quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Matisse -- Plácido, poema: Idade de árvores

Idade de árvores

Crio criaturas
Sombras
Em tintas frias
Sorrisos na vermelhidão
Suo cismas sofro solidão
Mãos procuram tintas
Ritmos sumindo com a bateria
De corações atormentados que sorriem falso
Rimas risos rinite narinas procurando ar
Amarelo dengue azul freqüente
Ajuda a escrever rimas rumo à expiração
Inspiro certezas vomito confusão
Mental confissão de que precisamos de nós

Para contarmos nossas idades de árvores

Matisse -- Plácido, poema: sentiventos

sentiventos

na vida as coisas têm tempo e prazo
tempo para acontecer
e prazo para acabar

uma flor não nasce no mar
uma ave não voa sem asas

o sal salga pelo paladar
o doce para acalmar

tudo tem vez e lugar
tudo existe pelo nada
que sentimos
quando estamos
sem direção na crença

absurda da verdade absoluta

Matisse -- Plácido, poema: quadrifícios

quadrifícios

Quadros devem ser pintados e pendurados
A dor de ouvir a opinião alheia existe e deve ser afrontada
Quanto mais se quiser aprender a ouvir menos ela doerá e aí será uma dádiva
Pois de muitas opiniões contrárias se tirará algo de positivo um novo começo Um indício de caminho e no fim sempre estamos evoluindo dentro daquilo que Pretendemos comunicar

Pois se fosse para esconder não precisaríamos começar

Matisse -- Plácido, poema: enguias

enguias

Não se trata de dizer acreditar ou não em deus
Quando nos tratamos como formigas como se nada pudéssemos fazer
Sonhar comprar viajar
Ficando quietos em nosso canto como enguias (com guias de cientistas) a espreitar a vida
A próxima vítima na verdade somos nós mesmos
Que por medo fingimos acreditar em algo maior

Para reafirmar nosso tamanho menor que justifique nossa apatia

Matisse -- Plácido, poema: Grito de alerta

Grito de alerta

Quando o bluesman toca
Todos nos tocamos que a simplicidade pode ser decisiva
Quase definitiva
Em poucas e toscas palavras o cantor canta a verdade
Que sangra sangue azul
Dum blues retiro o mesmo sofrimento dum fado dum samba de roda

Todos sofremos por lágrimas todos queremos sorrisos só não sabemos em qual Liquidação comprar momentos que nos façam nos enganar e nos enganando continuar a ter um mínimo tempo de parar para escutar outr’alma que está a gritar por atenção

Matisse -- Plácido, poema: Orvalho

Orvalho

Honra
Hoje
Ora

Hoje
Olhos 
Ontem
Ombros

Olhem
Orem

Homo sapiens
Honrado
Horas


Orvalho

Matisse -- Plácido, poema: borracheiro

borracheiro

Louco paradoxo
Vivo pensando no passado
Mas somente deixarei um passado farto
Se produzir um futuro cheio de furos, digo,

Cheio de fatos que poderão ser lembrados...