de la pintura que plagia los productos) es apresar y dar testemonio del instante, lo principal e lo particular de la poesía de López reside en la destrucción de ese instante y en el introducirse, momento a momento, milímetro a milímetro dentro de las grietas del tiempo, y por aquella sutilísima y tortuosa vía hecha de aproximaciones y de alejamientos, alcanzar una especie de "summa" de todo posible pasado y, conjuntamente, de una especie de presagio y anuncio de todo futuro. Aquel amor y aquella identificación de su pintura con las incrustaciones de líquenes, con el polvo, los mohos y las devastaciones salítricas de los muros, con su agrietarse, abrirse y caer lentamente a los pies de una tierra desolada, amor e identificación que se observan taambién técnicamente en sus primeras obras...".
Mientras tanto, iconográficamente, no hay cuadro, relieve o dibujo de López que no haga referencia al reducidísimo círculo de su estudio, de su casa, de sus pasillos, de sus habitaciones, de sus familiares, de su pequeño huerto y de su minúsculo jardín. En suma, de todo aquello que ha visto, tocado, habitado, amado, abrazado, sobado, de lo que ha vivido y no lo que ha fotografiado.
Así, si lo principal y concreto del objetivo ( de la pintura que plagia los productos) es apresar y dar testemonio del instante, lo principal e lo particular de la poesía de López reside en la destrucción de ese instante y en el introducirse, momento a momento, milímetro a milímetro dentro de las grietas del tiempo, y por aquella sutilísima y tortuosa vía hecha de aproximaciones y de alejamientos, alcanzar una especie de "summa" de todo posible pasado y, conjuntamente, de una especie de presagio y anuncio de todo futuro. Aquel amor y aquella identificación de su pintura con las incrustaciones de líquenes, con el polvo, los mohos y las devastaciones salítricas de los muros, con su agrietarse, abrirse y caer lentamente a los pies de una tierra desolada, amor e identificación que se observan taambién técnicamente en sus primeras obras...".
365 dias com poesia, 08 de fevereiro de 2013 -- tricot
tricot
Está cada vez mais difícil rimar
Descobrir novas palavras
Desvendar esconderijos dos sentimentos vividos
Está cada vez mais difícil sentir
Dói muito mais porque é uma volta
Uma revolta mais destemida
Dá medo sentir
Mais fácil mentir
Solidez
Esconder a lágrima
Debaixo do travesseiro
Ficar lendo dormindo comendo
Entristecendo
E cosendo esdrúxulas desculpas
Para a cristaleira, que não responde
Está cada vez mais difícil rimar
Descobrir novas palavras
Desvendar esconderijos dos sentimentos vividos
Está cada vez mais difícil sentir
Dói muito mais porque é uma volta
Uma revolta mais destemida
Dá medo sentir
Mais fácil mentir
Solidez
Esconder a lágrima
Debaixo do travesseiro
Ficar lendo dormindo comendo
Entristecendo
E cosendo esdrúxulas desculpas
Para a cristaleira, que não responde
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Antonio López, opinion
"Cuando empieza a trabajar, el pintor europeo siente que ha heredado un fondo inmenso de representaciones, y se siente el último en llegar. Los temas no han variado mucho: la vida, la muerte, el amor. El mundo real es el mismo, porque si lo analizamos como idea, como proyecto, como representación plástica, independiente del motivo concreto, un animal desollado no deja de ser como una persona desollada, por lo que a la tradición de representaciones de animales desollados podemos añadir la de temas como el martirio de San Bartolomé. En el fondo, es una imagen muy cruel, terrible, dura, pero con un sentido plástico innegable: la presividade extrema de lo físico, como carne, como muerte"
Assinar:
Postagens (Atom)