terça-feira, 9 de julho de 2013

365 dias com poesia, 09 de julho de 2013 -- MENTES, BRILHANTE

-->
MENTES, BRILHANTE

Mentes
Brilhante
Mentes tanto
Tão brilhantemente
Que pretendes me enganar?
Mentes
Tão profundamente
Que consegues provar
Que a água tem cor, cheiro e sabor!
Mentes
Pelo amor da inverdade
Querendo
Afirmar
Verdades incongruentes
Mentiras concludentes
Quantas brilhantes mentes
pretendes enganar?


Do livro RASCUNHOS POÉTICOS, de 2012.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

365 dias com poesia, 08 de julho de 2013 -- ESPELHOS

-->
ESPELHOS

Gostamos
de quem somos
e por isso
queremos mudar os outros
Gostamos
de quem fomos
e por isso
queremos mudar os outros
Não gostamos
de quem somos
e por isso
queremos mudar os outros
Não gostamos
de quem fomos
e por isso
queremos mudar os outros


Do livro RASCUNHOS POÉTICOS, de 2012.

domingo, 7 de julho de 2013

365 dias com poesia, 07 de julho de 2013 -- TENTEI!

-->
TENTEI

Não sei se vou me fazer enten
Derrota já não quero mais ob
Terra é bem por demais valio
Sobre isso não há discus
São vocês que irão me pergun
Tartaruga ganha da le
Breve discussão não i
Rá rá rá não sabe nada e quer me criti
Carma é coisa difícil para ociden
Talvez eu volte nesse te
Ma(r) Plácido!

Do livro RASCUNHOS POÉTICOS, de 2012.

sábado, 6 de julho de 2013

Dante, fragmento de "Cantos do Purgatório", tradução: Henriqueta Lisboa


O Purgatório é a casa do poeta. Sei que também o Inferno, com seus embates de paixão. E o Paraíso também, com seus êxtases. Mas diz e repete meu coração que o Purgatório é a casa natural do Poeta. E aqui mora e demora o poeta nas pegadas do Irmão Maior, com seu coração sofrido porém não desamoroso. Aqui se restauram suas forças, daqui parte para novos degraus de purificação e mansuetude. Nestas plagas encontra velhos amores sempre verdes, mortos amigos sempre vivos, confidentes, repletos de complacência, mestres de amor. Aqui discorre do que adora com os artistas, conversa de ternura com os cândidos, comove-se com os que guardam no peito o antigo relógio, alegra-se com o ruflar das asas do anjo sobre cabelos revoltos. No Purgatório se concebe em névoas, além do longe, a transcendência das cousas que passam mas não se perdem. O homem compreende e confia, embora desconheça a derradeira palavra. E a contenção e o sofrimento da espera se traduzem com nobreza, profunda e moderadamente. Aqui existe silêncio, um silêncio vindo de outrora, contido em si mesmo, igual à levedura que alimenta o pão e o faz crescer em ouro e flama, o silêncio que suspende o respiro na expectativa da música, o silêncio que preludia o fim dos trabalhos da alma, anunciar o cântico.

365 dias com poesia, 06 de julho de 2013 -- CREIO

-->
CREIO

Creio em Deus
Creio no tamanduá
(sendo formiga)
Creio em mim
Creio em tudo
No nada também
Creio pode crer
Creio para ter crença
creio para ter freio.


Do livro RASCUNHOS POÉTICOS, de 2012.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

365 dias com poesia, 05 de julho de 2013 -- ÁRVORE-DOR

-->
ÁRVORE-DOR

De brincadeira
Fiz versos de amor
Na cumeeira
De brincadeira
Fiz cestas da cor
Verde da trepadeira
Sem brincadeira
Fiz versos da cor
Azul da cachoeira
Sem brincadeira
Fiz cestas da árvore-dor
De uma vida inteira…

Do livro RASCUNHOS POÉTICOS, de 2012.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

365 dias com poesia, 04 de julho de 2013 -- parede

parede

Mãe
Se eu soubesse para onde olhar
Inventaria um olhar azul
Para te dizer
O quanto sua risada faz falta
As dificuldades seriam asas
Que me fariam pousar
Se eu soubesse para onde olhar
Te enxergaria e diria que o amor
É uma dor de flor de
Cor amarela
Um sorriso amarelo ainda existe
Com dentes doloridos de tanto tentar dormir
Mãe
Se eu soubesse para onde olhar
Prometo
Olharia mesmo que tijolos marrons
Inventaria cor e passaria a olhá-los de outra forma
Talvez da forma de um lar
Com um sorriso seu impresso na parede