terça-feira, 10 de novembro de 2015

Senise -- Plácido, poema: convidado

convidado

Vivemos pouco mais de oitenta anos
E por isso nos impressionamos com a solidão da imaginação?
Desejamos a verdade da realidade
Quando poderíamos apenas respirar aliviados pela sensação de poder errar
Destacamos os outros olhares diferentes dos nossos e então perdemos a vontade de crer nas nossas possibilidades?


(Assim perdemos o melhor da festa que é apreciar nosso olhar sobre a festa de como nos comportamos com os reveses na dança da vida como levantamos depois dum tombo como encaramos o espelho depois do sonho não realizado...)

Senise -- Plácido, poema: cego

cego

Por que Paris?
Porque a tristeza que sinto
Vem de uma música que nunca tinha ouvido de Aznavour
Porque é como se se tivesse vivido lá como se entendesse suas pontes sem tê-las construído
Como se sentisse doer nos olhos sua luz excepcional sem nunca ter podido olhá-la
Não é um conhecimento de livro nem de experiência
É um conhecimento de sentimento
E conhecimento de sentimento não precisa de palavras nem de imagens
Precisa apenas de crença

Crédulo amo Paris como a primeira vez que não a vi

Senise -- Plácido, poema: o mar

o mar  


A Nélson Cavaquinho


não jogue luz
sobre minha tristeza
deixe-a seguir azul

(cor do céu
em reflexo
cor de olhos
sem nexo
que seguem
a tristeza da luz) 

Senise -- Plácido, poema: Crianças II

Crianças II

Aos meus filhos: Vinícius, Victor e Thiago

Se tivéssemos coragem de escrever sobre nossos sonhos...
Ao cantá-los seríamos encantadores
Ao pintá-los seríamos pintadores
Ao vivê-los seríamos inteiros

Ao esquecê-los seríamos crianças

Senise -- Plácido, poema: doce segredo

Não posso mais rimar
Ar com sufocar
Flor com odor
Mãe com vida
Não suporto mais agüentar as verdades escritas
Meus dedos mandam no meu sentimento e escrevem palavras direto do coração
Não posso mais suportar olhar em primeira mão minha própria emoção escondida de mim
Assustado tento não ler o que escrevi mas a curiosidade é maior do que o medo


doce segredo

Senise -- Plácido, poema: carência

carência

Certamente há um desespero
Um certo esmero em ser incorreto
Falar das coisas difíceis para chamar a atenção...

Chamar a atenção
Defeito dos tempos modernos
Só pode acontecer com sorrisos de carnaval
Palavras mentidas fotos retocadas declarações de falsas intenções
Todos são mentirosos? Não! quase todos nós mentimos sem nos lembrar
Do tamanho e da cor das nossas mentiras
Pequenas grandes gordas
Animais que cultivamos como se fossem flores
Quando guardam espinhos enormes
Do tamanho de árvores
Que enfeiam nossa existência

Tanta carência

Só podia dar em explicações que choramos escondidos acordando cansados por não entender que são os momentos verdadeiros que nos embelezam para nós mesmos 

Senise -- Plácido, poema: profeta

profeta


Quieto profeta, ouso perguntar: O mundo é maluco mesmo desse jeito ou esse susto vem do meu olhar?