quinta-feira, 2 de abril de 2015

Plácido -- Picasso: poema morte

morte

Versão livre dum poema de 15/06/1936 de Pablo Picasso

ri do azedo de sua cor estrela ferida de morte
ri de seu ar zomba a rosa do punhal que sua cor
abate
azedo d’estrela ferida de morte
ri de seu ar maligno de assassino de rosas odor de estrela
caída
folha morta
cinzas de asa



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Plácido -- Picasso: poema cardume

cardume

Versão livre dum poema de 15/12/1935 de Pablo Picasso


a lâmina da faca queima a chaga que suspira depois do meio-dia, echarpe de suor – odor dum sorriso preso na armadilha – horas derretidas – no mar – redes de pesca aprisionam o sol – sufocando a jornada – a terra – revela a tentação marrom e dilacera em mil pedaços  a esperança – desespero do homem suprido pela infeliz palmeira – oferecida como presente de Páscoa pela amável florista – mas se o relógio silencia um pouco mais a cada dia – se aproxima a queda que as horas trazem – esfriam lábios com cabelos loiros que desafiam seu olhar


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Plácido -- Picasso: poema tradução

tradução

Versão livre dum poema de 28/10/1935 de Pablo Picasso

se eu penso numa língua e escrevo “o cão corre atrás da lebre no bosque” e eu quero traduzir numa outra língua eu posso dizer “a mesa no bosque branco afunda seus pés na areia e quase morre de medo de saber-se ignorante”


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365 dias com poesia, 02 de abril de 2015 -- POEMAS

POEMAS

Os poemas jorram de mim
O difícil é explicar
o porquê das roupas molhadas
quem entenderá
o motivo de tantas letras penduradas
por todo o meu corpo
é impossível explicar
aos que não têm
tempo
para pensar
na importância do sofrer
para crescer
e se dar atenção
Já não quero agradar
Procurando explicações
onde só há emoções
e sentimentos
a recolher
impostos
apenas pelo bem-querer
ao próximo
e a mim mesmo
então
ficamos desse jeito:
estou molhado de tanto chorar...

Primeiros livros.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pés bambu (música nova – JRV e MP)

Olhos sonhos, bocas sopros
Pescoços rijos para os ventos que virão
Corpos sedentos e cansados
Pernas azuis, pés bambu

Pés bambu, pernas azuis
Pescoços rijos para os ventos que virão
Corpos sedentos e cansados
Sonho norte, sexo sul

Pescoços rijos para os ventos que virão/que virão
Corpos cansados e azuis/sonhos cansados e azuis
Sonho norte, sexo sul

365 dias com poesia, 01 de abril de 2015 -- FLASH-BACK

FLASH-BACK


Terminando essa oração
A tudo e a todos que me fizeram escrever
Com amor e ódio!
Escrevendo com paixão
Homenagem ao meu irmão
Emoção com tudo que já tinha lido e ouvido (deve ser a meia-idade)
Me emocionando com o nascimento
Trocando impressões sobre a vida com meu amigo Luiz Antonio
Descoberta do samba, com todos os feras: Arlindo, Exalta, Revelação
E os mestres, Cartola, cavaquinho, da viola e da vila
Coleção de CDs de Jazz and Blues
Stevie Ray Vaughan , Clapton e BBKing, por óbvio
Almodóvar, alguns filmes italianos e pouquíssimos franceses
Ouvindo a nova MPB, Lenine, Moska, Baleiro, Vander Lee,
E os meus contemporâneos do Brock: Paralamas, essencialmente
Lendo Ruben Fonseca
Sabendo dos novos poetas, tipo o filho do fulano
Ouvindo Jazz, principalmente Miles Davis e lendo sobre
Matisse e Picasso
Lendo Drummond e escutando Djavan e Rita Lee
Led Zeppelin, Deep Purple
Construindo a casa e a vida
Pai e marido, com as suas obrigações
Ouvindo música e namorando
Ítalo Rossi, em Artaud
Dez anos jogando bola e ouvindo música
Ouvindo sobre teatro com Handrey
Fantasiando como seria o teste
para Pedrinho do Sitío do Pica-pau amarelo
que acabei não fazendo (acho que passaria!)
Fantasiado de Tio Sam no Baltazar Bernardino, aos 8 anos...



Primeiros livros.

terça-feira, 31 de março de 2015

365 dias com poesia, 31 de março de 2015 -- fonte

fonte

Versão livre dum poema de 30/12/35 de Pablo Picasso

a noite
na fonte

o sonho, torcido bico
o golpe dado
contra o ar

arranca
as tripas
da cor

(grito)
escondido
na guitarra

alegria
embriagada
pelo canto
da cor

escapa
o fi(lh)o
que sustenta
o prato
da cena

deságua
água
lustra
a longa escada
que
a mão negra
guarda (-chuva)

orelha azul
ressoa

a bolha de sabão
que escapa

descontrolada
prisioneira
da nascente
madrugada


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