Raivas
Conflito de gerações:
O pai com raiva do descompromisso da juventude do filho
O filho com raiva do medo que o pai sente de viver
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
quinta-feira, 30 de maio de 2013
365 dias com poesia, 30 de maio de 2013 -- enfermos
enfermos
À memória de tia Ana Josefa
Um corpo enfermo duma mente sã
Perguntou-me se me sentia bem
Isso aconteceu efetivamente
E amém
Tive a oportunidade de aprender não temer ajudar
Seja lá quem for, onde for
Por que ter medo de hospital, cemitério etc.
Se sabemos que vamos morrer? (isso não podemos esquecer)
Então por que não ajudar quem precisa?
Por que não tentar curar nossas feridas
Deixando de ferir e olhando a vida duma nova perspectiva?
À memória de tia Ana Josefa
Um corpo enfermo duma mente sã
Perguntou-me se me sentia bem
Isso aconteceu efetivamente
E amém
Tive a oportunidade de aprender não temer ajudar
Seja lá quem for, onde for
Por que ter medo de hospital, cemitério etc.
Se sabemos que vamos morrer? (isso não podemos esquecer)
Então por que não ajudar quem precisa?
Por que não tentar curar nossas feridas
Deixando de ferir e olhando a vida duma nova perspectiva?
quarta-feira, 29 de maio de 2013
365 dias com poesia, 29 de maio de 2013 -- fotossíntese
fotossíntese
papai
eu quero entender a natureza
se fazemos parte também de um plano maior do que comprar brinquedo e estudar?
quando começamos a plantar uma ilusão de medalhas?
quando beijaremos o escudo protetor do amor?
você consegue me explicar por que precisamos chorar sozinhos enquanto lembramos de vozes emitindo som?
luz de desconsideração? onde estão as razões do sol continuar nascendo se ainda estamos sofrendo?
e ao crescermos saberemos sonhar?
estaremos prontos para andar ou precisaremos nos apoiar nas pernas alheias? veremos o sol nascer com olhos de sorrisos? e os gritos serão por nossas alegrias ou desgostos dos outros por estarmos felizes? seremos eternos? ou apenas aprendizes da fotossíntese?
papai
eu quero entender a natureza
se fazemos parte também de um plano maior do que comprar brinquedo e estudar?
quando começamos a plantar uma ilusão de medalhas?
quando beijaremos o escudo protetor do amor?
você consegue me explicar por que precisamos chorar sozinhos enquanto lembramos de vozes emitindo som?
luz de desconsideração? onde estão as razões do sol continuar nascendo se ainda estamos sofrendo?
e ao crescermos saberemos sonhar?
estaremos prontos para andar ou precisaremos nos apoiar nas pernas alheias? veremos o sol nascer com olhos de sorrisos? e os gritos serão por nossas alegrias ou desgostos dos outros por estarmos felizes? seremos eternos? ou apenas aprendizes da fotossíntese?
terça-feira, 28 de maio de 2013
365 dias com poesia, 28 de maio de 2013 -- violetas
violetas
não descanse seus olhos
em desanimado instante azul
aqueça-os com a tinta de lágrimas
secrete
segredos
umedeça os dedos
e exploda em mistério
imagine um respiro de violetas
e se perca
nesse jardim de possibilidades vis
não descanse seus olhos
em desanimado instante azul
aqueça-os com a tinta de lágrimas
secrete
segredos
umedeça os dedos
e exploda em mistério
imagine um respiro de violetas
e se perca
nesse jardim de possibilidades vis
segunda-feira, 27 de maio de 2013
365 dias com poesia, 27 de maio de 2013 -- Azul!
Azul!
Ouvindo Almost Blue, com Chet Baker
Quase azul...
O mundo quase azul
Não é azul
Com certeza
Está mais perto do cinza
De uma esquina sem vento
De um discurso sem argumentos
Quase azul...
Um adeus sem mãos...
Um beijo sem emoção...
Tudo que é quase
Nunca existiu
Tudo que é quase
É apenas uma fração
Uma abstração
Do que poderia ser
Então não é o que deveria...
Então não sou eu
(Não sou quase nada Não quero ser quase nada Muito menos quase azul)
Ouvindo Almost Blue, com Chet Baker
Quase azul...
O mundo quase azul
Não é azul
Com certeza
Está mais perto do cinza
De uma esquina sem vento
De um discurso sem argumentos
Quase azul...
Um adeus sem mãos...
Um beijo sem emoção...
Tudo que é quase
Nunca existiu
Tudo que é quase
É apenas uma fração
Uma abstração
Do que poderia ser
Então não é o que deveria...
Então não sou eu
(Não sou quase nada Não quero ser quase nada Muito menos quase azul)
domingo, 26 de maio de 2013
365 dias com poesia, 26 de maio de 2013 -- Régua
Régua
Rindo ruminei resolução
Recorrer
Reviver
Ressurgir
Reunir
Repetir
Raridades
Rudes rubras
Realmente
Reinventar-me
Roda refundida
Rimas rainhas
Ruínas retintas
Rodopiando
Reto
Régua
Rindo ruminei resolução
Recorrer
Reviver
Ressurgir
Reunir
Repetir
Raridades
Rudes rubras
Realmente
Reinventar-me
Roda refundida
Rimas rainhas
Ruínas retintas
Rodopiando
Reto
Régua
sábado, 25 de maio de 2013
Rubem Braga, crônica: Da Praia (Fim)
(...)
Assim anda o homem solitário na longa praia. Mas aqui a praia não é deserta. Atrás de nós estão os edifícios fechados, e a cidade que desperta penosamente. Parados entre a solidão do oceano e a solidão urbana, estamos entre o mundo puro e o infinito de sempre e o mundo precário e quadriculado de todo dia. Este é o mundo que nos prende; estamos amarrados a edle pelos fios de mil telefones.
E ainda somos abençoados, porque vivemos nesta cidade perante o amplo mar. Quando nós, homens, erguemos uma cidade, quantas vezes somos desatentos e pueris! Há cidades entre montanhas, e são tristes; mais tristes são aquelas em que vegetamos no mesquinho plano sem fé, limitados a norte, sul, leste, o este pelo mesmo frio ciemnto que erguemos. Se todas as esquinas são em ângulo reto, que esperança pode haver de clemência e doçura. Apenas o céu nos dá a curva material de que temos sede. Mas o homem, por natureza, pouco olha o céu; é um animal prisioneiro da grosseira força da gravidade: ela puxa nossos olhos para o plano, para o chão. Plantai a vossa povoação junto a um rio, e estareis perdoados; tendes a fluir melancólico das águas para levar as vossas canoas nas monções do sonho.
Mas deixemos o mar; entremos por esta rua. Estrondam bondes. A lenta maré humana começa a subir. Os açougues mostram a carne vermelha a uma luz cruel; as filas se mexem inquietas, sem avançar, velhas cobras de barriga vazia. Voltemos para casa, e sejamos humildes. O mundo é seco. Não mais sonhar em remover as povoações para beira mar oceano, sem abrir caminhos para a fuga da tristeza humana. Estamos outra vez quadriculados em nosso tédio municipal: a torneira não tem água. Ajoelhemos perante a torneira seca: e, embora sem lágrimas, choremos.
Junho, 1946.
Assim anda o homem solitário na longa praia. Mas aqui a praia não é deserta. Atrás de nós estão os edifícios fechados, e a cidade que desperta penosamente. Parados entre a solidão do oceano e a solidão urbana, estamos entre o mundo puro e o infinito de sempre e o mundo precário e quadriculado de todo dia. Este é o mundo que nos prende; estamos amarrados a edle pelos fios de mil telefones.
E ainda somos abençoados, porque vivemos nesta cidade perante o amplo mar. Quando nós, homens, erguemos uma cidade, quantas vezes somos desatentos e pueris! Há cidades entre montanhas, e são tristes; mais tristes são aquelas em que vegetamos no mesquinho plano sem fé, limitados a norte, sul, leste, o este pelo mesmo frio ciemnto que erguemos. Se todas as esquinas são em ângulo reto, que esperança pode haver de clemência e doçura. Apenas o céu nos dá a curva material de que temos sede. Mas o homem, por natureza, pouco olha o céu; é um animal prisioneiro da grosseira força da gravidade: ela puxa nossos olhos para o plano, para o chão. Plantai a vossa povoação junto a um rio, e estareis perdoados; tendes a fluir melancólico das águas para levar as vossas canoas nas monções do sonho.
Mas deixemos o mar; entremos por esta rua. Estrondam bondes. A lenta maré humana começa a subir. Os açougues mostram a carne vermelha a uma luz cruel; as filas se mexem inquietas, sem avançar, velhas cobras de barriga vazia. Voltemos para casa, e sejamos humildes. O mundo é seco. Não mais sonhar em remover as povoações para beira mar oceano, sem abrir caminhos para a fuga da tristeza humana. Estamos outra vez quadriculados em nosso tédio municipal: a torneira não tem água. Ajoelhemos perante a torneira seca: e, embora sem lágrimas, choremos.
Junho, 1946.
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