sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Marco Plácido (Quadro): bota, 40 X 30 cm, guache.


Marco Plácido (Quadro): sunga, 30 X 30 cm, guache.


365 dias com poesia -- 10 de outubro de 2014, Cegos II



Cegos II

estamos tão idiotizados pelas prendas que devemos comprar
que não conseguimos olhar para o lado
muito menos enxergar outros olhos
estamos tão sem tempo um tempo inventado pelos outros
que não nos conhecemos que não conseguimos respirar
quanto mais olhar o mar ali molhando a areia
seqüência de ondas sem objetivo apenas cumprindo seu desígnio
de que cor está o mar? O céu? O olhar?
não olhamos mais nada como queremos conseguir enxergar?!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

365 dias com poesia -- 09 de outubro de 2014, maduro



maduro

quando criança sabíamos de tudo o mundo não existia do tamanho que nos deixamos Encolher
Via o mar e podia nadar via o céu e podia voar via
As palavras
Apenas serviam para ajudar a conquistar uma risada
Não serviam para maltratar nada nem ninguém crescemos e nos deixamos envenenar Pela maturidade
Que quer nos tirar as gargalhadas
Não aceito Não aceitei e azeitei em mim essa vontade de continuar sorrindo apesar das perdas apesar da idade

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

365 dias com poesia -- 08 de outubro de 2014, filisteus



filisteus

 A Luiz Antonio Costa de Andrade, aos 62 anos


a criatividade é uma flor
sua semente
precisa de paciência, tempo e água
críticas matam o sabor da fruta que não nasceu
sempre somos filisteus quando não damos tempo ao tempo
quando não percebemos
aquilo que o outro tem de típico e frustramos sua imaginação
criticando o que não entendemos
tratamos como defeito
uma característica
da natureza

terça-feira, 7 de outubro de 2014

365 dias com poesia -- 07 de outubro de 2014, lepo lepo



lepo lepo

escravo escrevo sangro segredos degredo esterco espremo espero extremos
letro lógica lorotas lama limo luxo largo lodo lepo lego logo existo
insisto existo porque insisto existo porque engulo tudo e vomito essência do
amor da dor da cor do horror da flor do pavor rimo rimo rimo e rio sempre cínico clínico