sábado, 3 de agosto de 2013

365 dias com poesia, 03 de agosto de 2013 -- shorts



shorts

...Então é isso?!
Precisamos derrotar
Para nos sentir nortes?
Fortes esmagando outros sorrisos?
Suínos em pele de humanos?
Indígenas com pano em
Shorts sujos de civilização?
Então, devemos massacrar as árvores que somos
Tentando nos livrar de sonhos
Que não sonhamos?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pensamentos e Muitos Movimentos (facebook) -- sofri



A Fernando Pessoa

sofri
liberto de mim
liberto em qual extremo?
em qual parâmetro me encontro?
liberto sofrendo?
então não sou livre
apenas invento um argumento
que me faz continuar
a me enganar
para me libertar teria que esquecer do princípio
inventar princípios
(prender-me a algo que desconheço)
com quais meios se temo o fim?
impressas estão tantas, todas, as coisas desde o começo...
liberto-me
esquecendo-me
de mim?

Pensamentos e Muitos Movimentos (facebook) -- pOLÍTICA 2




Dilma tem o azar do bom aluno que não passa no vestibular
Quando Chavez tornou Lula um estadista
Ella achou que haveria facilidade na administração do país com os conselhos do mestre
Relaxou, viajou e criticou a gestão da Alemanha (?!)
Estava se achando
Esqueceu-se que a responsabilidade por tocar a padaria era dela
Que nunca havia botado a mão na massa
(Sim, porque ser meio que chefe de gabinete do mestre é ser uma secretária melhorada...ou piorada)
Inclusive, já devia estar pensando na reeleição
(defeito grave da democracia)
Enquanto sonhava com mais quatro anos de poder
Deixava escorrer pelas mãos
A inventada competência administrativa
Tão decantada pelo mestre e tão aceita por nós eleitores
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?

Pensamentos e Muitos Movimentos (facebook) -- Peixes-voadores




Vencer a vontade que têm de nos transformarem em minhocas
(nosso destino)
Quando somos peixes
Peixes-voadores
Adoramos vencer desafios
Comentar o princípio da vitória
Adoramos os sorrisos
Adoramos...
Adoramos esconder
As derrotas
Por quê?
Quando são elas que nos tipificam
Vejam a Presidenta
Agora começa a sofrer e poder mostrar que tem o que mostrar
Se estiver preparada sairá de minhoca para voar nas pesquisas e urnas da vida 

Pensamentos e Muitos Movimentos (facebook) -- vendaval



A Ryuichi Sakamoto
chove
como se os pingos
fossem os segundos
(não para
não para
de vir água
lágrimas)
segundas intenções?
não sei
estou perdido
nesse vendaval
de folhas
de notas
de segundos
de som agudo
de violino
de veludo?

Mudo
Chove
Fujo
De tudo

Pensamentos e Muitos Movimentos (facebook) -- rota



...é só mais um dia...

(todos os dias são só mais um)

às vezes nos aborrecemos com a rotina mas sem ela não conseguimos aprender a suportar a constância que nos avisa a hora de mudar de rota...

365 dias com poesia, 02 de agosto de 2013 -- Ratos e rúcula



Ratos e rúcula

Num lugarejo onde as horas eram segredos
Homens e mulheres se mantinham comendo de tudo
Raízes ratos rúcula
E por incrível que pareça
Eram felizes
Dentro da ingenuidade da necessidade absurda
Necessidade por tudo que pudesse mantê-los vivos
Esqueciam as palavras que engoliam por não poderem pensá-las
Esquecendo-se de nutri-las de consumi-las
Não morreram
Mas também não se deixaram para a eternidade

(só foram descobertos pelas ossadas raras)