Cello jazz
Quando conhecemos alguém e quando nos conhecemos a morte não existe
Porque ela é a saudade que trazemos (entre os dedos escrevo sobre esse sentimento
Ardendo vontade de reconhecê-lo) um cello tocando uma melodia triste de qualquer jazz
Serve para me ajudar a lembrar e continuar esse poema que está me ajudando a dizer que a morte só existe quando um de nós não está triste
Poesia, música e pensamentos, muitos pensamentos ao vento, pensamentos em movimento...
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
365 dias com poesia, 04 de março de 2013 -- SORRIO
SORRIO
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
Olugardagarotadeipanemaviolênciasexoeporradanamadrugadaolugardemorros
pacificadosqueimandomentirasdegovernadoresdeminasdegovernadoresdesgo
vernadosdesãobernardospingandoressentimentopornãosabercomocomeçaruma
obradeartenapraiatudoacabaemventoemmentessemtempodeproduziralgodiferente
poistodosqueremibopeeesquecemqueobopecontinuanasruasnuasmatando
Rio de janeiro, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos
(eondeestániteróinomapa?dooutroladodapontederessaca!)
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
Olugardagarotadeipanemaviolênciasexoeporradanamadrugadaolugardemorros
pacificadosqueimandomentirasdegovernadoresdeminasdegovernadoresdesgo
vernadosdesãobernardospingandoressentimentopornãosabercomocomeçaruma
obradeartenapraiatudoacabaemventoemmentessemtempodeproduziralgodiferente
poistodosqueremibopeeesquecemqueobopecontinuanasruasnuasmatando
Rio de janeiro, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos
(eondeestániteróinomapa?dooutroladodapontederessaca!)
domingo, 3 de março de 2013
365 dias com poesia, 03 de março de 2013 -- urgência
urgência
não sou uma imagem
soo palavras suo indigna solidão
sofro porque a vida parece cinza
cinco motivos de encontro para pintá-la
de vermelha
suficiente cor para lembrar da
imagem que soa a urgência
não sou uma imagem
soo palavras suo indigna solidão
sofro porque a vida parece cinza
cinco motivos de encontro para pintá-la
de vermelha
suficiente cor para lembrar da
imagem que soa a urgência
sábado, 2 de março de 2013
Fernando Silva, poeta nicaraguense -- O SILÊNCIO
Abaixo da quebrada
numa poça profunda
onde a água é muito clara
um pedaço de céu
se funde entre círculos
de luz amarelada
até o plano da poça
onde se vê mover-se
a barbatana de um peixe
que vem à flor da água
e logo afunda,
enquanto ficam
em cima umas borbulhas
que logo se desfazem.
(Tradução: Thiago de Mello).
numa poça profunda
onde a água é muito clara
um pedaço de céu
se funde entre círculos
de luz amarelada
até o plano da poça
onde se vê mover-se
a barbatana de um peixe
que vem à flor da água
e logo afunda,
enquanto ficam
em cima umas borbulhas
que logo se desfazem.
(Tradução: Thiago de Mello).
Gioconda Belli, poeta nicaraguense -- E DEUS ME FEZ MULHER
E Deus me fez mulher
de cabelo comprido,
olhos,
nariz e boca de mulher.
Com curvas e pregas
e suaves profundidades
e me cavou por dentro,
me fez uma oficina de seres humanos.
Teceu delicadamente meus nervos
e balanceou com cuidado
o número de meus hormônios
Compôs meu sangue
e me injetou
para que irrigasse todo meu corpo;
nasceram assim as ideias,
os sonhos,
o instinto.
Tudo o que criou suavemente
a marteladas de sopros
e as perfurações de amor,
as mil e uma coisas que me fazem mulher todos os dias
pelas quais me levanto orgulhosa
todas as manhãs
e bendigo o meu sexo.
(Tradução: Thiago de Mello).
de cabelo comprido,
olhos,
nariz e boca de mulher.
Com curvas e pregas
e suaves profundidades
e me cavou por dentro,
me fez uma oficina de seres humanos.
Teceu delicadamente meus nervos
e balanceou com cuidado
o número de meus hormônios
Compôs meu sangue
e me injetou
para que irrigasse todo meu corpo;
nasceram assim as ideias,
os sonhos,
o instinto.
Tudo o que criou suavemente
a marteladas de sopros
e as perfurações de amor,
as mil e uma coisas que me fazem mulher todos os dias
pelas quais me levanto orgulhosa
todas as manhãs
e bendigo o meu sexo.
(Tradução: Thiago de Mello).
Homero Icaza Sanches, poeta panamenho -- SERENATA
Não disfarces com luzes de tragédia
esses acordes de ternura clara
que em teus gestos fulgura sempre que amas
sem nem pensar nas coisas desta terra.
Não reconhece amor esses valores
que apregoam o número e o pêndulo
e há mais poesia numa flor noturna
que num verso de dom Luís de Góngora.
Vem sem medo. Vivamos como crianças.
Um e um podem ser cinco e por teus olhos
corre um rio coberto de amapolas
deixa eu te beijar sem nostalgia.
E deixa que eu te queira até que o pranto
brote de tanto amor enamorado.
(Tradução: Thiago de Mello).
esses acordes de ternura clara
que em teus gestos fulgura sempre que amas
sem nem pensar nas coisas desta terra.
Não reconhece amor esses valores
que apregoam o número e o pêndulo
e há mais poesia numa flor noturna
que num verso de dom Luís de Góngora.
Vem sem medo. Vivamos como crianças.
Um e um podem ser cinco e por teus olhos
corre um rio coberto de amapolas
deixa eu te beijar sem nostalgia.
E deixa que eu te queira até que o pranto
brote de tanto amor enamorado.
(Tradução: Thiago de Mello).
Hector Collado, poeta panamenho -- AGORA
Agora,
cansado da idade
e do trajeto;
do dia, cheirando a
derrota,
que se alimenta de
espectros
e negações;
cansado do adeus
dessangrando
mão de mulher
em algum porto
cansado de desviver,
de malversar os dias
outorgados para acumular
filhos
e avós mortos;
aferrado à minha sede de
eternidade,
torno a começar.
(Tradução: Thiago de Mello).
cansado da idade
e do trajeto;
do dia, cheirando a
derrota,
que se alimenta de
espectros
e negações;
cansado do adeus
dessangrando
mão de mulher
em algum porto
cansado de desviver,
de malversar os dias
outorgados para acumular
filhos
e avós mortos;
aferrado à minha sede de
eternidade,
torno a começar.
(Tradução: Thiago de Mello).
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